ago 122014
 

 

 

Ontem foi o Dia do Advogado. Essa data costumava ser mais festiva para mim, mesmo antes de passar pelo Exame da Ordem.

Durante a faculdade o 11 de agosto era comemorado com o Dia do Pendura. Geralmente o tradicional calote era aceito pelos donos dos estabelecimentos, mas às vezes dava errado e virava caso de polícia, como quando eu e o Helton fomos jantar uma pizza de camarão em um restaurante próximo à Praça do Itaú.

Fomos levados até a delegacia em carro de polícia, com o giroflex ligado, e achamos aquilo o máximo. O delegado também achava graça, mas tinha que disfarçar e nos dizia “paguem o homem, meninos!”.

Acabamos pagando apenas os 10% do garçom, pois fomos muito bem atendidos pelos funcionários – até o momento que anunciamos o pendura, claro.

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Depois que comecei a trabalhar as festas do dia 11 em Jacareí aconteciam na Casa do Advogado, com churrascos que iam até altas horas. Eram eventos animados, nos quais praticamente todos participavam.

Com o tempo esses churrascos foram minguando, muito em razão da desunião da própria classe. Hoje conheço poucos advogados novos e a Subsecção tem se demonstrado mais preocupada em servir de palanque para alguns do que unir todos colegas.

Mas não importa. Como mostra a foto abaixo, que não está muito boa, tenho muitos amigos com quem vale a pena comemorar o nosso dia.

 

almoço dia dos advogados

 

E dessa vez não penduramos a conta.

 

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jul 042014
 

 

PABLO_NERUDA

 

No sábado passado o Brasil venceu o Chile apenas nos pênaltis, depois de um sofrido empate de 1 a 1, com direito a levar uma bola no travessão no finalzinho da prorrogação.
Pois eu sou do tempo que ganhar do Chile era uma grande moleza.
Antes que você me acuse de ser velhote, esclareço que não foi há tanto tempo assim, pois na Copa de 2010 o Brasil bateu por 3 a 0 o time que já tinha o “mago” (hehehe) Valdívia.
Mas o confronto inesquecível com nossos hermanos da terra de Pablo Neruda foi em 1998. Era meu último ano de faculdade, e como estava muito atrasado com os trabalhos do estágio decidi não acompanhar meu amigos que foram ver o jogo na casa de uns colegas francanos. Fiquei na república terminando meus afazeres, e quando faltavam poucos minutos pro começo da partida, exatamente na hora que comecei a me dar conta do quanto era deprimente assistir sozinho o Brasil na Copa, apareceu o Helton no carro de alguém para me resgatar.
Fui então ver o jogo com a galera graças ao meu amigo. Talvez eu não consiga descrever a grandeza desse gesto, mas poucos seriam capazes de, no meio de uma festa, lembrar de alguém e convencer um outro (o Helton não tinha carro) para buscar um zé mané que ficou sozinho em casa.
Naquele dia o Brasil venceu por 4 a 1 e fomos todos comemorar na avenida Champagnat, certos de que o penta viria naquele ano.

 

garcia marquez

 

No meu tempo a Colômbia também nunca meteu medo, mas o futebol que o Brasil vem apresentando deixou todos inseguros. O camisa 10 colombiano, James Rodrigues, tem sido tratado como um novo Zidane, e todos questionam o estado emocional da Seleção.
Apesar disso, e mesmo que meus palpites anteriores tenham sido um fiasco, eu tenho esperança de que hoje o Brasil jogará bem e vencerá o time da terra de Gabriel Garcia Marquez por 2 a 0.
Nossos vizinhos continuam a nos vencer em Prêmios Nobel, mas no futebol ainda sou mais Brasil.

 

 

 

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maio 012014
 

 

muro de tamburello

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Eu já contei essa história antes, várias e várias vezes.

