jan 252012
 

 

 

Techerinha foi verdadeiro o melhor jogador de todos os tempos, mas os felizardos que integraram o time do JAC da Floresta ao lado do craque também merecem ser lembrados e reverenciados. Vamos agora citar os atletas que marcaram a história do futebol jogando do meio de campo daquele time inacreditável: Sem-Dedo, Lepra, Cotoco e Trofel.

Marco Aurélio Leite Sá Magalhães, o Sem-Dedo, começou sua carreira como lateral-direito, mas como não conseguia segurar a bola para fazer a cobrança de lateral foi jogar na meia direita. Rápido e inteligente, sua maior arma era o “chute de falso efeito” (ou “chute com defeito”, como chamava Techerinha), que consistia em chutar a bola como se estivesse batendo de três-dedos, fazendo o goleiro adversário esperar que a bola fizesse uma curva que não acontecia – e o pobre arqueiro era enganado porque a pelota seguia uma linha reta. Fato marcante em sua carreira foi a polêmica sobre um pênalti que teria cometido por ter posto a mão na bola, o que suscitou a dúvida na arbitragem internacional: uma pessoa que não tem dedos tem mão?

Lepra  era o apelido de  Wladimierz Leprachonitiviksndt. Veio jovem ao Brasil, fugindo da guerra na Virílya, vizinha da Chechênia. Nunca se acostumou com nosso hábito de tomar banhos diários e por isso exalava um cheiro horrível, como se fosse podre. Era um volante que sabia sair jogando, mas sofria muito com o calor tropical, que fazia sua pele se descamar um pouco a cada jogo. Lutador, encerrou sua carreira após ter literalmente suado sangue pelo time.

Leonardo Braulio Zaupa Coelho, o Cotoco, era um negro alto e forte, com físico de halterofilista, que surpreendia pela velocidade e vigor. O apelido foi dado por uma decepcionada ex-namorada que dizia que aquele negrão era grande em quase tudo. O jogador sempre se defendeu alegando que era maledicência dela, mas ele nunca dividia os vestiários com os colegas. Os mais próximos falavam que “Mindinho” também seria um bom apelido.

Outro grande craque era Sérgio Trofel, que apesar de ser um cavalheiro dentro de campo perdia a cabeça quando o chamavam de Troféu. Ele sempre gastava tempo demais explicando que a pronúncia de “tro-fel” é completamente diferente de “tro-féu”, e de tão irritado que ficou com as confusões e brincadeiras chegou até a mudar de nome: hoje o ex-atleta responde por Sérgio Tassa.

 

 

jan 122012
 

 

Lucha Libre

 

Sexta-feira, começo da noite, saída do Espaço Unibanco em São Paulo.

– Sr. Babenco, sr. Babenco, por favor, só um minutinho…

– Pois não, em que posso ajudá-lo?

– Eu queria apresentar pro senhor as ideias que tenho para umas séries de tv.

– Olha, eu sou um diretor de cinema, tv não é o meu negócio. E agora eu não tenho tempo pra isso, vou jantar, tá bom?

– Não tem problema, minha casa é aqui pertinho, podemos jantar lá e te eu mostro meus projetos.

– Ah, entendi. Olha, sinto muito, mas eu sou hétero e não tenho interesse…

– Não, não, não é nada disso. Eu também não sou boiola.

– Sei… Mora perto da Frei Caneca, convida um homem pra jantar, usa um cabelo pintado e diz que não é gay…

– A cor não tá boa ainda, né? Eu pintei o cabelo pra tirar as luzes, não ficou bem em mim. Mas isso não tem importância, o que quero apresentar ao senhor é uma ideia pra revolucionar a tv latinoamericana, unindo as séries de tribunal, tipo Law and Order, com a comédia popular, tipo Chaves.

– Ãh?

– Veja se não é uma boa: todo episódio começaria com alguém recebendo uma intimação, e quando o oficial de justiça fosse embora, a pessoa diria: “e agora, quem poderá me defender?”. Aí surgiria de um lugar inusitado um homem com terno vermelho e gravata amarela dizendo “eeeeeuuuuuuu!” e todos exclamariam “oh, o Chapolin Advogado”!

– O quê?

– As possibilidades de roteiro seriam infinitas, mas três ou quatro situações repetidas sempre já bastariam para a série cair no gosto popular. Em pouco tempo os bordões tomariam as ruas.

