jun 212021
 

 

 

Eu sei, é estranho escrever obituário com agá, mas não diga que é errado. Certa vez eu disse em tom de deboche para o meu amigo que seu nome, Hailton, deveria ser sem o agá e ele se ofendeu, achou que eu estava caçoando dos pais dele, que são pessoas simples. Eu pedi desculpas, ele compreendeu, a vida seguiu.

Seguiu até o último dia 16, quando ele se foi.

Não me lembro da primeira vez que conversamos, mas certamente foi início de março de 1994, quando começou o ano letivo da UNESP. Éramos um bando de jovens saídos de vários lugares que foram estudar em Franca, e eu não tinha ouvido falar de Monte Aprazível até que conheci dois dos filhos daquela terra: Sérgio, que é alto, virou “Montão”; e o Hailton, que era baixo, ficou “Montinho”. Assim foi até que aprendêssemos os nomes de todos, e que outros apelidos fossem dados ao colega – Porpeta, Barney, Peppa, etc.

 

De pé: Zaupa e Alessandro;  sentados: Igor, Hailton, Helton, Fernando; cansados: Orlins e Adauto

 

Já nos primeiros dias de convivência ele demonstrou possuir um gosto bem peculiar para piadas ruins e trocadilhos ainda piores. Era tão característico isso que toda vez alguém dizia algo de humor duvidoso acrescentava um “essa é pra você, Hailton!”, o que servia como agrado ao amigo e pedido de desculpas aos demais.

Outra característica marcante era sua paciência curta. Hailton não levava desaforo para a república. O tal do Xava, um veterano que dava trotes que passavam dos limites, até hoje deve ter calafrios ao se lembrar da vez em que o baixinho não só rechaçou uma brincadeira sem graça mas ainda lhe passou a mão dizendo que “iria comer aquele bundão”. Mais que um desaforo, aquilo foi uma ameaça que o veterano não quis pagar para ver.

 

Hailton e a Saudosa Maloca (de pé: Alessandro, Hailton, Wagner e Helton; fazendo marra: Tomás)

 

A pouca paciência e o jeito resmungão me fazem lembrar do Hailton toda vez que vejo o George Constanza na TV. E assim como esse personagem da série Seinfeld, meu amigo cometia suas presepadas.

Certa vez, na ânsia de colar numa prova, ele foi tão afoito que copiou tudo da colega que sentava à sua frente – inclusive o nome dela. Em outra oportunidade, tirou cara e coroa com um colega para saber quem continuaria a paquerar a moça que estava sentada entre eles no bar. Hailton ganhou na moeda, mas perdeu na cantada, e o colega acabou ficando com a garota (e depois namorou, casou, teve filha e estão juntos até hoje).

Acostumado ao calor da região de São José do Rio Preto, Hailton sofria com os dias frios que às vezes fazia em Franca. Isso não justifica, porém, ele ter colocado fogo na casa em que morava com o Leandro ao improvisar um “aquecedor” com uma lata com querosene no banheiro.

 

Atletas em repouso – Hailton, Helton, Wagner e Aureo

 

Um dia fomos para a estrada tentar carona até São Paulo, oportunidade em que o Hailton teve muito do que resmungar. O sol estava inclemente e ninguém parava para aqueles dois estudantes no acostamento. A salvação veio de um caminhoneiro, já no final da tarde, mas o alívio durou pouco. O trabalhador estava cansado e dormiu no volante, e quando percebemos a sua cabeça tombando demos um berro para acordá-lo. O motorista nem se assustou e disse tranquilamente: “calma, gente, eu já estou acostumado!”.

Saber que o caminhoneiro estava acostumado a dormir no volante obviamente não nos deixou mais calmos, mas adotamos aquela frase como um bordão para cada vez que cometíamos uma burrada:

– Cara, você esqueceu em casa o trabalho que é para entregar hoje?

– Calma, gente, eu já estou acostumado…

Existe muito mais para ser dito sobre o Hailton, e muitas outras histórias poderiam ser mencionadas, como as piadas com a careca do Helton, a foto do João, a predileção por Heineken, o quase swing, o socorro ao Dumbo contra o livreiro corno, entre outras. Minha cabeça não é tão boa para lembrar de tudo, e rememorar (e aumentar e modificar) nossas histórias é parte do ritual do nosso grupo todas as vezes quando nos encontramos, então é melhor deixar algumas coisas em aberto.

 

Hailton, Aureo, Júnior e Wagner

 

Mesmo depois de 20 anos de formados, nossa turma (“Os Escrotos”) não perdeu o contato e mantém conversas praticamente diárias, primeiro graças a uma lista pela qual mandávamos e-mails abertos a todos, agora através grupo do Whatsapp. O falecimento do Hailton foi a primeira perda que tivemos, e como disse o Cardoso, foi o momento mais triste que vivenciamos em conjunto desde que nos conhecemos.