Era domingo de manhã e por isso eu não queria acordar cedo, mas meu amigos na sala vendo tv e falando sobre a corrida me incomodavam. Morávamos na rua Prudente de Moraes e fazia pouco tempo que a República Saudosa Maloca tinha se formado – certamente ela nem tinha sido batizada ainda.

Insisti em ficar na cama por mais um tempo até que escutei alguém lamentar que o Senna bateu o carro. O piloto não fazia um bom começo de temporada, as coisas na Willians não estavam saindo como se imaginara, mas apesar de ser torcedor pensei que pelo menos a partir daquele momento poderia ter mais silêncio na sala.

Virei para o lado, fechei os olhos para voltar a dormir mas então ouvi o Helton dizer:

– Puta merda, ele bateu forte.

Nunca vou me esquecer: o tom da voz do meu amigo estava tão carregada de espanto e medo que me fez pular da cama imediatamente. Fui para a sala, sentei no braço do sofá e comecei a acompanhar o drama do resgate, do transporte do corpo e da confirmação da morte do campeão.

Foi um domingo triste para todos, talvez tenha sido a maior comoção que tenha visto até hoje. Eu me lembro da morte de Tancredo Neves e de tudo o que aquilo causou no país, mas o ex-futuro presidente era um político já idoso, que por agonizou em rede nacional por vários dias. Sua morte foi a confirmação da tragédia anunciada.

A morte do Ayrton foi algo completamente inesperado. Por mais que todos soubéssemos que aquilo era uma corrida de carros, e que em corridas acidentes acontecem, ninguém jamais pensou que um campeão teria seu fim num muro de uma curva italiana. Logo que aconteceu a batida todos sabíamos que algo grave ocorrera, mas esperávamos que o piloto saísse do cockpit e viesse para dar uma entrevista sobre o susto que tivera.

Não foi só um susto, já faz vinte anos que aquilo tudo ocorreu, e em cada 1º de maio me pego contando novamente essa mesma história.

 

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abr 012014
 

 

O REBOSTEJOS nasceu do Blog do Techerinha, quando decidi ampliar minhas postagens para além das histórias do maior jogador de futebol de todos os tempos.

Anos antes, porém, eu já tinha criado um outro blog para contar histórias pitorescas de advocacia. Apesar de ter feito um registro de domínio no Blig, serviço de hospedagem do IG, nunca cheguei a publicar nada. Esse blog era O Advogado do Quiabo, o que demonstra que REBOSTEJOS não foi o pior nome que criei na internet.

Mas a minha primeira colaboração para a web foi em 2001, quando coloquei na rede A CASA DOS UNESPIANOS, criado a partir de ferramentas simples de editoração e com uso de uma antiga versão do Corel Draw (até hoje eu não sei nada sobre programação ou criação de páginas, e tudo o que faço continua sendo precário e feito à fórceps).

 

casa dos artistas

 

A CASA era uma sátira ao fenômeno televisivo da época, A CASA DOS ARTISTAS, e trazia como personagens alguns de meus colegas de faculdade. Nesse unreality show prevaleciam as piadas internas, que muitas vezes só eram interessantes para os que conheceram os retratados, mas quando o site foi lançado ele fez um relativo sucesso (bem relativo, diga-se) graças a divulgação no fórum de ex-alunos da faculdade.

O problema é que o site estava hospedado no HPG, um serviço gratuito, e que um dia simplesmente deixou de existir. Como eu não tinha backup, A CASA sumiu para sempre.

Nem tudo está perdido, todavia. Por incrível que pareça o meu amigo Adauto “Juninho Paulista” Coelho chegou a imprimir e guardar as telas d’A CASA, e outra dia ele mandou esses arquivos em formato pdf para mim. O site sumiu mesmo, mas praticamente todo conteúdo está preservado, inclusive com os comentários feitos à época.

Segue abaixo então o CASA DOS UNESPIANOS em pdf. Era um site tosco, de conteúdo pobre e piadas óbvias, mas era limpinho.