– Bordões?

– Sim, imagine o povo repetindo “todos os meus honorários são friamente calculados!”, ou “suspeição desde do princípio!”, ou “ninguém tem audiência comigo” ou ainda “não contavam com minha arguição de descumprimento de preceito fundamental?”!

– Minha nossa…

– Dá até pra fazer um reality show pra escolher o protagonista, e pra aproveitar a onda de UFC, é só colocar um hispânico e um brasileiro disputando o papel principal em uma briga no estilo lucha libre. Seria um baita sucesso o combate entre Antonio “Diablo” Banderas e “Misterioso” Rodrigo Santoro! E aposto que muita gente pagaria pra ver o Benício del Toro mascarado dando um mata-leão no Dado Dolabela!

– Putaquepariu…

– Então, o que acha?

– Eu achei essas suas ideias tão… tão… Olha, você deveria procurar o Silvio Santos, ele é de televisão e pode trabalhar melhor com isso.

– Não posso mais falar com o Silvio, a ordem de restrição não permite… Mas tá bom, eu vou procurar alguém da TV. O senhor tem o telefone da Ana Hickman?

– Da Ana Hickman?

-Eu posso ser meio maluco, seu Babenco, mas não sou bobo.

 

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dez 282011
 

 

Foram várias horas de viagem sob um sol escaldante, mas a família já estava acostumada a isso desde que se mudou para São Paulo anos atrás. O que destoava nas últimas viagens era uma expectativa incômoda, causada pelos acontecimentos do Natal de três anos antes. Não havia como saber se as coisas já estariam melhores na casa dos pais de Luiza, embora ela se mantivesse confiante como sempre, o que contrastava com o pessimismo de Adriano, seu marido. O único tranquilo era João, o filho de 6 anos de idade, que passara boa parte da jornada dormindo inocentemente.
Quando o carro estacionou em frente da casa dos pais de Luiza seu marido percebeu que a recepção foi novamente morna, mas ela disse que era só impressão dele, que tudo estava esquecido. Porém, bastou aparecerem os cunhados de Adriano para que ficasse claro que os fatos ainda estavam na memória da família:
– E aí, Adriano, fez boa viagem? Trouxe tudo, não esqueceu de nada não? Olhá lá, não quero que você fique descoberto, hein!
O outro irmão de Luiza continuou a conversa:
– Cunhadão, trouxe a barraca?
– Que barraca? – perguntou Adriano, já sabendo como seria a resposta.
– Aquela que você gosta de armar de vez em quando!
Dentro da casa a situação estava constrangedora como das últimas vezes. Dona Maria, mãe de Luiza, evitava encarar seu genro, e Seu Agenor, o sogro, estava mais ranzinza do que sempre – mais do que pelo o ocorrido, Seu Agenor não perdoava Adriano por ele ter sido a causa do veto ao peru nas festas de fim de ano.
Durante a ceia deu-se o roteiro das últimas festas, com os irmãos de Luiza cumprindo devidamente seu papel de cunhados:
– Mano, sabe qual é o tipo de canção que o Adriano não gosta?
– Hmmm… deixa ver… ah, só pode ser samba-canção!
– E o filme de guerra que ele acha desimportante?
– Mash, claro!
– Boa! Mas eu duvido que você saiba qual o homem das cavernas preferido do Adriano!
– Homem das cavernas? Não sei!
– É fácil, é o homo-erectus!
E assim passaram a noite toda. As gracinhas com Adriano tinham se tornado mais tradicionais que a piada do pavê ou as alusões ao saco do Papai Noel.

***

Na viagem de volta houve silêncio no carro durante quase todo o tempo, até que Adriano não se conteve e deu aquele que talvez tenha sido o primeiro conselho para a vida adulta do seu filho:
– João, você é pequeno, mas já consegue entender bem as coisas. Eu vou te dar um conselho para que você não repita o erro de seu pai e não tenha que arcar com as graves consequências: no dia em que for dormir na casa da sogra, não use o calção de pijama sem nada por baixo. Pode acontecer de dar aquela vontade de ir ao banheiro no meio da noite, e você dar de cara com a sua sogra no corredor.
– Assim você não corre o risco de traumatizar uma família e virar alvo de piadas – completou uma indignada Luiza.
– Isso não é nada – disse Adriano.
– Como não é nada? Quais as graves consequências então? – perguntou uma Luiza mais indignada ainda.
– O trauma e as piadinhas são fáceis de aguentar, dei o conselho pra que ele não corra o risco de sofrer o mesmo que eu sofro de ganhar cuecas de presente de todo mundo o resto da vida!


