out 252013
 

 
 

vestibular

 

 

As provas da Unesp foram no começo do mês de dezembro, em 3 dias. No primeiro, 80 questões objetivas; no segundo, as dissertativas de história, geografia e português; e no último, apenas português.

Não fiquei muito animado depois da primeira prova. Pelo que me lembro, acertei  40 questões, mas vi pessoas falando que tinham feito 44, 47, 48 pontos. O segundo dia também não foi fácil: na prova de história perguntavam “o que é zollverein?”, e eu não tinha a menor ideia do que se tratava. Deixei a questão em branco já que não consegui sequer chutar uma resposta, e achei que com isso minhas pequenas esperanças estavam definitivamente enterradas.

Mas eu só estava lá pra treinar, como tinha dito para o meu pai, então fiz a prova de português sem compromisso ou expectativa alguma.

***

Pouco depois ocorreu o vestibular para a FATEC, na qual me inscrevi para o curso de Tecnologia da Informática. As provas se deram em 2 dias, coincidindo justamente com o final de semana em que o São Paulo foi jogar o segundo Mundial em Tóquio.

Não me recordo de praticamente nada daquela prova, só de que citei uma letra da Legião Urbana na redação. Já do jogo do São Paulo, bi-campeão mundial, você pode me perguntar qualquer coisa.

***

A segunda fase da Unicamp foi em janeiro, e um pouco depois foi o vestibular da Univap, em São José dos Campos, com 2 dias de provas. Justamente no primeiro dia saiu o resultado da Unesp.

Eu cheguei para o local das provas em cima hora, por isso comprei o jornal na banca em frente à Faculdade de Direito e só fui abri-lo depois de estar acomodado na carteira. Procurei a lista dos aprovados e não achei meu nome.

Era o resultado esperado, afinal meu desempenho não tinha sido grande coisa naqueles dois primeiros dias de vestibular. Conformado, dobrei o jornal e guardei debaixo da cadeira.

Passaram alguns minutos e me lembrei da lista de espera. Peguei novamente o jornal, procurei a tal lista e dessa vez tive um choque: meu nome estava lá.

Virei para a moça que estava na carteira ao lado e disse: “eu estou na lista de espera da Unesp!”. Recebi em resposta uma cara de “e eu com isso?”, mas nem liguei.

No dia seguinte minha mãe entrou no meu quarto e tomou um susto quando viu que eu ainda estava lá. Na noite anterior teve o Baile do Havaí, no Clube de Campo, e eu acabei perdendo a hora para a segunda prova da Univap.

***

Depois de quatro vestibulares, acabei passando naquele que pensava ser o mais improvável. Embora soubesse que seria dificílimo ser aprovado em qualquer curso, já que não tinha me preparado o suficiente, achei que tinha feito uma boa prova na Unicamp e nutri alguma esperança de conseguir algo lá.

Foi a prova de português do terceiro dia que me deu uma nota muito boa na Unesp. Mas eu estava na primeira lista de espera, então não tinha meu lugar na faculdade garantido. Só fui ter certeza que cursaria direito em Franca em 07 de fevereiro de 1994, data em que fiz minha matrícula.

***

Até hoje não sei o que é zollverein. Dentre tudo o que ignoro, isso foi o que me deu mais sorte.

 

 .

 

ago 302013
 

 

 

Certa manhã de sexta-feira meu pai me perguntou:

– Hoje é o último dia de inscrição na Unicamp, você não vai fazer o vestibular?

– Ah, pai, eu estou sem dinheiro e não estou estudando, não vale a pena.

– Faça a inscrição que eu pago. Pelo menos você já vai se preparando para o ano que vem.

Eu tinha acabado de deixar meu emprego como auxiliar de escritório e estava no quarto e último ano do curso técnico em mecânica. Não tinha me preparado em nada para o vestibular e nem sabia o que queria da vida, mas para o meu pai era natural que eu tentasse a Unicamp pois minha tia mora em Campinas e é casada com um importante professor daquela universidade.

Após horas de fila para pagamento da taxa no Banespa, ainda tive que levar os documentos para protocolar em São José dos Campos  (naquele tempo não existia inscrição pela internet). Foi só depois de ter pago a taxa que fui pensar sobre qual curso iria me inscrever, e como não havia curso de Direito na Unicamp resolvi tentar uma vaga para Ciências da Computação.

Essa opção, que hoje soa estapafúrdia, se deu porque na época eu estava fazendo um curso de informática. Pensei que seria legal estudar em uma faculdade em que pudesse ampliar meus conhecimentos em Word, DBase, DOS e Lotus 1-2-3.

Sim, eu não tinha noção nenhuma de nada.

Lembro ainda que na revista do vestibular da Unicamp uma grande amiga minha, a Gabriela, era destaque em uma das reportagens. Ela tinha entrado naquele ano no curso de Letras da universidade, e na revista falava sobre como tinha sido o dia em prestou o vestibular e sobre sua vida de bixete.

Quando contei ao meu pai da inscrição ele quis saber se eu não queria fazer um cursinho preparatório. Mais uma vez, disse-lhe que não tinha dinheiro, mas ele mandou eu procurar um que ele pudesse pagar. Na manhã seguinte fui parar no Objetivo, aonde me surpreendi ao saber que lá trabalhava um meu velho amigo dos tempos de primário, o Cesinha:

– O curso semi-intensivo começou em agosto – explicou o Cesinha – mas ainda é possível fazer inscrição. Venha às 15h para fazer a prova de bolsa, assim você um desconto de acordo com seu aproveitamento.

Ao chegar à tarde fui recebido com sorrisos pelo meu amigo:

– Parabéns, Wagnão! Você conseguiu 58% de desconto! Só não conseguiu mais porque senão sua nota seria a maior de todas e isso chamaria muita atenção!

Graças ao desconto que “consegui” sem sequer ter feito a prova o meu pai pôde pagar o cursinho, e depois que comecei a estudar me aventurei a prestar outros vestibulares, inclusive o da UNESP , que tinha o curso de Direito na longínqua cidade de Franca.

Passei na primeira fase na Unicamp, mas na segunda me compliquei com as provas de exatas (e eu pensei em fazer Ciências da Computação!). Tenho que a redação que fiz para esse vestibular é uma das melhores coisas que já escrevi, mas nunca vi sua correção e o texto se perdeu para sempre.

***

Certamente o Cesinha não tem  ideia de como ele foi importante ao me ajudar. Um gesto simples, uma molecagem, foi fundamental para que eu mudasse meus rumos e me encontrasse pouco depois, quase sem querer, estudando em Franca.