jan 262016
 

 

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“Tempo é relativo”, me diz o Óbvio, sentado ao meu lado enquanto escrevo estas linhas.

Já se passaram muitos dias desde a última postagem e ele está aflito, esperando ser alimentado. Tenho me contido durante esse período para não me render ao seu chamado, mesmo que seja tentador e às vezes coberto de razão.

Em relação à relatividade do tempo, por exemplo, ele está certo: ontem fez 21 anos desde aquele show do Lulu Santos do Ibirapuera mas parece que foi… ontem. Minhas férias inteiras duraram menos que as horas que sentei em frente ao computador depois que voltei ao trabalho.

Mas tenho lutado para não me render ao Óbvio e seu sorriso vazio de satisfação. Por mais que ele continue a me espreitar a cada bate-papo, a cada mensagem trocada, a cada olhada no Facebook, aguardando pacientemente minha resposta a um comentário qualquer.

Essa minha resistência, todavia, tem causado o hiato nas postagens e algum ressentimento. O dia mais emblemático foi quando David Bowie morreu.

Assim que soube da morte do cantor o Óbvio ficou ululante. Abriu o notebook e leu cada comentário sobre a genialidade artista rindo de si mesmo, enquanto aguardava a minha participação no rol de homenagens sem fim. Ele sabia que sou fã do Bowie e que isso certamente renderia um post consagrador a ele (consagrador ao Óbvio, quero dizer).

Mas minha decisão de não escrever por entender que não haveria algo original para postar foi um golpe duro, que o deixou decepcionado comigo. Depois de tantos anos enriquecendo suas fileiras, o Óbvio se sentiu traído pela minha atitude.

Aos poucos, porém, vejo que ele está se recobrando e se sentindo mais forte, mais confiante. Ambos sabemos o porquê. É certo que, por mais que eu tente, cedo ou tarde não resistirei aos seus apelos e voltarei a colaborar com ele.

Quando digo “com ele” me refiro ao Óbvio, claro.

 

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maio 082014
 

 

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Aquele era um sábado de rock, bebê, e começou bem cedo, quando encontrei o Marcelo Nova na Rodoviária do Tietê antes das 6h da manhã. Infelizmente não fui falar com o cara, mas eu ainda teria novas chances de tietar rockstars nas próximas 24 horas.

Eu fui cedo para a rodoviária paulistana porque iria pegar um ônibus até capital paranaense, aonde estava acontecendo o Curitiba Pop Festival. Além de várias atrações nacionais, naquela noite iria tocar pela primeira vez no Brasil o Pixies, banda não muito conhecida do grande público mas muito importante e influente no mundo do rock alternativo.

Meu ingresso eu consegui na última hora. Três amigos tinham se programado para ir ao festival, mas o Fernando afinou, digo, precisou desistir. Como a minha ida não estava prevista a logística foi um tanto maluca: perdi os shows da sexta, e quando cheguei em Curitiba no começo da tarde o Pires e o Adauto já me esperavam no hotel, prontos para irmos à Pedreira Paulo Leminski. Para a viagem de volta eu tinha comprado uma passagem de um vôo da Vasp que sairia às 7h do dia seguinte e levaria meros 40 minutos para fazer o trajeto que de ônibus dura 6 horas – eu queria chegar antes do almoço em casa porque no domingo seria o Dia das Mães.

 

Pixies set list

 

Chegamos os três por volta das 15 horas no local ainda vazio. Acomodamo-nos na frente do palco e vimos todos os shows, dos quais eu destaco o do Mombojó e o dos Autoramas. Só saí dali uma vez, para comer um lanche e ir ao banheiro, mas quase não consegui voltar graças ao milhares que agora se aglomeravam em busca do melhor lugar. Depois de algum jeitinho, apertos e cotoveladas consegui chegar à frente, e quando começou o show principal estávamos eu e o Adauto bem próximos ao palco, encostados na grade. O Pires não teve tanta sorte – ou foi mais educado – e foi levado pela multidão. Só nos reencontramos depois que tudo tinha acabado.

Eu sei que a maioria das 3 ou 4 pessoas que vão ler isso aqui talvez nem conheça o Pixies, mas eu confesso que na época também não sabia quase nada sobre a banda. Conhecia só Here Comes Your Man e Gigantic, mas sabia que o show valeria a pena, e que aquele seria um momento histórico. Pena que eles voltaram outras vezes ao Brasil, senão teria sido mais histórico ainda…

Depois do fim do show fomos até o hotel onde tomei um banho e deitei na cama por uma hora, até sair para pegar um táxi. Quando estava andando pelo saguão do aeroporto tive uma surpresa: os Pixies também estavam ali, tomando um café antes de viajar.

Vacilei mais uma vez, mas quando encontrei com eles na área de embarque decidi falar com o grupo. Meu gesto fez com que outras pessoas que estiveram no show também se aproximassem, e uma garota que tinha o inglês melhor que o meu me ajudou a conversar a banda, que foi muito simpática (o Frank Black nem tanto, é verdade). Foi naquele momento que descobri para que serviam as câmeras em telefones celulares – nessa época poucos modelos traziam o acessório, e infelizmente o meu não era um deles.

 

Pixies - autógrafos

 

Se não fosse por esse encontro a minha opção pelo vôo teria sido um completo fiasco: o mau tempo fez que a pista do aeroporto ficasse fechada a manhã inteira, e só consegui embarcar por volta das 13h. No final das contas, se tivesse voltado de ônibus teria chegado mais cedo para o almoço de Dia das Mães.

Por outro lado, não teria pego os autógrafos da banda e a Kim Deal não teria tido a chance de conversar com o rapaz from Jacarai, Sao Paolo.