ago 222013
 

 

maus3

 

Terminei de ler MAUS, que não à toa é considerada uma das melhores obras em quadrinhos de todos os tempos.

O autor conta a história de seu pai, sobrevivente do Holocausto, utilizando animais para caracterizar os povos envolvidos nos acontecimentos: os judeus são ratos (maus, em alemão), os alemães são gatos, os americanos são cães, etc. O traço é simples, mas serve ao enredo de forma extremamente eficiente.

 

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A metaliguagem é outro instrumento que enriquece a história. Imagino o quanto deve ter sido difícil, e ao mesmo tempo libertador, escancarar tantos sentimentos.

Maus é do tipo de obra que faz entender o que é arte.

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Outro dia estava vendo um jogo, tinha tomado algumas cervejas e alguém falou no Twitter de uma promoção. Foi assim que acabei comprando uma caixa com 20 filmes do Woody Allen.

 

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O primeiro que vi até agora foi BANANAS, que começa com uma transmissão ao vivo pelo canal de esportes de um evento muito concorrido, que seria nada menos que o assassinato do presidente de uma republiqueta latino americana – com direito a entrevista exclusiva com esse presidente.
O filme é um escracho total. Fala de relacionamentos (claro, é Woody Allen), tem gozação política, uma parte de tribunal e é todo muito engraçado.É interessante também ver Sylvester Stallone, antes da fama (o filme é de 1971), fazendo uma ponta como marginal do metrô.

 

Bananas-Mugging-Scene

 

Quase nunca a mistura rede social+cerveja+impulso+cartão de crédito dá um resultado tão bom.

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Falando em jogo,  meu São Paulo vai muito mal. No ano passado o Palmeiras ainda enganava sua torcida com alguns resultados bons de vez em quando.

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Outra noite sonhei que destruíram meu carro e no dia seguinte, por coincidência, por duas vezes quase bati. Tanta coisa boa que sonho que não chega nem perto de se tornar realidade, só faltava essa…

 

 

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jul 262013
 

 

joel

 

Quarta-feira o Atlético-MG tornou-se o mais novo campeão da Taça Libertadores da América. Foi o melhor time do torneio e, embora tenha desclassificado o São Paulo, torci a seu favor. Bem, na verdade torci mesmo pelo Cuca, que é um técnico que faz bons trabalhos e que precisava de um título assim (sempre é bom lembrar que em 2004 o Cuca foi o responsável pela montagem do time do Tricolor que viria a se tornar Tri-Campeão da Libertadores em 2005).

Apesar do Ronaldinho Gaúcho ter feito boas partidas, o grande herói da campanha atleticana foi Victor, que eu considero como um goleiro bom, não mais que isso. Acho que ele solta umas bolas esquisitas e rebate outras meio sem-jeito, mas pegou pênaltis fundamentais e teve durante toda a campanha muita, mas muita, sorte.

(É bom frisar que não acho que dizer que alguém tem sorte é demérito. A sabedoria popular nos ensina que sem sorte não se toma nem sorvete).

Mas fora o merecimento do técnico e o heroísmo do goleiro, é preocupante perceber que em 2013 o Atlético-MG é o campeão da Libertadores e o São Paulo vai passar em branco e lutando contra o rebaixamento. Aconteceu alguma coisa de muito errada com esse mundo.

Também é preciso perceber que o título atleticano é mais um sintoma que a Libertadores tornou-se esquisita. Não é justo, porém, dizer que isso começou no ano passado, com o Curíntia – embora tenha sido este um fato grave. Já em 2010 tivemos a anomalia de ver o Celso Roth campeão.

Do jeito que andam as coisas, ano que vem dá Figueirense. Com o Joel Santana de técnico.

 

 

 

 

maio 032013
 

 

Eu tentei escrever uma crônica sobre o jogo do São Paulo que ontem fui ver no Morumbi, mas não consegui terminá-la. Assim como a partida, o começo foi promissor, mas de repente o texto empacou e o resultado foi decepcionante.

