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O automóvel
    Ele saiu da sala de sua casa, fechou a porta, e enquanto virava a chave derrubou todos os cadernos e folhas que equilibrava na outra mão. Foi quando começou a catar os papéis espalhados pelo piso que se deu conta que havia algo estranho em sua garagem: estacionada no lugar do seu carro estava uma Ferrari F40 vermelha reluzente - linda, imponente, magnífica. Era o automóvel dos seus sonhos, impossível de ser adquirido com seu salário de professor. Por algum tempo ficou admirando sem compreender como aquele carro apareceu ali. Tentou se lembrar de algum concurso em que tivesse se inscrito e chegou até imaginar que ainda estivesse dormindo, quando então percebeu que tinha alguém sentado no banco do motorista. Dirigiu-se até o carro vagarosamente, ressabiado, e quando tomou coragem de abrir a porta do carona teve outra surpresa: dentro da Ferrari estava sentada uma mulher magnifíca, imponente, linda em um vestido preto reluzente, que sorriu e pediu para que ele entrasse. Hipnotizado, ele sentou no banco e ouviu aquela mulher cumprimentá-lo: - Olá, professor, sua hora chegou! - Quem é você? O que você está fazendo aqui? Por quê este carro está na minha garagem? Que perfume esquisito é esse que você está usando? A pergunta sobre o perfume pode parecer estranha, mas era pertinente: o cheiro não combinava com aquela mulher exuberante. Todavia, mais perturbadora foi a resposta: - Professor, eu sou a Morte, e hoje eu vim te buscar. O professor ficou paralisado. Chegou a imaginar que aquilo tudo fosse uma armação, uma pegadinha, mas a voz calma e firme daquela mulher não dava sinal algum de aquilo fosse uma brincadeira. Ainda assim ele relutou: - Não, isso não pode estar acontecendo, você não pode ser a Morte! - Por quê? Deveria estar com o aspecto de uma caveira envolta em uma túnica preta, segurando uma foice? Isso é muito medieval, não acha? Já me basta esse enxofre de que não consigo me livrar! Estava explicado o cheiro. Mas o professor ainda estava cheio de dúvidas. - Como posso morrer agora? Já é minha hora? Poxa, eu deveria ter trabalhado menos, ter passado mais tempo com meus amigos, ter viajado mais... - E ter dado mais atenção a quem merecia! Hoje é aniversário da Raquel, por exemplo, e você nem ligou pra ela. Aliás, você nunca disse o quanto realmente a amava, o quanto ela foi importante para você, o quanto ela te faz falta... É uma pena, ela merecia saber disso. - Raquel... - suspirou ele - Deixe-me pelo menos falar com ela, fazer uma ligação... - Não há como, querido, você teve todas as chances mas deixou que ela escapasse. A vida toda você brincou com sua fama de desastrado, mas o seu maior mal foi não ter tido cuidado com as pessoas que estavam ao seu lado. Aquelas palavras doeram, mas o professor tentou se revoltar: - E se eu me recusar a ir com você? - Querido, você não está entendendo... agora não há mais como voltar... - Como assim? Você quer dizer que... eu já... - Não foi uma boa ideia levar aquele seu barbeador elétrico ligado na tomada para o box do banheiro... - Putz! - Putz mesmo! Ainda mais quando perceberem o quê você estava barbeando... O professor silenciou. Fechou os olhos, esperou que a vida passasse em flashback, mas decepcionou-se ao não ver nada realmente interessante. Lamentou-se por algumas coisas que fez e por muitas outras que deixou de fazer, mas pensou que havia ainda algo que poderia alegrá-lo: - Bom, já que não há mais jeito, deixe-me então realizar o meu grande sonho de dirigir a Ferrari até o meu destino final. A mulher olhou com desdém, jogou o cabelo para o lado e respondeu sarcasticamente: - Deixar VOCÊ dirigir a minha Ferrari? Nem morta...  

2 thoughts on “O automóvel

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