Eu comecei o texto falando da minha implicância com a grafia do nome do meu amigo, e todas as vezes que escrevi Hailton o corretor do Word sublinhou em vermelho, como se eu estivesse escrevendo errado. Talvez não seja mesmo certo usar o bendito agá, mas errado de verdade é alguém morrer tão cedo, vítima de uma pandemia que saiu do controle graças à inépcia e à maldade do nosso presidente e daqueles que o cercam. Já são 500.000 erros, e não sabemos até quando isso continuará.

Hailton, pegue leve nas piadas com São Pedro. Nós aqui vamos preparar uma homenagem para você no próximo encontro – um campeonato de buraco, o tresmilzinho, o que acha?

Fique em paz, meu amigo. Já sentimos sua falta.

 

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maio 182021
 

 

 

“E aí, carinha?”

Não sei se você ainda falava desse jeito. Faz bastante tempo que não conversávamos, a vida nos distanciou nesses últimos anos. A separação física nem era tanta assim, estávamos mais ou menos perto um do outro, mas o cotidiano, os afazeres, os interesses e tudo o mais que envolve ser “adulto” cria barreiras.

Barreiras que se tornam um nada num instante.

É num instante que estou de volta ao ônibus, indo para Comevalp em Cachoeira Paulista contigo. Ou num cinema lotado em São José, com gente sentada no corredor para assistir Ghost. Ou numa mesinha do Gordo, com meu primeiro copo de chopp na mão.

Tem uns trinta anos isso tudo, é? Parece que passou tão de repente!

Tudo passa rápido demais. Como a doença, que chegou e te levou tão cedo.

Posso te confessar uma coisa, meu amigo? O que estudamos juntos na doutrina espírita conforta e esclarece, mas está difícil tirar do meu peito a indignação. Eu estou muito puto por não poder ir abraçar nossos outros amigos em sua despedida, estou puto porque já deveríamos estar vacinados, estou puto porque sei que você se cuidava mas tem muita gente aglomerando, e estou muito puto porque a pandemia saiu de controle por inércia do mais incompetente, idiota e sádico presidente que o país poderia ter.

Me perdoe então por não ir ao teu velório, mas tenha certeza que rezar por você, pela Shirlei, por seus filhos, por nossos amigos todos de Mocidade. Vou rezar pelos meus outros amigos que estão internados. Vou rezar por aqueles que ainda ficarão doentes. E vou rezar muito para que a indignação se multiplique e ganhe força.

Até um dia, meu amigo Will.

ago 172020
 

 

 

 

Já havia se passado cinco minutos desde o último contato, mas ele estava tranquilo. Graças a experiências anteriores, aprendeu que não deveria criar grandes expectativas, por isso escolheu estrategicamente a mesa daquele restaurante não mais que mediano: era discreto o suficiente para passar desapercebido, barato o bastante caso o encontro não valesse a pena.

Quando ela chegou, concluiu que fez escolhas sábias. Não que ela fosse feia, mas estava longe de ser aquela mulher do aplicativo. “Todo mundo mente nas fotos”, pensou enquanto sorria.

“Não se parece muito com o que está no Tinder”, foi o que ela pensou ao ver o homem. Seu atraso foi intencional. Não queria correr o risco de chegar e não encontrar ninguém, por isso esperou no carro por cinco minutos depois que ele confirmou já estar sentado no canto dos fundos do restaurante. Ao se aproximar, estranhou o tom chamativo da gravata que ele usava, que destoava de um certo glamour que a havia impressionado na rede social. “Será que ele usa fotos de outra pessoa?”

Depois que se cumprimentaram sem muito jeito, passaram a tentar se conhecer melhor. Ela disse que gostou do ambiente, o que era uma meia verdade, e ele contou que ia sempre naquele restaurante por gostar muito da comida, o que era uma mentira completa. Ela falou do calor, ele disse que mais tarde choveria, ela complementou sobre a previsão para os próximos dias. Aos poucos começaram a tratar sobre coisas mais pessoais e diretas, mas ela se interessou de verdade pela conversa ao saber que ele era médico.

– Cirurgião plástico? Jura? Que bacana!

Ela lembrou então das fotos do perfil dele, todas em lugares chiques, e pensou que poderiam ser verdadeiras apesar de antigas. Os sorrisos se tornaram mais frequentes, até que uma pergunta veio como tapa:

– Vejo que você já foi muito bonita. Nunca pensou em fazer umas intervenções para resgatar a antiga forma?

Ela engasgou com a bebida, o que evitou que um palavrão fosse dado em resposta. Saiu apenas um “poxa!”, tanto indignado quanto surpreso, mas ele continuou:

– Desculpe, eu sou um tanto direto mesmo, é que você ficaria ainda mais bonita do que está com alguns procedimentos simples…

– Mais bonita do que “estou”?

