dez 172011
 

O JAC DA FLORESTA realizava a turnê JAC IN USSR quando foi jogar em Marakanansky, cidade ao sul de Moscou. Naquela pacata localidade havia sido construído um estádio para mais de trezentos mil espectadores, que não chegou a ser reconhecido como o maior do mundo por falta de um simples alvará dos bombeiros. Coisa típica da burocracia soviética.

Apesar de Techerinha ser muito admirado no outro lado da Cortina de Ferro, o jogo foi tenso. Durante toda a partida o craque foi vítima da violência do zagueiro Hailtovsky, o Piolho de Aprazivikovsky, que contava com a complacência do árbitro local.

Techerinha quase nunca perdia a calma – “Fico nelvoso quando fico sem fazer glu-glu, então nunca fico nelvoso” dizia o craque – mas naquela tarde ele se irritou com o Hailtovstky. O final do primeiro tempo tinha chegado e nosso herói marcara apenas 4 gols, o que era inadmissível!

No começo da segunda etapa então Techerinha carregou a bola até o meio de campo e parou, acenando para que Hailtovski viesse marcá-lo. Os jogadores se encararam e o estádio silenciou, como se estivessem todos presenciando um duelo sobre o campo gelado.

Ninguém ousou interceder, e os dois ficaram imóveis por longos minutos. Repentinamente, porém, Techerinha começou dar pedaladas sobre a bola – primeiro com o pé direito, depois com o esquerdo, e finalmente com os dois ao mesmo tempo, e isso desconcertou Hailtovsky. Techerinha então se aproveitou do vacilo do adversário e tocou na pelota com força para que acertasse o zagueiro bem no sakov (aquela parte dos russos que fica um palmo abaixo do umbigov).

O estádio, em uníssono, fez “uuuuhhhh!!!!”. Hailtovsky caiu em posição fetal, segurando os bagovs, e Techerinha retomou a bola, partindo em direção ao gol adversário. Nenhum jogador teve coragem  de marcá-lo – a única providência que tomaram foi proteger a balalaica com as mãos – e o craque caminhou calmamente até marcar mais um tento.

Dizem que aquele foi o maior “uuuuhhhh!!!!” já ouvido na história da Humanidade, mas o JAC DA FLORESTA não conseguiu homologar o recorde porque faltou um carimbo na quarta via do ofício requisitório padrão A-12. Coisa típica da burocracia brasileira.