maio 262015
 

 

Série Graphic Novel #02 Demolidor

 

Nos meus tempos de moleque, o Demolidor era o Sawamu dos desenhos japoneses.

O Demolidor dos quadrinhos americanos eu só conheci no começo da adolescência, depois que li O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. O sucesso da revista daquele Batman soturno foi tão grande que a Editora Abril passou a publicar histórias mais caprichadas e com temática mais adulta na série Graphic Novel, que trazia bimensalmente uma nova edição com personagens e estilos diferentes.

Não por coincidência, o número 2 trazia uma outra HQ de Frank Miller, dessa vez desenhada pelo magistral Bill Sienkiewicz, e cujo personagem era o Demolidor, o herói cego que veste um uniforme de diabo (no original o personagem se chama Daredevil) e combate os criminosos de Nova York.

Comprei meu exemplar na banca de revistas que ficava em frente ao Supermercado Dias, gastando todos os duzentos cruzados que ganhei por lavar o carro do meu pai, e acho que mais um parafuso da minha cabeça caiu após a leitura. A arte era completamente diferente de tudo que eu conhecia – tinha colagens, pintura, grafismo, psicodelia e enquadramentos fora do padrão que realçavam os delírios do vilão psicopata.

 

Daredevil by Bill Sienkiewicz,o vilão

 

Mas apesar da edição caprichada e dos desenhos sensacionais, confesso que a revista me deixou desapontado pela “falta de ação”. Eu era jovem e queria ver o Demolidor quebrando a cara de todos os bandidos, por isso não contava com uma história em que o herói tivesse uma participação mais secundária na resolução da trama.

No final de semana passado tirei a revista da caixa em que repousa junto com centenas de outras HQ’s e reli a história com mais prazer do que tive anos atrás. Agora, mais maduro e vivido, pude compreender melhor as nuances do texto que complementa aquela arte tão única.

 

MARVEL'S DAREDEVIL

 

Meu interesse em reler a história após tanto tempo nasceu depois de ver a série do Demolidor, produzida pelo Netflix.

Trata-se de uma adaptação para televisão muito boa. A essência do herói foi mantida, assim como as dos coadjuvantes. Muitas das ideias dos quadrinhos foram utilizadas, e as “liberdades” tomadas funcionam bem, embora algumas tenham me causado espanto (como deixei de acompanhar as HQ’s faz tempo, pode ser que a morte de determinado personagem não seja algo verdadeiramente novo).

Achei muito interessante mostrar a iniciação de Matt Murdock como herói mascarado ao longo dos treze episódios, sem que houvesse pressa em vesti-lo no uniforme. Quase todas as críticas que vi elogiaram a série, e em apenas um texto o autor reclamava da “falta de coerência” com os quadrinhos em razão do herói ter se exposto demais para resgatar uma criança no segundo episódio. O insatisfeito reclamou que, para privilegiar a ação, o personagem abriu mão da inteligência que habitualmente usava em suas histórias.

Ora, o Demolidor da série, que ainda nem usava esse nome, é justamente um herói em construção, aprendendo com os próprios erros e em busca de uma causa e uma identidade. Dada a sua inexperiência, seria mesmo natural que no início de carreira usasse os punhos em detrimento do cérebro.

É preciso amadurecer com os anos para aprender que quebrar a cara de todos os bandidos nem sempre é o que torna alguém um herói (ou uma história) especial.

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fev 152013
 

 

 

Se reconheceu a canção acima, certamente você tem mais de trinta anos.

Muito antes do MMA, a febre era o kickboxing, que no Brasil recebeu os nomes de boxe tailandês e chuteboxe quando aqui chegaram as lutas de Sawamu, O Demolidor.

O desenho passava à tarde, no canal 7 (TV Record), junto com as aventuras do Speed Racer, Phantômas, O Judoca e outros clássicos animes japoneses. Foi com Sawamu que aprendemos  A Técnica Definitiva, que é o nome oficial do “salto no vácuo com joelhada”,  golpe mortal que todos os moleques um dia tentaram realizar.

 

 

O curioso é que o desenho foi inspirado em um lutador real, o japonês Tadashi Sawamura (cujo verdadeiro nome era Hideki Shiraha), ícone entre os praticantes de artes marciais. Sua fama é tão grande que, além do anime e de participar de um episódio do Ultraman nos anos 70, ele ainda serviu de inspiração para um Pokémon!

 

Aqui ele recebeu o nome de Hitmonlee, mas no Japão ele é conhecido como Sawamurá

Aqui ele recebeu o nome de Hitmonlee, mas no Japão ele é conhecido como Sawamurá

 

Para finalizar, Sawamura, não o desenho, nem o Pokemon, em ação:

 

 

Mas não sabia que seu mundo era pequeno
E os insetos que vagam pelos charcos
Têm poucas chances de alcançar o oceano…