– Sim, veja, não quero te ofender, mas o tempo passa para todo mundo, né? Você tem quantos anos mesmo, 40? – Tinha 43, mas no cadastro do aplicativo constava 39. – Então, não é nada demais pensar em se cuidar. Por exemplo, uma mastopexia deixaria você ainda mais bela e confiante.

Ela não sabia o que era mastopexia, mas como ele usou as mãos em frente ao próprio peito para simular levantamento de seios, nem precisou perguntar. Sentiu vergonha de estar com o decote tão à mostra, justo esta que era uma de suas armas de sedução que mais valorizava.

– Escuta, isso é coisa se diga para uma mulher no primeiro encontro? Quem você está pensando que é?

Ao contrário do que ela havia imaginado, ele não se achava alguém bonito o suficiente para tecer críticas à aparência dos outros. Pelo contrário, sabia que estava longe de ser alguém que, sem a ajuda de fotografias em ambientes chamativos e estrategicamente selecionados, seria capaz de conseguir um encontro com alguém minimamente interessante.

Porém, mais do que encontrar um grande amor, ele imaginou que os aplicativos de paquera poderiam servir para conseguir novas pacientes. As coisas estavam difíceis, ele não era um médico tão bom, então achou que seria uma ótima ideia explorar o segmento de mulheres de meia idade solteiras e eventualmente inseguras com a própria aparência. Ou aquelas que, ao menos, dessem chance para que ele suscitasse tal insegurança.

Ela aceitou o pedido de desculpas e as explicações que ele deu. Continuava um tanto indignada – e isso iria demorar a passar – mas já tinha tido desilusões demais para se revoltar alguém já no primeiro encontro. Ainda mais se esse alguém fosse um médico aparentemente rico.

Viver um grande amor também não era o que ela procurava na internet. Ficar com alguém legal, minimamente bonito, e que lhe desse conforto já era o suficiente. Se este alguém pudesse fazer umas cirurgias plásticas e a deixar mais bonita, que mal haveria?

Depois daquele primeiro encontro estranho vieram outros. E vieram também três aplicações de botox, uma lipoescultura e um procedimento de lifiting de mama. O relacionamento durou até que o segundo cheque dado por ela voltou sem fundos.

Ele deixou de achar que era uma boa ideia procurar por pacientes no Tinder, e ainda hoje tenta receber pelos serviços que prestou. Ela, por sua vez, passou a abusar mais dos decotes e voltou a usar o aplicativo para encontrar advogado que a defenda no processo de cobrança.

 

 

jun 042020
 

 

 

Muitos anos atrás ouvi o grande Marcelo Nova, vocalista do Camisa de Vênus, dizer que odiava Imagine, do John Lennon. O roqueiro baiano reclamava que a música não era condizente com o perfil transgressor do roqueiro inglês, e que era usada para pasteurizar a imagem de um artista que atuou firmemente contra o establishement tanto em sua obra quanto em suas atitudes. “John não era bonzinho, era um porra louca contestador, mas a sociedade quer que pensemos nele apenas como o cara que dizia para vivermos como cordeirinhos em paz” – foi mais ou menos o que disse o Marceleza, invocado por tentarem retirar de Lennon o papel de herói da classe trabalhadora.

Na época dei razão ao Marcelo. Lennon foi considerado inimigo público pelo FBI graças à sua militância contra a Guerra do Vietnã. Deu declarações impactantes, posicionou-se sempre de forma contundente, criou músicas que subvertiam os padrões. Nunca foi um acomodado que simplesmente esperava viver de sonhos.

Pensava então que Imagine era ruim para o legado de Lennon até que vi Só O Céu Como Testemunha, documentário na Netflix que mostra justamente as gravações do álbum que tem essa música como título e carro chefe. Com belíssimas cenas de bastidores, o filme lança luz não apenas sobre a criação da obra artística, mas também sobre a relação entre John e Yoko.

Quem conhece um pouco da história dos Beatles sabe que havia muita injustiça em dizer que Yoko Ono foi a causadora do fim do quarteto. As tensões entre aquelas mentes tão poderosas já existiam antes da entrada da artista japonesa. A relação dela com John foi mais um ingrediente num caldo que já estava prestes a entornar.

O documentário mostra que Yoko não era apenas uma figura exótica, mas sim uma artista plena, convicta de suas ideias. Por xenofobia e por machismo muitas vezes ela foi retratada como uma figura ruim, mas o próprio John admite que Imagine não existiria sem a influência de sua companheira.

E não há nada mais contestador hoje do que Imagine.

Nesses dias realmente estranhos os nazistas estão saindo debaixo das escadas. Os ditos neoconservadores invocam despudoramente símbolos e frases fascistas para adotar posições cada vez mais sectárias e retrógradas, e cresce o número de pessoas que assumem descaradamente seus preconceitos a fim de justificar e garantir seus privilégios. Ao mesmo tempo, teorias da conspiração ridículas são veiculadas incessantemente, com fim de propagar medo e ódio.