dez 172011
 

O JAC DA FLORESTA realizava a turnê JAC IN USSR quando foi jogar em Marakanansky, cidade ao sul de Moscou. Naquela pacata localidade havia sido construído um estádio para mais de trezentos mil espectadores, que não chegou a ser reconhecido como o maior do mundo por falta de um simples alvará dos bombeiros. Coisa típica da burocracia soviética.

Apesar de Techerinha ser muito admirado no outro lado da Cortina de Ferro, o jogo foi tenso. Durante toda a partida o craque foi vítima da violência do zagueiro Hailtovsky, o Piolho de Aprazivikovsky, que contava com a complacência do árbitro local.

Techerinha quase nunca perdia a calma – “Fico nelvoso quando fico sem fazer glu-glu, então nunca fico nelvoso” dizia o craque – mas naquela tarde ele se irritou com o Hailtovstky. O final do primeiro tempo tinha chegado e nosso herói marcara apenas 4 gols, o que era inadmissível!

No começo da segunda etapa então Techerinha carregou a bola até o meio de campo e parou, acenando para que Hailtovski viesse marcá-lo. Os jogadores se encararam e o estádio silenciou, como se estivessem todos presenciando um duelo sobre o campo gelado.

Ninguém ousou interceder, e os dois ficaram imóveis por longos minutos. Repentinamente, porém, Techerinha começou dar pedaladas sobre a bola – primeiro com o pé direito, depois com o esquerdo, e finalmente com os dois ao mesmo tempo, e isso desconcertou Hailtovsky. Techerinha então se aproveitou do vacilo do adversário e tocou na pelota com força para que acertasse o zagueiro bem no sakov (aquela parte dos russos que fica um palmo abaixo do umbigov).

O estádio, em uníssono, fez “uuuuhhhh!!!!”. Hailtovsky caiu em posição fetal, segurando os bagovs, e Techerinha retomou a bola, partindo em direção ao gol adversário. Nenhum jogador teve coragem  de marcá-lo – a única providência que tomaram foi proteger a balalaica com as mãos – e o craque caminhou calmamente até marcar mais um tento.

Dizem que aquele foi o maior “uuuuhhhh!!!!” já ouvido na história da Humanidade, mas o JAC DA FLORESTA não conseguiu homologar o recorde porque faltou um carimbo na quarta via do ofício requisitório padrão A-12. Coisa típica da burocracia brasileira.
dez 092011
 

 

Ele estava completamente apaixonado pela mulher de cabelos ruivos.

Foi amor à primeira vista, e desde que começaram a se encontrar todos os dias, naqueles cinquenta metros em que seus caminhos se cruzavam, a paixão tinha mudado Fernandinho: ele começou a acordar mais cedo para se aprontar, ficou mais preocupado com o cabelo e as espinhas, passou a se vestir melhor e até gastou um dinheiro que não tinha para comprar perfume.

Saía de casa de manhã ansioso, e quando ela dobrava a esquina seu coração acelerava. Fernandinho então estufava o peito, colocava um sorriso simpático no rosto e esperava que ela o notasse, coisa que parecia que nunca iria acontecer.

Com o tempo passando Fernandinho foi se tornando cada vez mais angustiado, pois em breve chegariam as férias escolares, o que a afastaria durante meses. Foi então que,
numa manhã nublada de novembro, ele decidiu tomar coragem e interceptou a mulher de cabelos vermelhos para dizer que a achava linda, que ela era a mulher dos seus sonhos, que ele queria – queria, não, precisava – que ela soubesse de sua paixão.

Acontece que aquela bela mulher não se comoveu pelas palavras apaixonadas daquele garoto, e foi bem rude e direta:

– Ah, moleque, vá lamber sabão!

A face de Fernandinho ruborizou, seus olhos se encheram de lágrimas e ele ficou tão transtornado que voltou pra casa, foi até a área de serviço, pegou uma barra de sabão de côco que estava sobre o tanque e deu uma lambida cheia de raiva e angústia.

