dez 202012
 

 

 

Então amanhã é o grande dia!

Segundo dizem que os maias disseram, o mundo acabará nessa sexta-feira, dando fim a todas as dores, sofrimentos, desilusões, tristezas, etc. Também acabarão as alegrias e os prazeres, mas nada é perfeito, nem o armagedom.

Percebo, todavia, que o pessoal não está levando muito a sério a possibilidade de tudo terminar. Todos têm planos para o Natal e o Ano Novo, e muita gente já prometeu que vai trabalhar menos e fazer dieta o ano que vem. Acho que esta descrença decorre da decepção com o ano 2000, que além de falhar em dar cabo deste planeta ainda manchou a reputação do pobre Nostradamus, de quem nunca mais ouvimos falar.

Mas se dessa vez o dia do Juízo Final chegou de verdade, o prazo agora é curto para resolver todas as pendências. Eu, por exemplo, já me conformei que não vai dar tempo de fazer tudo o que gostaria então fiz o que era possível: preparei uma lista de músicas que poderá servir de trilha sonora para os nossos últimos minutos sobre a Terra:

  • It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)

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  • Until The End Of The World, U2

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  • When The Man Comes Around, Johnny Cash

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  • O Trem das 7, Raul Seixas

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  • Só O Fim, Camisa de Vênus

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  • Gimme Shelter, Rolling Stones

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  • My Way, Sex Pistols

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  • Lake Of Fire, Nirvana

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  • Tomorrow Never Knows, The Beatles

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  • Apocalypse Dreams, Tame Impala

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  • O Último Dia, Paulinho Moska

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  • No Surprises, Radiohead

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  • The End, The Doors

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I’ll never look into your eyes again???

set 282012
 

 

Power Rangers no Walmart (!?!)

 

Outro dia fiz um post sobre como nasceu a Saudosa Maloca, e ao procurar por fotos para ilustrá-lo deparei-me com uma dificuldade: tenho poucos registros daquele tempo. Eu não disponho, por exemplo, de nenhuma foto em que todos os membros originais da república estejam juntos.

Fotografia era algo bem mais complicado há algum tempo, bem diferente do que é hoje em dia, quando podemos flagrar a qualquer momento uns malucos que entram no supermercado vestidos de Power Rangers.

 

***

 

Dias atrás eu estava ouvindo Nevermind, do Nirvana, e nesta semana vi que se comemorava o vigésimo aniversário de lançamento do disco. A notícia foi daquelas coisas que fazem você perceber como o tempo passou rápido, mas o pior é que a informação estava errada: Nevermind foi lançado em 1991, então já se foram 21 anos!

 

 

Foi o disco mais importante da minha geração e é difícil explicar para os mais novos o impacto que aquele trabalho trouxe. Já é dificil fazê-los acreditar que houve um tempo em que as rádios tocavam rock…

(Se você pensou “Ah, mas hoje também toca rock, tipo assim, Fresno, Restart, CPM22…” saia deste blog agora e nunca mais volte).

 

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Se é complicado falar da importância do Nirvana, imagine então como é tentar explicar quem foi Ted Boy Marino, que morreu ontem.

 

O Ted Boy Marino é o que está de joelhos (eu acho)

 

Poderia dizer que Ted Boy Marino foi um lutador de telecath que participou dos Trapalhões, no canal 5 do VHF, que eu via num televisor National que um dia precisou trocar a válvula.

Parece que falei em outra língua.

 

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E hoje seria aniversário do Tim Maia, um artista tão grandioso que, se não tivesse sido tão porralôca, poderia ter sido um sucesso mundial.

Mas que, se não tivesse sido porralôca do jeito que foi, talvez não fosse hoje tão grandioso.

 

Tim Maia Racional – Ela partiu.mp3

 

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Às vezes parece que fui eu que nasci há dez mil anos atrás.