É contra essa pregação do individualismo egoísta, da religião opressora, do nacionalismo tacanho, da brutalidade e da violência como o normal a ser conservado que a candura e a simplicidade de Imagine batem de frente. Sua força vem da sua beleza e coragem em se contrapor tal como a flor que enfrenta a espada.

O documentário Só O Céu Como Testemunha pode ser acusado de ser um tanto chapa branca, já que só vemos o lado bacana dos trabalhos e dos envolvidos, mas é fundamental para quem gosta de John Lennon e de Imagine. Não sei se o Marcelo Nova mudou sua opinião sobre a música, mas eu fiz as pazes com ela. E eu não sou o único.

 

***

 

Em menos de 24 horas perdi dois amigos queridos.

José Carlos Peloia foi um verdadeiro mestre, guerreiro de fala mansa e sorriso largo, um irmão mais velho.

Paulo Bicarato foi companheiro de muitos cafés no balcão da padaria e de inúmeras cervejas na calçada do boteco. Esse blog existe muito por causa dele, o pai do Alfarrabio, um dos meus poucos leitores.

Apesar das grandes diferenças entre eles, tinham em comum a candura no trato com os demais. Nesse mundo tão brutal, farão muita falta. O Céu, por sua vez, ficará ainda melhor.

 

 

maio 112020
 

 

 

No final de 2006 o Brasil vivia a crise do “apagão aéreo”, que foi o colapso do sistema de transporte aeroviário no país. Equipamentos falhavam, voos atrasavam, aeroportos lotavam. Um dos muitos episódios de falência estrutural que fazem parte do cotidiano do brasileiro e que só virou escândalo à época porque atingia a classe média.

Numa sexta-feira qualquer daquela crise, eu estava no aeroporto do Galeão, aguardando para embarcar de volta para São Paulo, entre centenas de milhares de pessoas que lotavam o saguão de espera. Eu tinha ido à trabalho ao Rio, e se terno e gravata já não combinam bem com a Cidade Maravilhosa, a vestimenta ainda ficava pior num ambiente no qual o ar condicionado não conseguia dar conta da sua missão. Os famosos que frequentam a ponte aérea suavam tanto quanto os anônimos, todos em igual situação de desconforto.

Havia um indivíduo, porém, mais inquieto que os demais. Vestido de calças e jaqueta jeans, óculos escuros e com um violão nas costas (por que ele não despachou aquilo com as bagagens?), a figura se portava como se estivesse no palco do Gugu, e talvez fosse para lá que ele estivesse indo mesmo. Era do Dado Dolabella, ator/cantor que surgiu na Malhação, fez algum sucesso na Globo, mas que depois começou a decair até se tornar mais famoso pelas notícias policiais do que pela sua música.

Pensando melhor, acho que ele nunca foi famoso pela música.

No meio do saguão, Dado se movimentava como se estivesse numa sessão de fotos, ao tempo que parecia incomodado por ninguém lhe pedir um autógrafo. Andava um pouco e parava fazendo pose, claramente querendo chamar atenção, mas ninguém lhe dava bola, o que fazia que ele ficasse ainda mais irrequieto.

Formou-se a fila de embarque – que até não demorou tanto, tenho que admitir – e lá estava ele, pronto para embarcar no mesmo voo que eu. E, como não poderia deixar de ser, o figura sentou-se na mesma fileira de poltronas que eu sentei, apenas o corredor nos separava. Pior que isso só se estivéssemos indo de Cometa para Franca.

Eu percebi que quando ele entrou fez um gesto de cumprimento para alguém, mas não foi possível ver quem estava na janela, também na nossa fileira.

Durante o percurso o artista continuou inquieto. Contorcia-se na poltrona e chamava a comissária. Chamava a comissária e levantava. Levantava e contorcia-se. Achava que brilhava, e parece que estava cheio de brilho mesmo.

Quando desembarcamos pude ver que a pessoa que ele cumprimentou era a atriz Regina Duarte. Pensei comigo como eram discrepantes as atitudes. Ele, que não era ninguém na fila do pão dos artistas, deu um show durante o tempo todo, e ela, que era uma atriz renomada, uma das maiores estrelas da Globo, portou-se de forma discreta, quase imperceptível. A partir de então fiquei com uma boa impressão da Regina Duarte e contava essa história como um testemunho de demonstração de um combate entre a vaidade e a humildade.

Julgamos conhecer as pessoas e criamos juízos de valor sobre elas a partir de fragmentos e concepções que nada têm a ver com a realidade. Hoje, passados quase quinze anos dessa história, me pergunto se o Dado foi tão insuportável naquela tarde mesmo, ou se eu tive essa impressão porque já tinha uma imagem ruim daquele cara. Do mesmo modo, o que me levou a pensar que Regina Duarte seria um exemplo de modéstia se o que ela fez não foi nada além de se portar com um mínimo de educação no voo?