A partir daquele momento Fernandinho tornou-se completamente viciado em lamber sabão.
Ele passou a andar com pedaços de sabão dentro do bolso, que lambia às escondidas. Experimentou várias marcas, vários tipos, diferentes fragrâncias. Não gostava de sabonete pois achava que o perfume mascarava o sabor, e dava preferência para os glicerinados, que eram mais do seu agrado.

Fernandinho tornou-se amargurado, e as pessoas estranhavam seu jeito e seu hálito. Sua família suspeitou que estivesse usando drogas, e sua mãe não compreendia como o consumo de material de limpeza em sua casa tinha aumentado tanto.

A verdade só foi descoberta quando Fernandinho tomou porre de detergente líquido e foi flagrado cheirando sapólio.

Foram necessárias várias sessões de terapia, e ele passou as férias todas em tratamento.

Depois da alta voltaram as aulas, e Fernandinho evitou o velho trajeto da escola por uns tempos, até que se achou forte o suficiente e decidiu ir novamente por onde a mulher ruiva passava.

O coração de Fernandinho voltou a acelerar quando a avistou, e ele pensou em um monte de coisas que deveria dizer pra ela. Imaginou xingá-la, humilhá-la, ou, quem sabe, comovê-la – sim, pois quem sabe se aquela mulher, ao conhecer sua história, descobre que seu amor é puro e merece ser correspondido…

Fernandinho nem teve tempo de dizer nada. Ao chegar perto da mulher ela olhou pra ele com desprezo e disparou:

– Vá a merda, moleque!

E aí então a face de Fernandinho ruborizou, seus olhos se encheram de lágrimas e ele ficou tão transtornado que…

dez 082011
 

 


Existe no Facebook um grupo que reúne os ex-alunos de Direito da Unesp nos anos 90. É uma iniciativa muito bacana pois através da rede social podemos encontrar pessoas que não vemos há muito tempo.


O problema é que a década de 1990 fica cada dia mais distante. Embora alguns insistam em usar em seu perfil fotos de quando ainda eram jovens, querendo que todos os demais acreditem que o tempo não passou, outros estão irreconhecíveis graças aos anos – e quilos – a mais. 


É comum olhar para os membros do grupo e perceber que muitos tornaram-se vagas lembranças, ou nem isso. Será então que todos os que estão inscritos realmente foram contemporâneos de faculdade?


É um problema, portanto, saber se estamos trocando ideias com autênticos ex-estudantes da FHDSS daquela década marcada pelo tetracampeonato, a novela O Rei do Gado e o mega sucesso do grupo Asa de Águia. Para tentar solucionar isso, criamos um questionário que tem como finalidade verificar se os componentes realmente viveram os anos 90 na Franca do Imperador.




QUESTIONÁRIO

UNESP 90 
(Deluxe Edition)

 

1. Qual das alternativas abaixo NÃO lista típicos apelidos de unespianos?
a) Bill, Ross e Joey;
b) Miguelito, Pezão e Tchê;
c) Lafon, Tererê e Globeleza;

d) Cú-de-burro, Zé Buceta e Morde-Fronha.

2. A biblioteca da Unesp:
a) era um importante centro de aprendizagem ;
b) contribuiu muito para o aperfeiçoamento acadêmico dos alunos;
c) era onde os caras olhavam por debaixo das mesas as garotas descuidadas;

d) era um lugar para matar o tempo enquanto não chegava a hora do futebol na quadra.

3. Qual das seguintes histórias do Prof. Clóvis era inventada?
a) a do tapa que ele deu no Che Guevara;
b) a do quadro que ele ganhou do Picasso;
c) a do dia em que ele encontrou com o primo do Gino na Itália;
d) como assim, “história inventada”?


4. Certa vez um professor, que vamos tratar como C.A., disse aos alunos do primeiro ano que pobre não precisa fazer faculdade. Podemos classificar C.A. como:
a) membro da TFP
b) eleitor do FHC
c) contrário ao MST

d) verdadeiro FDP

5. Considerando uma festa de quinta-feira no D.A., assinale a sequência correta:
a) Pet Cemetery – Tempo Perdido – Sunday Bloody Sunday;
b) Dias de Luta – Puteiro em João Pessoa – Another Brick in The Wall;
c) Qualquer uma do Chico Science – Qualquer uma do Bob Marley – Qualquer uma dos Titãs;

d) Passar a noite inteira com uma cerveja – Não pegar ninguém – Ir embora com a(o) supertrunfo.

