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O sinal
    A mulher levanta da cama e enrola a toalha pelo corpo, o que faz Jorge achar graça nesse gesto de pudor tardio. Enquanto ela se dirige ao banheiro o celular começa a vibrar em meio às roupas caídas no chão. Ele hesita um pouco, mas decide verificar quem está chamando. - Nossa! É a sexta ligação da minha casa, Norma. Acho melhor atender para não dar suspeita. A mulher no banheiro dá de ombros, fingindo não se importar. - Alô? - GRAÇAS A DEUS! VIRGEM MARIA! GRAÇAS A DEUS VOCÊ ESTÁ VIVO! AH, MEU DEUS, ACHEI QUE VOCÊ TINHA MORRIDO! - grita a esposa de Jorge, completamente descontrolada no outro lado da chamada  - Você está bem? Está ferido? - Que é isso, Ritinha? Se acalme! O que houve? - O prédio, Jorge, você estava dentro do prédio! Eu achei que você tinha morrido, meu Deus! - Que prédio, mulher? Do que você está falando? - O prédio caiu, Jorge, eu tô vendo na TV! O prédio do escritório tá todinho no chão! Aonde você está? Você não estava em uma reunião? - Sim, sim, é claro! Eu estou... que dizer... estava numa reunião... eu te avisei... - Enquanto ele tenta dar um jeito na situação, Jorge gesticula freneticamente para a mulher que está parada na porta sem entender o que se passa. "Ligue a tv", sussurra, enquanto tampa o telefone com mãos. Ela liga a televisão e na tela primeiro aparece uma voluptuosa loira de biquini abrindo a porta para um entregador de pizza. Norma então começa a trocar os canais até surgir a imagem do destroços do edifício aonde trabalhavam. "Putamerda!!!", exclamam ao mesmo tempo, enquanto a voz de Ritinha continua ser ouvida através do telefone. Jorge olha para o celular e desliga chamada. Ele precisa de um tempo para pensar, para entender o que está acontecendo.  Em poucos segundos, todavia, o aparelho volta a vibrar. Ele respira fundo, conta até três e atende: - Querida, a ligação tá ruim, o sinal tá fraco, tá tudo muito confuso. Os clientes avisaram que iriam se atrasar e eu desci para tomar um café na avenida, encontrei o Fernando e ficamos batendo papo. Eu bem que escutei um barulho, mas não sabia o que era - ele fala e procura as roupas pelo chão do quarto ao mesmo tempo. - Graças a Deus! Mas e a Norma, Jorge? - O que tem a Norma? E eu lá sei da Norma? Eu não sei da Norma... - O marido dela ligou desesperado aqui em casa, Jorge! Ele falou que ela ia ficar até mais tarde no escritório também! - Ah, o marido dela ligou, é? - disse Jorge, olhando para a parceira que está de olhos arregalados -  ela... ela... ah, ela disse que precisava resolver umas coisas, comprar um presente pra ele... Isso! Ela deve ter ido ao shopping pra preparar uma surpresa pra ele, sei lá... - Que bom Jorge, que bom! Eu estou saindo de casa e estou indo... - Não, não venha! Eu estou indo pra casa! As coisas estão ficando tumultuadas na região! Estão chegando a polícia, os bombeiros, escuta só: UÓUÓUÓUÓUÓUÓU... Vou pegar o carro no estacionamento, o trânsito está horrível e acho que vou demorar um pouco, mas eu chego aí -  disse antes de encerrar a ligação. Eles terminam de se vestir e saem apressadamente. Jorge leva Norma para o shopping, dá dinheiro para ela comprar um presente para o marido e para pegar um táxi, e vai para casa. *** No dia seguinte Jorge se encontra com Fernando,  seu costumeiro álibi, que fica espantado com a história de seu velho amigo: - Que coisa, cara! O prédio caiu, mas você deu muita sorte! O escritório estava no seguro, você não perdeu muita coisa lá, mas se sua mulher fosse um pouquinho mais desconfiada seu prejuízo teria sido imenso... E o marido da Norma? Ele não estranhou dela não atender o celular? - Ela disse que esqueceu o telefone no prédio, e que por isso ele foi destruído. Vou ter que comprar um aparelho novo pra ela. - Bom, espero que você tenha consciência do que houve e repense o seu modo de vida a partir de agora. - Com certeza, amigo. Isso tudo foi um verdadeiro sinal! Um sinal de que tenho que encarar as coisas de outro jeito! - Que bom que você vai sossegar agora! - Sossegar? Você está louco! Agora é que eu vou desbundar mesmo! Você não percebeu? Se eu tivesse feito tudo certinho, se eu realmente estivesse trabalhando até tarde, eu teria morrido...

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