 

 

jun 052012
 

 

A versão mais conhecida de Where Did You Sleep Last Night é a aquela do Nirvana, feita para seu álbum acústico:

 

 

A versão mais sombria foi realizada anos depois, pelo Mark Lanegan:

 

 

Mas a versão original é de 1944, de um bluesman chamado Leadbelly:

 

 

Where the sun don’t ever shine

 

maio 292012
 

 

 

Outro dia vi uma velha entrevista do Renato Russo em que ele dizia, envergonhado, que não tinha gostado do Nevermind. O vocalista admitiu que sentia-se um tanto constrangido por não ver graça no Nirvana e em toda a cena grunge que dominava o cenário do início dos anos 90 (cabe lembrar que Renato tinha sido punk, e era um grande conhecedor de rock, embora às vezes cometesse umas italianadas e menudices sem sentido).

Acontece nas melhores famílias: um monte de gente que você respeita acha algo ou alguém genial, mas você não compartilha daquela empolgação e se sente meio culpado por isso.

Eu, por exemplo, carrego o remorso de não gostar de Bob Dylan. Por mais que saiba que ele é um dos maiores artistas de todos os tempos, e reconheça que ele tenha sido fundamental para toda a cultura gerada a partir dos anos 1960, apenas consigo ouvir três ou quatro de suas músicas. E eu bem que tentei: comprei uma coletânea e um álbum (Modern Times, que foi bastante elogiado no seu lançamento) mas não teve jeito.

Acho que meu inglês é capenga demais para entender a profundidade de sua obra e para perdoar sua voz roufenha, mas isso não me parece tão verdadeiro quando lembro que adoro Neil Young, que também canta em inglês e não tem uma das mais belas vozes do mundo.

 

 

No fundo, acho que é tudo uma questão de gosto, coisa que não se discute – ainda mais consigo mesmo.

mar 082012
 

 

 

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Foi mais uma noite frustante, então sigo pela estrada de volta para casa, pisando fundo no meu Gol GTI até que o barulho do ar que passa pelo quebra-vento encubra o som dos auto-falantes. Antes de aumentar o volume eu troco a fita no Roadstar; coloco aquela que tem a música que fala que não foi tempo perdido e que somos tão jovens.

Canto com a voz embargada pelo álcool, e por instantes perco a atenção na estrada, distraído pelas luzes do equalizador Tojo que se acendem e se apagam no ritmo da canção.

Chego em casa, ligo a Telefunken e giro o seletor de canais procurando pelo Comando da Madrugada, sem sucesso. Lembro que a antena VHF foi movida pela tempestade de dias atrás, então se quiser ver algo no televisor terei que me contentar com os vídeos gravados no G9.

Em cima da escrivaninha a Olivetti continua parada com uma folha em branco, penso que há dias não consigo escrever nada. Talvez mais uma dose me ajude a clarear a mente. Tomo várias, só para garantir.

Ao lado dos cartões postais na estante fica a minha coleção da Bizz, e o Kurt na capa da edição de abril parece me olhar com desaprovação. Faço cara de pouco caso, mas no fundo sinto por tê-lo decepcionado.

Como o silêncio da noite me incomoda, ligo o 3 em 1 e coloco um disco para ouvir sobre a luz que nunca se apaga. Ao voltar para o sofá tropeço no projetor de slides, e ele, como se ganhasse vida, começa a funcionar, iluminando a parede com uma imagem sua.

Puxo o telefone pelo fio e disco o seu número para te dizer umas verdades. Aposto que você olha para a brilhante tela sensível ao toque do seu moderno Iphone e pensa mil vezes antes de atender, e quando o faz me xinga, me chama de maldito, diz que eu sou louco por ligar outra vez e que vai chamar a polícia, e ao fim implora que eu volte a seguir com a vida e me faz prometer esquecer o que passou.

Ambos sabemos que não vou cumprir mais esta promessa. Sou um homem de hábitos, baby, e alguns são difíceis de mudar.

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