Your Heading

rebostejos

sobre o rebostejos

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam,

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua.

O Céu
    Muitos anos atrás ouvi o grande Marcelo Nova, vocalista do Camisa de Vênus, dizer que odiava Imagine, do John Lennon. O roqueiro baiano reclamava que a música não era condizente com o perfil transgressor do roqueiro inglês, e que era usada para pasteurizar a imagem de um artista que atuou firmemente contra o establishement tanto em sua obra quanto em suas atitudes. “John não era bonzinho, era um porra louca contestador, mas a sociedade quer que pensemos nele apenas como o cara que dizia para vivermos como cordeirinhos em paz” – foi mais ou menos o que disse o Marceleza, invocado por tentarem retirar de Lennon o papel de herói da classe trabalhadora. Na época dei razão ao Marcelo. Lennon foi considerado inimigo público pelo FBI graças à sua militância contra a Guerra do Vietnã. Deu declarações impactantes, posicionou-se sempre de forma contundente, criou músicas que subvertiam os padrões. Nunca foi um acomodado que simplesmente esperava viver de sonhos. Pensava então que Imagine era ruim para o legado de Lennon até que vi Só O Céu Como Testemunha, documentário na Netflix que mostra justamente as gravações do álbum que tem essa música como título e carro chefe. Com belíssimas cenas de bastidores, o filme lança luz não apenas sobre a criação da obra artística, mas também sobre a relação entre John e Yoko. Quem conhece um pouco da história dos Beatles sabe que havia muita injustiça em dizer que Yoko Ono foi a causadora do fim do quarteto. As tensões entre aquelas mentes tão poderosas já existiam antes da entrada da artista japonesa. A relação dela com John foi mais um ingrediente num caldo que já estava prestes a entornar. O documentário mostra que Yoko não era apenas uma figura exótica, mas sim uma artista plena, convicta de suas ideias. Por xenofobia e por machismo muitas vezes ela foi retratada como uma figura ruim, mas o próprio John admite que Imagine não existiria sem a influência de sua companheira. E não há nada mais contestador hoje do que Imagine. Nesses dias realmente estranhos os nazistas estão saindo debaixo das escadas. Os ditos neoconservadores invocam despudoramente símbolos e frases fascistas para adotar posições cada vez mais sectárias e retrógradas, e cresce o número de pessoas que assumem descaradamente seus preconceitos a fim de justificar e garantir seus privilégios. Ao mesmo tempo, teorias da conspiração ridículas são veiculadas incessantemente, com fim de propagar medo e ódio. É contra essa pregação do individualismo egoísta, da religião opressora, do nacionalismo tacanho, da brutalidade e da violência como o normal a ser conservado que a candura e a simplicidade de Imagine batem de frente. Sua força vem da sua beleza e coragem em se contrapor tal como a flor que enfrenta a espada. O documentário Só O Céu Como Testemunha pode ser acusado de ser um tanto chapa branca, já que só vemos o lado bacana dos trabalhos e dos envolvidos, mas é fundamental para quem gosta de John Lennon e de Imagine. Não sei se o Marcelo Nova mudou sua opinião sobre a música, mas eu fiz as pazes com ela. E eu não sou o único.   ***   Em menos de 24 horas perdi dois amigos queridos. José Carlos Peloia foi um verdadeiro mestre, guerreiro de fala mansa e sorriso largo, um irmão mais velho. Paulo Bicarato foi companheiro de muitos cafés no balcão da padaria e de inúmeras cervejas na calçada do boteco. Esse blog existe muito por causa dele, o pai do Alfarrabio, um dos meus poucos leitores. Apesar das grandes diferenças entre eles, tinham em comum a candura no trato com os demais. Nesse mundo tão brutal, farão muita falta. O Céu, por sua vez, ficará ainda melhor.    

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.