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O homem que flutuava
    Era de manhã, o céu estava cinza e sol escondia-se atrás das nuvens. Apesar disso, o calor incomum causava-lhe um desconforto que a sua correria apenas agravava. Ele estava atrasado - como quase sempre - e mais uma vez iria se justificar culpando a própria vida, que passa rápido demais para quem não tem todo tempo do mundo. Ele estava tão convencido de sua própria desculpa que nem pensava nisso enquanto desviava das pessoas que seguiam o dia em seu ritmo normal. Passou pela mulher de vestido verde, pulou um buraco cheio de água e não viu que o homem de terno escuro lhe fez um aceno. Ao chegar na esquina não esperou o semáforo fechar e aventurou-se pela avenida, atravessando em meio a veículos cujos ocupantes não disseram coisas bonitas a seu respeito. Chegou ao outro lado e continuou correndo pela calçada, sem perceber que seus pés não tocavam mais o chão. Seus passos o levavam cada vez mais para o alto, e de repente ele se deu conta que não havia mais por que ter pressa. O coração que a poucos segundos estava disparado começou a bater cada vez mais devagar, e uma sensação de leveza tomou-lhe o corpo, como se, de repente, todo o peso tivesse deixado de existir. Olhou para o prédio que até segundos atrás buscava alcançar e deu um leve sorriso de desprezo. Abriu os braços e lentamente foi ganhando altura até o ponto em que via a cidade como se estivesse em uma roda-gigante. Começou então a mover-se sobre as ruas e construções. As pessoas, alheias ao homem que flutuava, continuavam seus afazeres: a senhora de cabelos brancos aparava a roseira; o idoso observava a rua sentado na pedra defronte a casa; o homem de óculos com lentes grossas lia o jornal na porta do bar. Ele pensou em chamá-los, quis dividir aquele momento, mas decidiu que deveria rumar para o oeste. Em instantes estava longe. Viajava tomado por uma tranquilidade que contrastava com o absurdo daquele momento. Parecia que sempre tinha esperado por aquilo, que irreal tinha sido a sua vida anterior e não aquela em que podia voar sobre fábricas e fazendas. As nuvens agora estavam próximas, prenunciando uma tempestade, mas o calor já não mais incomodava. Imaginou como seria ver o mar, mas manteve-se firme na sua disposição de ir para o interior até que chegou na cidade de poucas ruas e vida pacata, aonde sabia que iria encontrá-la mesmo sem nunca ter estado ali antes. Desceu lentamente no quintal e pela janela de um dos quartos a viu, exatamente como se lembrava: alta, magra, com cabelos cacheados na altura dos ombros e de olhos castanhos como a tempestade que agora estava por começar. Ao seu lado estava uma criança, uma menina de poucos anos que compartilhava da beleza daquela mulher. Ele ficou olhando aquela cena, imaginando como tudo poderia ter sido diferente, enquanto sentia a chuva tornar-se cada vez mais forte. Sentiu-se triste por não poder fazer parte daquele mundo, mas ambas estavam claramente felizes, o que acabou por fazê-lo sorrir. O coração voltou a acelerar quando decidiu que deveria seguir em frente, então fechou os olhos, respirou fundo e quando os abriu novamente estava de volta ao seu ponto de partida, no chão, cercado por várias pessoas que o olhavam assustadas. Na sua boca  sentiu o gosto amargo de sangue, no seu corpo as dores eram intensas, e sua cabeça foi tomada por uma sensação de torpor e confusão enquanto um motorista jurava a todos não ter culpa. Levantou-se com dificuldade, ouviu alguém falar em milagre, juntou suas coisas que estavam caídas e saiu antes que o auxílio chegasse. Naquele dia prometeu a si mesmo nunca mais voltar deixar o tempo passar em vão.    

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