6. Ainda sobre oD.A.:
a) o banheiro masculino ficava à direita;
b) o banheiro feminino ficava à direita;
c) não sabia que havia um banheiro feminino e outro masculino;
d) banheiro masculino mais limpo era no segundo poste da rua de baixo.

7. A melhor cantada para uma unespiana era:

a) convidá-la para tomar um café no Kelsen;
b) oferecer-lhe um “cigarro de cravo”;
c) convidá-la para estudar processo;

d) perguntar a ela, meu amor, se a dança da manivela ela tocou.

8. O “Cafofo da Unesp” foi:
a) um símbolo do empreendorismo unespiano;
b) uma boa ideia, que não deu certo em razão da incompatibildade do manejo e consumo de Margarita Frozen em tempos de aquecimento global e consolidação da nova moeda;
c) a casa do Brás, do Jack e do Bala;

d) apenas o começo.

9. Dentre os unespianos havia uma parcela que sempre foi muito politizada, e que tinha como principal objetivo:
a) derrubar o imperialismo ianque e estabelecer um governo do proletariado;
b) a conscientização das massas para a revolução da classe oprimida.
c) desestabilizar a cultura judaico-cristã fumando toda a maconha existente no mundo ocidental;
d) derrotar o He-Man e conquistar o Castelo de Greyskull.
 


10. Assinale a maior mentira contada por unespiano:
a) “Passei na USP, mas escolhi vir pra Unesp.”
b) “Não, querida, eu não tenho namorada na minha cidade.”
c) “Nossa, bixete, você é a maior gata!”

d) “Ontem à noite eu comi alguém.”

11. Assinale a maior mentira contada por uma unespiana:

a) “Universitário é duro mesmo, eu não ligo que você não tenha carro.”
b) “Vim pra faculdade pra me realizar profissionalmente, nem penso em achar marido.”
c) “Nossa, bixo, você é o maior gato!”

d) “Juro que eu nunca pensei em dar pro Machado.”

12. Direito Constitucional faz lembrar:
a) do Poder Constituinte;
b) de arguição de descumprimento de preceito fundamental;
c) de prova oral;

d) de champanhe, Kenny G e lençóis de cetim.

13. Depois de anos de crise financeira, na década de 90 o Brasil conseguiu estabilizar sua moeda. Destacaram-se como unidades monetárias naquele período:
a) a URV e o Cruzeiro;
b) o Cruzado e o Cruzado Novo;
c) o Real e o BTN;

d) o CrediCardoso e o Cheque Motoboy.

 

14. A festa unespiana que era frequentada pelas pessoas mais bonitas era conhecida como:

a) Festa do Cafona;
b) Carlinhos na Berlinda;
c) Maratoma;
d) Festa do Cafa.

(Esta questão é uma pegadinha e deve ser deixada sem resposta, todo unespiado deve saber que existe incompatibilidade entres tais festas e gente bonita)

nov 282011
 

 

O casal entra na sala escura e senta-se nas duas cadeiras postas à frente de uma pequena mesa redonda, coberta com uma toalha branca, aonde repousavam uma caneta, poucas folhas de papel e uma caixa de madeira.

Ambos estão ansiosos: ela, para saber sobre o futuro, ele para ir embora o mais rápido possível.

Entra pela porta dos fundos um homem vestido todo de branco,

com cabelos castanhos repartidos ao meio e usando um medalhão dourado com um jacaré em alto-relevo ao centro.

– Boa tarde, amigos, o quê os traz à morada de El Gigio?

– Aff! Se fosse vidente mesmo não precisaria fazer essa pergunta! Vamos Cidinha, vamos embora daqui!

O anfitrião olha serenamente e diz:

– As respostas El Gigio já conhece todas, meu filho, eu quero saber agora é se vocês conhecem as perguntas.

– Viu, Chicão, tomô? Fique quieto e sente aí! O senhor nos desculpe, é que estamos nervosos! Nós estamos com alguns planos e queremos ouvir do senhor se eles vão dar certo.

-Não se preocupe, minha filha, El Gigio está acostumado com a incredulidade.