Regina, aliás, demonstrou nesses últimos anos ser uma pessoa ruim, de mau caráter, completamente dissociada da realidade. Está certo que ela já tinha dado sinal disso quando fez a famosa presepada do “eu tenho medo” em 2002, mas acho que eu quis acreditar que aquilo se deu em meio à efervescência eleitoral da época.  Nos últimos tempos, porém, ela revelou ser alienada ao declarar seu apoio ao quadrúpede que exerce a presidência e, ao aceitar um cargo no governo, assumiu a idiotia e a canalhice que foram verbalizadas na já histórica entrevista à CNN Brasil.

Talvez Dado não seja tão cusão quanto eu imagino (tá, duvido que não), assim como Regina não é a boa senhora que eu pensava. O que sei é que não podemos tirar conclusões de episódios únicos ou sobre fatos que mal conhecemos. Alguém que acha que me conhece pelo blog, por exemplo, pode ter a impressão de que eu sou um cara legal, o que não é endossado por quem convive comigo.

Os que me aturam, todavia, têm a tranquilidade de saber que, mesmo que eu sofra um apagão mental, jamais apoiarei a corja que hoje está no poder.

 

 

 

 

 

 

jul 042019
 

OU: DO TEMPO EM QUE EU GANHAVA MILHÕES

 

Meu pai olhava da porta do quarto, com indignação, o filho que ainda estava na cama apesar de já ter passado das 9h da manhã:

– Muita moleza isso aí. Você poderia levantar e sair pra procurar um trabalhinho, que tal?

E assim foi, pois era 1990, eu tinha quase dezesseis anos e até aquele tempo eu não contrariava meu pai. Batemos de frente poucas vezes, na verdade, o que até lamento. Gostaria de ter tido mais tempo com ele para que eventualmente nos estranhássemos mais.

Como não tinha experiência com nada, achei que o mais fácil seria encontrar uma vaga como vendedor. Saí pela cidade e passei por várias lojas, começando pelas maiores: Casas Bahia, Lojas Cem, Ponto Frio, Arapuã. Nas menores procurava por algum anúncio ou por alguém conhecido que pudesse me ajudar.

Na Arapuã eu poderia ter vendido essa máquina de escrever, que custava 61.990,00 à vista ou 151.176,00 à prazo. Uma pechincha!

Não tive sucesso nos primeiros dias. Eu estudava em São Silvestre na época e tinha outros amigos na mesma situação, então decidimos procurar emprego juntos. A estratégia mudou para a busca através de agências, tanto de Jacareí quanto de São José dos Campos. Preenchíamos fichas e éramos informados que entrariam em contato quando surgisse uma possibilidade. Nunca surgiu.

Certo dia o Adriano, um topetudo baixinho que tinha o apelido de Tatu, me perguntou se eu sabia usar máquina de escrever e pediu para ver minha letra, pois havia uma vaga no escritório de contabilidade em que ele trabalhava. Como eu havia feito curso de datilografia na escola Olivetti e tinha uma letra razoável, estava credenciado para fazer uma entrevista com o Fermin, um espanhol muito alto e de vasta cabeleira branca.

O Fermin me contratou mas disse que não era para eu me apegar muito ao escritório, já que ele estava cansado daquela vida e pretendia largar tudo em pouco tempo e ir morar na praia com a Dona Maria, sua esposa. Passados quase trinta anos, creio que ele ainda diz a mesma coisa aos novos funcionários.

O meu trabalho era fazer a escrituração fiscal. Num grande livro eu lançava os dados das notas fiscais dos clientes do escritório, registrando tanto as entradas quanto as saídas de mercadorias. Como no livro não poderia haver rasuras, escrevia com uma caneta tinteiro que usava nanquim diluído e que poderia ser apagado com um pouco de aguarrás. Também preenchia formulários, de muitos tipos e tamanhos, usando papel carbono na máquina de escrever para garantir a exatidão de cada via – mesmo faltando cerca de dez anos para 2001, eram tempos de burocracia analógica. Quando o primeiro computador foi instalado no escritório parecíamos os primatas em volta do monólito.

Eu gostava do Fermin e dos meus colegas de trabalho. Trabalhávamos bastante, mas éramos todos meio moleques naquele tempo – só havia homens no escritório, por exigência da Dona Maria. As guerras de dardos de papel eram inacreditáveis, e as brincadeiras com os office boys às vezes passavam da conta, mas as brigas eram raras e nos dávamos bem.

Além do Adriano Tatu havia o Chico, que é filho do Fermin e trabalha com ele até hoje; o Dito, sempre à espera do pior; o romântico Renato e o Adriano Sacomani, que era um bom amigo cujo contato perdi depois que entrei na faculdade. Muitos caras legais passaram por lá, como o Lázaro, o Gerson, o Luciano, o Droopy e outros. A  rotatividade entre os office boys era grande, principalmente porque o salário não era grande coisa.