 

Casa dos Unespianos

 

 

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fev 072014
 

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O ônibus chegou em Franca depois de 5 horas de viagem, por volta das 5h30 da manhã. Dele desceram vários jovens que imediatamente notaram que tinham algo em comum: estavam todos ali para declarar o interesse na vaga e, quem sabe, fazer sua matrícula na faculdade.

Andamos da rodoviária até o centro, paramos em uma padaria e tomamos um café antes de ir para o prédio da Unesp. Depois que deixamos nossos documentos passamos a andar pela cidade para conhecê-la, matando o tempo até a tarde, quando então saberíamos se a matrícula seria feita.

E lá estávamos com o Celso Takeshita, o Luiz Pippen, o João, a Estela e muita gente cujo nome não me recordo ou que só sei do apelido, como o Makula e a Horácio (assim batizada pelo Nakano).

Depois de almoçarmos no Arroz e Feijão voltamos para o salão nobre e todos fomos matriculados. Meu cabelo foi raspado naquela hora mesmo, pela Denise e pela Luciana Quirino, e todo orgulhoso embarquei no ônibus das 18h para São Paulo com um boné vermelho da Ravelli na cabeça e usando uma horrivel camiseta de bixunesp que me fizeram comprar.

Cheguei em casa quando já era o dia 08 de fevereiro de 20 anos atrás.

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dez 132013
 

 

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Hoje, 13 de dezembro, faz 15 anos que prestei a prova da primeira fase da OAB.

Lembro-me bem dessa data não por causa do exame, mas sim porque na véspera aconteceram a colação de grau e o baile de formatura.

A colação de grau foi à tarde, num sábado de muito calor em Franca. A cerimônia foi longa graças aos discursos dos homenageados e dos representantes de turma, mas o mais notável foi ver o seu Nestor, pai do Helton, subir ao púlpito para fazer um agradecimento à cidade em nome dos pais dos alunos.

Muitos se espantaram ao ver aquele homem cometer a ousadia de quebrar o protocolo, mas as coisas não poderiam apenas se desenrolar normalmente na formatura da XI Turma. Foi então muito apropriado ver aquele homem com barba branca de Papai Noel fazer um dos discursos mais emocionantes do dia.

Após a cerimônia levei meus pais para o Hotel Marconi, na rua Couto Magalhães, aonde ficaram alojados junto com nossos convidados. Até hoje a Paula reclama por eu ter reservado aquela hospedagem aonde os quartos tinham um marcante cheiro de chulé.

Tomei um banho, comi um lanche (vulgo “bolota”) e fui para o baile. Por causa da prova na manhã seguinte não bebi nada a noite inteira, mas o Alessandro aproveitou que não iria fazer o exame e naquela festa praticamente tirou o atraso de cinco anos de vida comportada.

Já amanhecendo fui para a república, tomei um banho, saí com cuidado para não pisar nos amigos do Helton que dormiam espalhados por todos os cômodos da casa e fui buscar o Rogê, que também iria enfrentar as questões da OAB na Faculdade Municipal (vulgo “Brejão”).

O sacrifício valeu a pena, e cerca de um mês depois voltamos a nos encontrar para a segunda fase – que daqui a pouco também vai completar 15 anos, e também vai parecer que foi ontem que aconteceu.

 

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out 272013
 

 

 

Eu aprendi a gostar de Velvet Underground e Lou Reed nas intermináveis noites jogando baralho na república do Adauto Milk (que tinha também Igor Tex, o Fernando Garoto Juca, o Junior Zé do Burro e o Zaupa Twister) .

“Trezmilzinho?” – era essa a pergunta de resposta óbvia nas sextas-feiras. Nós passávamos a noite jogando buraco e bebendo cerveja até 4 ou 5 horas da manhã, quando então saíamos todos para comer um lanche no Preguiça.