Chicão sentou-se bravo e ficou quieto. Não queria estar ali e não queria palpite de ninguém. E também não se conformava por ser chamado de “filho” por alguém que parecia ser mais novo do que ele.

El Gigio acomodou-se lentamente na cadeira, pegou a caixa que estava sobre a mesa e tirou de dentro uma faixa branca que amarrou em volta de sua cabeça. Nessa faixa havia um tosco desenho de um olho, feito à caneta e pintado com marca texto amarelo.

– Meus filhos – disse El Gigio – este é aquele que tudo vê. Este é o honorável Terceiro Olho!

– Terceiro Olho? Terceiro olho pra mim é o…

– Calaboca, Chicão! – interrompeu Cidinha – Olha o respeito! El Gigio, o quê o senhor vê?

O vidente olhou fixamente para Chicão antes de fechar os olhos. Depois de alguns segundos, respirou fundo, passou a ponta dos dedos no olho desenhado na faixa, como se estivesse limpando uma lente, e disse:

-Eu vejo que você, minha filha, um dia vai morrer.

-Oh! – surpreendeu-se Cidinha.

-“Oh” por quê? – indignou-se Chicão.

-Shhhhh! Deixe ele terminar! Vai ser logo? Vai demorar?

-O tempo vai ser aquele necessário, nem mais, nem menos. Será contado a partir de agora até o momento final, transcorridos todos os entrementes, os intermédios e as intercorrências naturais e excepcionais que ocorrem no cotidiano, excluídos sempre aqueles outros que sucedem no dia-a-dia, ainda que de noitinha. O tempo sofrerá influência daquilo que é o foco, que é obrigatório, e não o que é supérfluo, sendo que o que é supérfluo não deve ser focado, ou desfocado, na mesma medida ou desmedida daquilo que é obrigatório. Ou não.

– Ah, entendi! – disse ela, pensativa.

– Entendeu?!? – disse ele, surpreso.

-Entendi sim… supérfluo… – disse ela em voz baixa, mas olhando firmemente para ele.

Cidinha se levanta, põe um dinheiro debaixo da caixa de madeira sobre a mesa e sai apressando Chicão, dizendo que precisam ter uma conversa. Ela estava muito satisfeita com a consulta, sua serenidade era completamente diferente do nervosismo da chegada.

Chicão, por sua vez, estava completamente desorientado, mais ansioso do que antes da consulta. Pensou em dizer alguns palavrões para El Gigio antes de sair, mas, depois que olhou para o vidente, as palavras não saíram de sua boca.

A partir daquele instante uma dúvida passaria a lhe assombrar por toda a vida: foi apenas sua imaginação, ou aquele olho mal desenhado à caneta realmente teria dado uma piscadela?

nov 242011
 

A fama de Pelé era algo que não incomodava Techerinha pois ele sabia que jogava muito mais o santista.

Um dia, porém, o craque das ideias tortas ouviu alguém dizer que Pelé inventou a paradinha na cobrança de pênaltis, e isso o deixou muito irritado. O jogador do JAC DA FLORESTA já havia criado esse artifício muito antes, o qual chamava de interrompidinha.

Cansado de se imitado por aquele chamado de Rei, Techerinha então pensou em algo que jamais pudesse ser feito por nenhum outro, e foi numa fria noite em Estrasburgo que o craque pôs seu plano em ação.

O JAC DA FLORESTA fazia sua turnê mundial que ficou conhecida como The Jacaré Dundee Tour, e um pênalti foi marcardo a favor nos minutos finais da partida. Na hora da cobrança, Techerinha moveu-se lentamente para a bola, e com um movimento inusitado fez o gol da vitória, para espanto e protestos dos adversários.

Ocorreu que Techerinha utilizou-se do seu dom incomum para bater o pênalti: ao aproximar-se da bola ele tirou a jeba para fora e deu uma raquetada na pelota que quase furou as redes do adversário.

Criou-se uma celeuma então: gol de pinto vale? Na regra não há nada contra, argumentavam os brasileiros, mas o goleiro adversário disse enfaticamente: “Ora, se ele quer usar sua terceira perna pra bater pênalti tudo bem, o que não pode é bater na bola descalço!”.

O juiz estava pronto a aceitar essa tese quando Techerinha então lhe falou algumas palavras no ouvido. Dando razão ao craque, o árbitro correu ao meio de campo e validou o gol.