     O office boy era a cara do Droopy

Ah, o salário! Os mais jovens não sabem a emoção de receber mais de um milhão por mês! Milhões de cruzeiros, que não valiam nada, e que graças a inflação descomunal perdiam valor a cada dia. O momento de receber era sempre um suspense: a inflação fazia com que o salário tivesse que ser renegociado a cada pagamento. Íamos um a um na sala do Fermin, e a pergunta para quem saía de lá era “E aí, com está o homem hoje? Generoso?”. Nunca estava.

Os milhões que recebíamos não davam para muita coisa. Como eu estudava em escola pública, o dinheiro era gasto com roupas que comprava na Rosvaldo e na Infinity, com HQ’s e nos finais de semana na New Wave e no Banana Split, as danceterias que marcaram nossa época. Quando a grana estava mais curta, íamos à Eclipse e às domingueiras do Elvira, geralmente para nos arrependermos no dia seguinte.

Em julho de 1993 disse para o meu pai queria deixar o escritório, que queria me dedicar aos estudos para a faculdade e ele aceitou sem ressalvas (quando anunciei que precisávamos ter uma conversa séria ele imaginou que seria sobre ser avô, então a notícia não foi tão dramática quanto ele temeu).

Pouco tempo depois, numa sexta-feira, meu pai veio me avisar sobre o fim das inscrições para o vestibular na Unicamp, mas isso é uma outra história.

 

De pé: Renato e Adriano Sacomani Sentados: Luciano e Adriano Tatu

 

Lázaro e eu, em Campos do Jordão

 

maio 202019
 

Como todos sabemos, a expectativa é a mãe de toda decepção.

Centenas de milhares de fãs de GAME OF THRONES estão hoje reclamando do desfecho da série, muito disso porque os anseios sobre os destinos dos personagens não foram atendidos.

Eu estou entre aqueles que viram apenas a história na TV e não têm os livros como referência. Confesso que até comprei as obras, mas não consegui terminar de ler nem a primeira. Não ter os escritos do R.R. Martin como comparação torna mais fácil assimilar o que passou na HBO.

Talvez eu faça parte de uma minoria que gostou do final. Não foi apoteótico, ficou longe de ser excelente, mas foi bom. E, ao contrário do que andam dizendo, creio que houve coerência com os personagens:

(Aqui começam os spoilers.)

Jon Snow – Era um pária entre os Starks, nunca viveu como um Tangaryen. Foi discriminado na Patrulha da Noite e, quando se tornou comandante, foi morto por seus pares. Assumiu o trono de Rei do Norte a contragosto e entregou o reino na primeira chance. Ao final, foi mandado de volta para a Muralha, para ser aquilo que lhe cabia, o líder dos enjeitados.

Sansa –Quando a coroa lhe foi colocada sobre a cabeça suas aspirações juvenis foram realizadas. Mas a rainha que ela se tornou é muito diferente daquela dos contos que a sua cuidadora lhe recitava quando criança. Creio que Sansa foi a personagem mais bem desenvolvida durante toda a série.

Arya – Nunca quis viver em castelos. Não curtiu muito a noite que passou com Podrick  Gendry. Foi ser feliz no oeste.

Bran – O que mais incomoda com sua nomeação ao trono dos Seis Reinos é que o personagem nunca demostrou a grandeza que esperávamos para o cargo. “Mas ele tinha a melhor história”, disse Tyrion. Do lado de cá da tela acho que ninguém pensa assim, por isso é mais difícil imaginar que os grandes lordes tenham concordado com a tese do anão.

Mas é preciso apontar que, num bolão feito antes do começo da última temporada (é, teve isso), eu acertei que Bran acabaria como o senhor de Westeros. Eu achei que isso aconteceria graças às suas qualidades místicas, porém o misticismo da série morreu junto com o Rei da Noite.

Daenarys – Durante toda a série a história dos Tangaryen foi lembrada, mas enquanto se acreditava que ela seria “diferente” ela seguia matando de formas bem cruéis. Quando ela deixou de exterminar apenas quem nós achávamos que deveria morrer, muita gente reclamou que a personagem havia mudado bruscamente.

Ela não mudou. Talvez a série pudesse ter desenvolvido melhor isso, mas como todo déspota, Daenarys forjou um mito. E líderes que se sustentam com mitificações não são boa coisa.

Tyrion – O Vinicius Felix bem colocou em seu twitter (@ViniciusFelix) que o grande vencedor do Jogo dos Tronos foi o “duende”. Embora tenha dado umas fraquejadas durante a temporada, no final ele voltou a se mostrar inteligente e manipulador para cessar a ameaça expansionista de Daenarys e garantir que o trono fosse ocupado por alguém que lhe pouparia a vida.

Como um bom Lannister, ele cumpriu as promessas feitas a Bromm e se colocou como protagonista no novo reinado – embora esquecido pelos livros de história.