Pois é, buraco. Às vezes, truco. Dependia do número de participantes. Nem todas as noites da época  da faculdade eram de caminhar pelo lado selvagem, mas pelo menos dávamos muitas risadas e ouvíamos muita música.

Lou Reed morreu hoje, aos 71 anos. Estou certo que muita gente competente vai escrever sobre a importância dele para o rock. Eu só posso contar que ele fez parte da trilha sonora de minha vida.

Valeu, Lou.

 

 

 

 

 

 

out 252013
 

 
 

vestibular

 

 

As provas da Unesp foram no começo do mês de dezembro, em 3 dias. No primeiro, 80 questões objetivas; no segundo, as dissertativas de história, geografia e português; e no último, apenas português.

Não fiquei muito animado depois da primeira prova. Pelo que me lembro, acertei  40 questões, mas vi pessoas falando que tinham feito 44, 47, 48 pontos. O segundo dia também não foi fácil: na prova de história perguntavam “o que é zollverein?”, e eu não tinha a menor ideia do que se tratava. Deixei a questão em branco já que não consegui sequer chutar uma resposta, e achei que com isso minhas pequenas esperanças estavam definitivamente enterradas.

Mas eu só estava lá pra treinar, como tinha dito para o meu pai, então fiz a prova de português sem compromisso ou expectativa alguma.

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Pouco depois ocorreu o vestibular para a FATEC, na qual me inscrevi para o curso de Tecnologia da Informática. As provas se deram em 2 dias, coincidindo justamente com o final de semana em que o São Paulo foi jogar o segundo Mundial em Tóquio.

Não me recordo de praticamente nada daquela prova, só de que citei uma letra da Legião Urbana na redação. Já do jogo do São Paulo, bi-campeão mundial, você pode me perguntar qualquer coisa.

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A segunda fase da Unicamp foi em janeiro, e um pouco depois foi o vestibular da Univap, em São José dos Campos, com 2 dias de provas. Justamente no primeiro dia saiu o resultado da Unesp.

Eu cheguei para o local das provas em cima hora, por isso comprei o jornal na banca em frente à Faculdade de Direito e só fui abri-lo depois de estar acomodado na carteira. Procurei a lista dos aprovados e não achei meu nome.

Era o resultado esperado, afinal meu desempenho não tinha sido grande coisa naqueles dois primeiros dias de vestibular. Conformado, dobrei o jornal e guardei debaixo da cadeira.

Passaram alguns minutos e me lembrei da lista de espera. Peguei novamente o jornal, procurei a tal lista e dessa vez tive um choque: meu nome estava lá.

Virei para a moça que estava na carteira ao lado e disse: “eu estou na lista de espera da Unesp!”. Recebi em resposta uma cara de “e eu com isso?”, mas nem liguei.

No dia seguinte minha mãe entrou no meu quarto e tomou um susto quando viu que eu ainda estava lá. Na noite anterior teve o Baile do Havaí, no Clube de Campo, e eu acabei perdendo a hora para a segunda prova da Univap.

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Depois de quatro vestibulares, acabei passando naquele que pensava ser o mais improvável. Embora soubesse que seria dificílimo ser aprovado em qualquer curso, já que não tinha me preparado o suficiente, achei que tinha feito uma boa prova na Unicamp e nutri alguma esperança de conseguir algo lá.

Foi a prova de português do terceiro dia que me deu uma nota muito boa na Unesp. Mas eu estava na primeira lista de espera, então não tinha meu lugar na faculdade garantido. Só fui ter certeza que cursaria direito em Franca em 07 de fevereiro de 1994, data em que fiz minha matrícula.

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Até hoje não sei o que é zollverein. Dentre tudo o que ignoro, isso foi o que me deu mais sorte.

 

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ago 302013
 

 

 

Certa manhã de sexta-feira meu pai me perguntou:

– Hoje é o último dia de inscrição na Unicamp, você não vai fazer o vestibular?