Não se sabe ao certo o que Techerinha disse ao apitador, mas na súmula que está arquivada no Supremo Tribunal Federal da Noruega consta que o craque foi o primeiro bater um pênalti DE CABEÇA.

 

nov 222011
 

 

– Oi.

– Oi, cara.

– Triste isso, hein?

– Ninguém esperava.

– Olha pra ele, até morto ficou bonitão.

– Não é a toa que diziam que, apesar de careca, ele era um gato.

– Mas também, quando abria a boca…

– Vixi, nem fale!

– Vai fazer falta. Menos nas peladas de terça, seja jogando no gol, seja apitando.

– Como juiz era um ladrão sem-vergonha. Como goleiro era só sem-vergonha.

– Verdade, ele só jogava porque era bonito.

– Só! Ele aproveitava do fato de parecer com o Gigio.

– Vem cá, você acha que ele era?

– Atleticano? Sim, apenas disfarçava que era flamenguista.

– Não, não isso… É que, você sabe, morando tantos anos ali naquela região, frequentador do Shopping Frei Caneca…

– Ah, isso! Acho que não, ele era casado.

– Isso não quer dizer nada, eu mesmo…

(23 segundos de silêncio constrangedor.)

– Oi, gente.

– Oi, cara, graças a Deus você chegou!

– Ãh?

– Nada não. Nós estávamos falando da falta que ele vai fazer.

– Sim, sim. É uma pena. Mas eu estou curioso pra saber como é que eles fizeram para acomodar aquele cabeção dentro do caixão.

– Ele tinha que ter um cabeção, senão não caberia aquela língua dentro da boca.

– Só! Falava pra caramba esse japonês! Lembra aquela vez que ele saiu numa sexta à noite, com um livro debaixo do braço, e quis nos convencer de que ia estudar?

– Também, depois que ele se atracou com a Godzila na frente de todo mundo, não podia mais dar bandeira!

– Foi naquele dia que ele subiu que nem o homem-aranha na parede do banheiro do bar, né?

– Ah, é! E quando os caras começaram a falar ele pegou aquela Brasília que ele tinha e saiu todo nervoso, dizendo “nessa quem se fudeu fui eu, nessa quem se fudeu foi eu”!

(Os três riem alto, alguém no fundo faz “shhhhh”.)

– Depois ele trocou a Brasília por aquele Lada vermelho, que ele trouxe lá da casa dele, em Ribeirão Preto.

– O famoso Lada no qual só se ouvia Ramones! Acho que o curso de Serviço Social inteiro andou naquele carro!

– Mas ele só levava pra passear, não comia ninguém.

– Que nem eu…

– Que nem eu…

– Que nem eu…

(Os três suspiram simultaneamente).

– Vamos tomar uma antes do enterro?

– Vamos sim. Podem deixar que eu pago.

– Tá cheio de grana assim?

– Mais ou menos. Tô com um cheque de cento e cinquenta reais que ele me deixou pra pegar um mototáxi…

 


– 



* O texto acima é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas reais é mera coincidência. Agora, se a semelhança for com um bando de caras escrotos, então é sacanagem mesmo.


nov 162011
 

Techerinha foi muito melhor do que Garrincha. E muito maior, também. Embora o craque das pernas tortas tenha fama de bem dotado, ele era um oriental quando comparado a Techerinha, que sempre soube tirar vantagem dessa sua exuberância em campo. Várias são as passagens pintorescas, digo, pitorescas, dentro e fora das quatro linhas, em razão desse outro talento.

Certa vez o Presidente do JAC DA FLORESTA, o Engenheiro Doutor Marco Assoni Lago, procurou Techerinha para tomar satisfações. Disse ele que alguns jogadores estavam incomodados com a curiosa forma pela qual o craque se masturbava no vestiário, depois de tomar banho. O Magnânimo deu risada e explicou, com seu jeito simples: “Não é nada disso, Seu Eng. Dr., eu não punheto, não! É que eu num acustumo com o tar de cotonéti, por isso uso a chapeleta pra secar os orvido!”.

Esse seu avantajamento era muito útil dentro de campo. Bastava um zagueiro encostar na marcação pra que o craque ameaçasse: “Hmmm, roça não qui créci!”. Era o suficente para fazer o adversário afastar-se, deixando-o livre para jogar como bem sabia.