fev 272014
 

 

prometheus

 

PROMETHEUS. Mas não cumprius.

Achou o trocadilho ruim? Pois ele está no mesmo nível que o filme, que passou no cinema faz uns dois anos mas eu só vi dias atrás.

Essa mania de mexer com clássicos é sempre algo muito perigoso, e neste caso a ideia era contar as origens dos Aliens, uma grande franquia que tem dois filmes muito bons (os dois primeiros; dos outros eu nem lembro). Como o diretor seria o mesmo do clássico O Oitavo Passageiro, Ridley Scott, achei que poderíamos ter algo interessante para ver.

Mas o resultado é decepcionante. A história é cheia de clichês (é fácil saber quem serão os primeiros a morrer) e deixa várias pontas abertas com sequências e diálogos que não levam a lugar nenhum. Para um filme que pretendia abordar a origem da vida – não só a alienígena, mas também a humana – o resultado acabou sendo muito raso.

Está sendo preparada uma sequência para ser lançada em 2015, talvez algumas dessas brechas abertas sejam então preenchidas, mas terei menos pressa ainda para ver esse filme.

 

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robocop 2014

 

ROBOCOP foi outro clássico da ficção que voltou aos cinemas, mas nesse caso a escolha pela reinvenção do personagem foi mais bem sucedida.

O diretor brasileiro José Padilha cumpriu bem o seu papel de contar uma história completamente nova do policial do futuro. Do original temos apenas os nomes de alguns personagens e a premissa básica do tira que se transforma em um robô.

O novo Robocop, embora se passe num futuro próximo, é um filme que espelha bem o tempo em que foi filmado, assim como o original era um produto típico dos anos 80. Basta conferir as diferenças entre os executivos da Omnicorp: os yuppies, homens de ternos bem cuidados e assumidamente gananciosos de outrora deram lugar a caras despojados que usam do carisma e do marketing para manipular e atingir seus objetivos.

Falta ao Robocop preto de hoje o cinismo e violência que o filme do Robocop cinza tinha, mas quanto a essa segunda característica já dava para saber que seria assim. Por outro lado, as discussões sobre o uso de drones, violência, direitos civis e papel da imprensa são bem interessantes. Como saldo temos que este filme é menos pretensioso que Prometheus porém traz mais conteúdo, pelo que vale a pena ser visto.

Ah, vale reforçar: o cara que faz o jornalista sem escrúpulos é o Samuel L. Jackson, e não o Laurence Fishburn.