Talvez ficasse mais óbvio se Tyrion tivesse dado um sorrisinho durante a reunião dos lordes ou, à la House of Cards, tivesse piscado para o expectador.

***

Faltou um plot twist no final, tipo era tudo um sonho do Bran enquanto ele estava acamado em Winterfell? Ou será que nós, culturalmente criados pelas novelas globais, nos ressentimos da falta de um casamento no último capítulo? Na minha nunca humilde opinião, seis episódios na última temporada foram insuficientes para amarrar todas as pontas. Algumas soluções pareceram apressadas e em certos momentos o roteiro patinou.

O saldo das 8 temporadas, contudo é muito positivo. E acredito que, ao revermos a série daqui a algum tempo, vamos ter melhores impressões sobre esse polêmico final.

Minha conclusão é pobre, simplista? Pelo menos minhas postagens não criam grandes expectativas para ninguém.

 

 

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jan 042019
 

 

 

Mal terminou de soar o apito e todos olharam para o juiz, que apontava para a marca de pênalti dentro da grande área. O lance foi muito claro, não havia nenhuma dúvida sobre o acerto da marcação, por isso o arbitrou estranhou quando o time infrator o cercou e começou a reclamar:

– Que é isso, professor? O que o senhor fez?

– Foi pênalti, todo mundo viu, podem dispersar!

– Mas de onde o senhor tirou essa ideia de que isso é pênalti?

– Das regras do futebol, oras! Está na regra 14!

– Isso é o senhor que está dizendo…

– Que é isso, gente? Mão na bola dentro da área é pênalti, todo mundo sabe.

– O senhor que está interpretando desse jeito.

– Não estou interpretando nada! O cara segurou a bola com as duas mãos!

– Ah, já entendi! O senhor está dizendo isso porque é esquerdista! Bolivariano!

– Como?

– Como? Como-nista, isso é o que o senhor é! Comunista!

– Mas isso não tem nada a ver! É regra do futebol! Além de segurar a bola com as mãos ele ainda jogou pra frente, como se estivesse dando um saque de vôlei!

– Isso o senhor diz porque foi doutrinado! Eu não vi em nenhum lugar isso que o senhor está dizendo aí! Aliás, na internet eu vi um vídeo que falava que pênalti nem existe, foi uma invenção socialista!

– O quê? Que loucura é essa? Está nas regras na International Board! É só ler!

– International, né? Sabia! Globalista que nem a Ursal! E a interpretação do que leu foi feita com base na sua ideologia, professor!

– Vocês estão loucos! Saiam daqui, saiam todos! Só vou falar com o seu capitão!

– O capitão sou eu, mas eu não vou falar nada pois o senhor vai querer debater comigo e eu não gosto disso não. Pode falar com o Paulinho que ele que manja dessas coisas de regras.

– Chega, perdi a paciência! Se vocês não dispersarem, vou expulsar todo mundo – disse o árbitro enquanto puxava o cartão do bolso.

– Olha lá! Eu sabia! Olha na mão dele! O cartão é vermelho! Comunista! Comunista!

***

Fora de campo, os dois gandulas assistem a tudo sem nada entender. Tiquinho, o mais velho, pergunta então a Biriba se ele sabia o que estava acontecendo:

– Não sei não. Esses caras discutem por tudo. Daqui a pouco vão discutir até se a bola é plana…

– E não é? – respondeu desafiadoramente o menino.

 

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set 182018
 

 

 

 

O telefone tocou às 3h55. Muito antes da hora programada para o alarme, pouco depois que Luiz se deitara. O quarto foi iluminado pela claridade da tela do celular, que vibrava e emitia um som repetitivo, transformando o cômodo numa pequena boate para o homem que acordou assustado.

– Alô? Alexandre? O que houve? – Perguntou Luiz,com uma voz que denunciava que o álcool ainda não fora devidamente processado pelo organismo.

– Cabeça, me diz uma coisa, quem ganhou a Copa de 82?

– Como é que é?

– A Copa de 82… Quem ganhou?

Breve silêncio.

– Puta que pariu, Alexandre! Cê viu que hora são? Eu tô dormindo, cacete, quase morri do coração!

– Responde pra mim, Cabeça, por favor.

– Você está mais bêbado que eu, é isso?

Luiz morava a mais de seiscentos quilômetros de São Paulo, e não sabia o que tinha acontecido com seu amigo dos tempos de colégio. Era chamado pelos colegas de Cabeça graças ao seu conhecimento enciclopédico sobre futebol, e sempre era consultado quando surgia uma discussão acerca de algo fundamental como o nome do zagueiro central da Portuguesa de 96 ou o placar do jogo entre Santos e Corinthians no Paulistão de 87.