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Tem uma história que eu queria contar sobre um cara que começou a odiar um carro por causa de uma desilusão, mas ainda não consegui arrumar um final satisfatório, não sei se o desfecho deve ser feliz, melancólico ou esperançoso. O texto continua como rascunho, de vez em quando volto nele e remexo em tudo, mas o resultado ainda não me agrada então eu volto a salvá-lo para em outro dia começar tudo de novo.

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Sou a favor da redução da maioridade penal, mas acho que implantar tal medida agora traria mais problemas do que soluções. Tentei explicar em um texto que existem outras questões mais importantes a serem tratadas com urgência, e que na verdade a discussão atual apenas tem servido para esconder a ineficácia e ineficiência de nossas autoridades, mas está difícil arranjar os pensamentos de forma coerente.

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Fiz uma montagem, brincando com uma música que tem feito sucesso, mas o resultado ficou tão ridículo que estou com vergonha de publicar. Se depois de tudo o que já postei eu não tive coragem de colocar essa montagem no blog, imagine então como isso ficou ruim.

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A minha falta de inspiração é tão grande que a melhor ideia que tive foi escrever sobre minha falta de inspiração…

 

 

jul 242012
 

 

 

A falta de decoração surpreendeu o visitante. Ele imaginou que encontraria algo como cortinas esvoaçantes, luz negra, símbolos e objetos de cristal, mas na pequena sala não havia nada disso. No cômodo estavam apenas duas cadeiras e uma mesa, coberta com uma toalha branca, e sobre tal mesa repousavam duas caixas de madeira. Na caixa à sua direita estava marcado “3” e, na outra, estava gravado um “G”.

A luz fraca que vinha de uma pequena claraboia era insuficiente para iluminar todo o cômodo, mas o visitante era um homem que estava de bem com a vida e por isso não se importou com a escuridão. Sua única preocupação era com o que a imprensa diria se descobrisse essa sua ida a um vidente, mas no meio do futebol a crendice e a superstição são tão comuns que o fato dificilmente chamaria muita atenção.

O anfitrião chegou apresentando um ar solene, e o visitante logo se apresentou:

– Boa tarde, El Gigio, eu sou o técnico…

– Antenor é sua identidade.

– Bá, ninguém me chama assim, todos me chamam pelo apelido, mas está bom! Então tu deves saber o motivo de minha visita a este local. Acabei de ganhar um título importante e preciso me preparar para o campeonato no final do ano, que deve ter muita…

– Competitividade.

– Isso! Vamos representar milhões de pessoas e isso exige…

– Responsabilidade.

– Perfeito. Quero que todos da nossa…

– Comunidade.

– É… que todos se concentrem na…

– … viabilidade…

– … da conquista. Correto, El Gigio! Gostei do seu jeito: não fala muito, não fala muito. Peço que sejas então direto na resposta: vamos ser campeões do mundo?

– Há possibilidade.

– Bom, isso é bom. Mas preciso fazer algo para aumentar a …

– Probabilidade.

– É! E que meus comandados tenham…

– … confiabilidade…

– … no seu futebol e com todas as forças lutem pela…

–  … titularidade…

– … na equipe! Fantástico! Impressionante como falas a minha língua! Tens algo que possas fazer, El Gigio?

O vidente olhou fixamente para as duas caixas de madeira que estavam sobre a mesa, até que abriu aquela que estava marcada com um “G”. Pegou uma faixa de pano com um grande olho desenhado e amarrou em sua própria cabeça. O visitante estranhou a escolha, pois achava que o Terceiro Olho ficava na outra caixa, e então perguntou:

– Não entendi, El Gigio. Achei que o famoso Terceiro Olho estava na outra embalagem, marcada com o “3”, então para que pegaste esse aí marcado com um “G”? É algo especial para me passar bons fluídos?

– Adiposidade.

– Adiposidade? Como assim adiposi… Putamerda! Esse é um olho gordo! Tu vais me secar! Por que fazes isso?