– Ah, pai, eu estou sem dinheiro e não estou estudando, não vale a pena.

– Faça a inscrição que eu pago. Pelo menos você já vai se preparando para o ano que vem.

Eu tinha acabado de deixar meu emprego como auxiliar de escritório e estava no quarto e último ano do curso técnico em mecânica. Não tinha me preparado em nada para o vestibular e nem sabia o que queria da vida, mas para o meu pai era natural que eu tentasse a Unicamp pois minha tia mora em Campinas e é casada com um importante professor daquela universidade.

Após horas de fila para pagamento da taxa no Banespa, ainda tive que levar os documentos para protocolar em São José dos Campos  (naquele tempo não existia inscrição pela internet). Foi só depois de ter pago a taxa que fui pensar sobre qual curso iria me inscrever, e como não havia curso de Direito na Unicamp resolvi tentar uma vaga para Ciências da Computação.

Essa opção, que hoje soa estapafúrdia, se deu porque na época eu estava fazendo um curso de informática. Pensei que seria legal estudar em uma faculdade em que pudesse ampliar meus conhecimentos em Word, DBase, DOS e Lotus 1-2-3.

Sim, eu não tinha noção nenhuma de nada.

Lembro ainda que na revista do vestibular da Unicamp uma grande amiga minha, a Gabriela, era destaque em uma das reportagens. Ela tinha entrado naquele ano no curso de Letras da universidade, e na revista falava sobre como tinha sido o dia em prestou o vestibular e sobre sua vida de bixete.

Quando contei ao meu pai da inscrição ele quis saber se eu não queria fazer um cursinho preparatório. Mais uma vez, disse-lhe que não tinha dinheiro, mas ele mandou eu procurar um que ele pudesse pagar. Na manhã seguinte fui parar no Objetivo, aonde me surpreendi ao saber que lá trabalhava um meu velho amigo dos tempos de primário, o Cesinha:

– O curso semi-intensivo começou em agosto – explicou o Cesinha – mas ainda é possível fazer inscrição. Venha às 15h para fazer a prova de bolsa, assim você um desconto de acordo com seu aproveitamento.

Ao chegar à tarde fui recebido com sorrisos pelo meu amigo:

– Parabéns, Wagnão! Você conseguiu 58% de desconto! Só não conseguiu mais porque senão sua nota seria a maior de todas e isso chamaria muita atenção!

Graças ao desconto que “consegui” sem sequer ter feito a prova o meu pai pôde pagar o cursinho, e depois que comecei a estudar me aventurei a prestar outros vestibulares, inclusive o da UNESP , que tinha o curso de Direito na longínqua cidade de Franca.

Passei na primeira fase na Unicamp, mas na segunda me compliquei com as provas de exatas (e eu pensei em fazer Ciências da Computação!). Tenho que a redação que fiz para esse vestibular é uma das melhores coisas que já escrevi, mas nunca vi sua correção e o texto se perdeu para sempre.

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Certamente o Cesinha não tem  ideia de como ele foi importante ao me ajudar. Um gesto simples, uma molecagem, foi fundamental para que eu mudasse meus rumos e me encontrasse pouco depois, quase sem querer, estudando em Franca.

 

maio 132013
 

 

televisor national

 

Quando eu era criança, às vezes era necessário esperar a válvula aquecer para surgissem as imagens no nosso televisor. As transmissões em VHF daquela época não disponibilizavam muitas opções de canais, e tvs à cores ainda eram um certo luxo.

Era muito comum que as pessoas tivessem ainda televisores em preto e branco, e alguns modelos ressaltavam sua nitidez com um vidro azul que cobria toda a tela.

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O primeiro controle remoto que vi foi na casa de um vizinho, e o aparelho consistia numa uma caixinha quadrada, com um único botão redondo no meio, que quando acionado fazia pular para o próximo canal. Nada  ligar ou desligar a tv, alterar o volume, ajustar a imagem, etc.