Seu interesse por esportes o levou a cursar educação física em Presidente Prudente, e por lá ficou depois da pós-graduação, tornando-se professor na faculdade que frequentou. Agora ele estava ao telefone com Alexandre, um amigo querido, mas de quem não tinha notícias há algum tempo, e que lhe estava fazendo uma pergunta ridícula no meio da madrugada.

– Cabeça, aconteceram umas coisas, eu não sei se você está sabendo, mas eu preciso que você me diga sobre a Copa.

– O Brasil perdeu em 82, Alê… Todo mundo sabe, o mundo inteiro sabe, você sabe, conversamos sobre isso várias vezes… O que está acontecendo?

Alexandre fez silêncio por uns instantes e respirou fundo antes de responder:

– Eu tive um acidente, Cabeça… Fiquei em coma por uns dias mas agora eu estou recuperado.

– Cara, eu não sabia – disse Luiz, já de pé e a caminho da cozinha, aonde foi buscar um copo de água – Você está bem? O que aconteceu?

– Eu estou bem, mas… O Brasil não ganhou aquele jogo da Itália nos pênaltis? Eu tinha certeza que o Brasil tinha passado pela Itália, depois da Holanda, e vencido a Alemanha na final, por dois a zero.

– Putz, que confusão! O Brasil perdeu da Itália: três a dois, com três gols do Paolo Rossi. A Holanda nem jogou aquela Copa!

– Meu Deus! Eu me lembro claramente dos gols da final… O goleiro soltando a bola nos pés do Zico…

– O goleiro alemão soltou a bola nos pés do Ronaldo, em 2002. Você está fazendo uma salada futebolística: a Itália perdeu nos pênaltis pro Brasil na final da Copa de 94, a Holanda perdeu na semifinal em 98 e a Alemanha perdeu em 2002.

A seleção de 82 entrou para a história justamente por ter sido formada por uma geração de craques que não venceu, mas não era disso que Alexandre se lembrava. Pouco antes de fazer a ligação ele resolveu acessar a internet, coisa que não tinha feito desde que deixara o hospital. Abriu as redes sociais e leu várias das mensagens que tinham sido deixadas em seu perfil, mas eram tantas que logo se cansou. Começou a navegar pelos sites e se deparou então com uma entrevista de Falcão, o Rei de Roma, na qual ele falava sobre as causas do fracasso da seleção na Copa da Espanha.

Alexandre ficou sem compreender, afinal, a alegria pela conquista daquela Copa tinha sido um momento mágico de sua infância. Ele se lembrava de comemorar abraçado com seu pai e seus irmãos, do seu tio chorando, da sua mãe vestida de amarelo na casa da rua do morro.

De repente, tudo aquilo não era mais verdade, tudo se tornou estranho.

Sem pensar muito no que fazia, ligou para o amigo que mais confiava acerca de memória do futebol, e se sentiu mais confuso ainda. Mesmo depois de confirmada a notícia da derrota, foi difícil aceitar. Não havia motivos para duvidar do Luiz Cabeça, mas suas lembranças eram tão firmes e detalhadas que era difícil não crer que eram reais.  Uma parte feliz da sua infância lhe foi arrancada repentinamente, causando não só um vazio difícil de explicar, como também uma séria preocupação com a própria sanidade.

– Alê, Alê… Cara você está aí?

Alexandre ouviu o chamado do amigo e olhou para o telefone, desolado. Deu um sorriso triste e disfarçou:

– Ei, Cabeça, são esses remédios que eu ainda estou tomando. Eles me deixam sem dormir direito e aí eu fico meio xarope. Faz três dias que eu saí do hospital e ainda deve ter muita porcaria no meu sangue! Cara, me desculpe por ligar a essa hora, eu devo ter sonhado com esses jogos aí que eu falei pra você e aprontei essa presepada, tô até com vergonha!

– Alê, você está bem mesmo? Eu estou em época de provas na faculdade mas posso me planejar pra ir pra São Paulo em breve, assim você me coloca em dia com todos esses acontecimentos.

– Vai ser muito legal te receber aqui – mentiu Alexandre – Eu estou bem, pode ficar tranquilo – mentiu de novo.

– Tá bom, meu irmão, a gente se fala. Fiquei preocupado com você.

– Não precisa não, Cabeça. Eu estou bem. Vou acordar achando que essa conversa que estamos tendo agora é um sonho, depois vai me bater uma ressaca moral quando confirmar no histórico do celular que eu te liguei mesmo.

– Nem me fale de ressaca que já começo a sentir os efeitos da minha. Fica com Deus.

– Grande abraço!

Luiz desligou o telefone e não sabia se ficava preocupado ou se dava risada do amigo, que parecia estar mais chapado do que ele. Decidiu que voltaria a pensar nisso depois que estivesse recuperado, se ajeitou na cama para voltar a dormir, e então lhe veio um pensamento à cabeça: “Se Alexandre pensava que o Brasil venceu a Copa de 82, o que será que aquele maluco lembra da Copa de 2014?”

 

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