– Rivalidade!

– Que filho da … – Antes de terminar o palavrão o visitante saiu correndo pela rua.

El Gigio tirou a faixa da cabeça e recolocou-a na caixa. Abriu então aquela marcada com o “3” aonde estava outra faixa, de três cores, marcada com três estrelas douradas, e  mormurou: “Tricolorbilidade”.

 

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Outras histórias de El Gigio podem ser vistas aqui

 

dez 192011
 



Todo mundo esperava a vitória do Barcelona, mas acho que ninguém acreditava em uma derrota tão acachapante do Santos.

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As manchetes falam que o jogo de ontem deixou clara a necessidade de repensar o futebol brasileiro, o que é verdade, mas isso não decorre apenas da goleada da véspera. Já faz muitos anos que os times europeus demonstram superioridade sobre os sulamericanos, mesmo quando perdem.

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O último time brasileiro que foi superior a um europeu foi o São Paulo de 92. Nenhum outro time nacional depois disso derrotou seu adversário demonstrando um futebol melhor. O time campeão de 93 era bom também, mas não era melhor que o Milan. O Grêmio de 96 talvez fosse igual ao Ajax. Depois disso, todos os times jogaram apostando em retrancas absolutas e contra-ataques fortuitos, e aconteceu de vez em quando de dar certo, inclusive no tricampeonato tricolor de 2005 e no título do Inter no ano seguinte.

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Aquele São Paulo de 92 era um timaço (não só pelo jogo contra o Barcelona – as duas partidas contra o Palmeiras, na final do Paulistão daquele ano, foram antológicas). Contudo, apesar dos títulos conquistados, acho que o time de Telê não é reverenciado hoje como deveria, mesmo tendo Cerezo, Raí, Muller, Palhinha, Zetti e Cafu (que jogava como meia!).  Você pode até argumentar que nas outras posições não havia craques, mas dos titulares do Santos ontem, por exemplo, apenas Neymar e Arouca seriam titulares – ou você colocaria Ganso, a promessa, no lugar de Raí, o decisivo?  

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O Brasil precisa sim repensar a sua filosofia de futebol. O campeonato brasileiro parece que acertou sua fórmula, agora é hora de acertar os times. O problema é que não vejo sendo possível tendo Mano Menezes no comando da Seleção.

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Ah, já ia me esquecendo: perder de quatro na final do Mundial pro Barcelona é feio, mas não é pior que ser desclassificado pelo Tolima na pré-Libertadores.

dez 042011
 
Sócrates foi um dos personagens fundamentais para a minha formação futebolística, ainda que tenha jogado em um time adversário do meu. 
Lembrar de Sócrates é recordar meu pai, corintiano roxo, mas que assim como o Doutor nunca deixou de comemorar as alegrias do seu sãopaulino mais próximo.
Meu amigo Helton, também sãopaulino, diz que Raí foi craque, mas Sócrates foi gênio. Concordo plenamente.

 

nov 112011
 
Recebi centenas de milhares de reclamações quanto a problemas para deixar comentários, por isso revi algumas configurações e espero que as coisas agora funcionem.
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A única coisa que salvaria o final de ano dos sãopaulinos seria chegar o Corinthians X Palmeiras da última rodada com um precisando vencer para ser campeão, o outro necessitando da vitória para não ser rebaixado, e o jogo acabar em empate.
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Todo mundo falando da ousadia do Santos em manter o Neymar no time. Grande coisa! Queria ver é se eles teriam a mesma coragem do São Paulo, que mantém o Marlos e o Fernandinho em seu elenco.
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Comprei as biografias de Lobão e Keith Richards, que vão se juntar na minha estante às de Ozzy Osborne e Tim Maia. Não tenho como negar que acho a vida de gente normal desinteressante.
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Falando em biografias, #ficaadica para um bom presente de Natal :
Que fique bem claro: esse eu ainda não tenho 😉