Ah, o controle era ligado à tv por um fio de cerca de 2 metros de extensão.

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disquete flexivel

 

Certa vez aconteceu no Trianon Clube uma exposição de computadores, e lá foram apresentados os mais modernos hardwares e softwares da época.

As máquinas mais avançadas usavam disquetes flexíveis de 5″1/4, mas em outras os softwares eram carregados por fitas cassete, através de gravadores portáveis ligados aos pc’s. Lembro de ter ficado um tempão esperando um programa iniciar até que no monitor de fósforo verde apareceu uma animação pixelada de um alienígena dançando – e isso era tudo o que aquele treco fazia.

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Acho que joguei videogame pela primeira vez na casa do Robson, que foi o dono do único console Odyssey que conheci.

Nosso preferido era o game Senhor das Trevas, que apesar do nome sinistro era um jogo simples em que um canhão deveria destruir as frotas de naves que vinham atacá-lo. No vídeo abaixo podemos ver a face monstruosa do tal Senhor das Trevas, e avaliar todo o poderio gráfico e sonoro daquela máquina:

 

 

Mas o console que virou febre foi o Atari. Eu e meu irmão ganhamos o primeiro videogame da nossa rua, então era comum que estivéssemos jogando e no portão se juntasse uma molecada reclamando: “Pô, sacanagem, eles tão jogando e nem chamaram a gente!”.

O Atari tinha como principal vantagem o vasto catálogo de jogos, e todos se lembram do Pitfall (que acompanhava o console), do Enduro, do River Raid, do Hero e do Decathlon – deste último principalmente porque para jogá-lo era necessário movimentar o joystick freneticamente, o que sempre danificava os controles.

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No dia em que minha irmã nasceu fui com meu pai e meu irmão à casa do Tio Ló para conhecer o videocassete, novidade trazida do Paraguai da qual já tinha ouvido falar na escola. Depois de demonstrados todos os recursos daquele aparelho (que até gravava a televisão!), nos sentamos para ver Os Goonies e o desenho Os Doze Trabalhos de Asterix, cuja dublagem que não correspondia aos movimentos das bocas dos personagens.

 

panasonic g9

 

Quando meu pai adquiriu o seu aparelho, um G9 da Panasonic, fizemos uma sessão em casa para ver Rocky III. Naquela época as videolocadoras disponibilizam as fitas “seladas” (com selo de originalidade, de lançamento oficial) e as piratas, copiadas de outras fitas ou gravadas dentro do próprio cinema.

Nunca conheci alguém que possuísse um Betamax.

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Eu estava na biblioteca da faculdade com o Eduardo Bordini quando instalaram o primeiro computador com CD-ROM. Como ninguém sabia mexer naquilo, o pessoal deixou que nós fuçássemos à vontade, e por ironia um dos cd’s trazia uma versão atualizada de Pitfall, justamente aquele game que tanto joguei na minha infância.

Ficamos eu e o Bordini jogando por bastante tempo até que alguém se deu conta que a biblioteca não era lugar para aquilo.

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altavista

 

Foi também na faculdade que tive contato com a internet pela primeira vez.

Naquela época, para “surfar” na rede você tinha que conhecer os endereços que queria visitar, pois os serviços de busca mais utilizados (o Altavista e o nacional Cadê) não eram tão eficientes. Além disso, as conexões discadas com até 56k  de velocidade exigiam certa paciência para abrir telas que fossem um pouco mais ornamentadas, e era necessário saber um pouco de inglês para aproveitar já que o conteúdo em português era muito limitado.

Uma das primeiras coisas que fiz foi criar um endereço no Zipmail, mas acho que nunca recebi um email por aquele serviço.

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O mundo era bem diferente há (não tão) pouco tempo…*

 

*corrigido

 

 

 

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