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A Comissão
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A luz que vinha das amplas janelas não era capaz de aquecer o recinto, grande demais para o evento. Apenas quatro pessoas estavam no antigo salão: três sentadas atrás de uma mesa de madeira, e o autor do texto, que aguardava de pé a demorada leitura dos documentos. Já fazia algum tempo que os únicos sons na sala eram de papéis remexidos e do relógio de parede, adiantado em cinco minutos. O Homem de Gravata Borboleta então levantou a vista e começou o interrogatório: - Sr. Bacaro... - É Baccaro - corrigiu a pronúncia, dando ênfase à tonalidade da primeira sílaba. - Se fosse proparoxítona teria acento, mas não vejo nenhum - retrucou o Homem de Gravata Borboleta sem olhar para o interlocutor. - É um nome italiano, e na Itália quando essas consoantes dobradas... - Sr. Wagner - interrompeu bruscamente a Mulher de Óculos Redondos – vamos direto ao assunto: o senhor quer fazer o favor de nos explicar aonde queria chegar com isso? A hostilidade estava finalmente escancarada. - Isso aí é uma piada que eu vou encaminharaos meus amigos, por email, só isso. - Uma piada? - perguntou o Homem de Gravata Borboleta? - Sim, uma piada - disse o autor, já nervoso. É que tem um contexto... -Hmmm, Uma piada que precisa ser explicada... - disse com cara de desdém a Mulher de Óculos Redondos, interrompendo novamente. O interrogado continuou: - É que em 2010 eu levei a minha família para passar o final de ano com meus colegas em Franca. Acontece que agora a minha esposa está grávida, então escrevi esse email para dizer a eles que não iria pra lá novamente porque eu não quero correr o risco da minha filha nascer francana. - Isso é um absurdo! - a mulher ficou de pé para falar - Isso é completamente discriminatório, ofensivo e ultrajante! - Como? É só uma provocaçãozinha... - O senhor tem noção de como ofende as mulheres? Quer dizer então que é o marido, o machão, quem determina aonde a família pode ou não pode ir nas férias? Quer dizer então que a mulher grávida é uma incapaz, que não pode fazer aquilo que outras mulheres não-grávidas fazem? - A Mulher de Óculos Redondos quase espumava, e precisou ser contida pelos Homem de Gravata Borboleta, que acrescentou: - A piada faz referência ao final de ano, que é quando comemoramos as festas natalinas e a confraternização universal. O senhor com essa chamada “piada” está ofendendo o espírito cristão da fraternidade e da indulgência que deve vigorar nesses dias! - Mas não é nada disso – disse o perplexo autor - eu nem pensei... - Diga-me uma coisa, senhor Zácaro - questionou o Homem de Bigode Ralo, que até então mantivera-se quieto - Esse seus amigos têm filhos? - É Baccaro, e sim, eles têm filhos maravilhosos. Por um milagre todas as crianças saíram como as respectivas mães. -Sr. Ácaro – continuou o inquisidor - o senhor não tem vergonha de fazer uma brincadeira de tão baixo nível com os infantes? - Mas meus amigos não iriam levar a sério! Já estão acostumados a essetipo de brincadeira, ninguém liga! E é BACCARO, com "bê" de bola! O Homem de Gravata Borboleta então foi incisivo: - O senhor tem que entender que o mundo atual não tolera mais essas gracinhas, Sr.Bacabo. Acabou o tempo da piada politicamente incorreta. Isso que o senhor fez pode dar cadeia! Ou o senhor faz as correções ou enviaremos os documentos às autoridades competentes! - Não, não, a piada nem era tão boa assim! - disse o autor. Quer saber, me devolvam isso pois não vou mandar mais nada. O autor pegou suas coisas e antes de sair questionou a comissão: - Os senhores perceberam que criaram um monte de problemas absurdos na piada, mas não disseram nada sobre os francanos, que são justamente aqueles que eu queria sacanear? - Ora, Sr. Baccaro - respondeu o Homem de Bigode Ralo, agora acertando a pronúncia do nome do autor - Os francanos são muito escrotos, não dá pra defender, né?  

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