maio 292012
 

 

 

Outro dia vi uma velha entrevista do Renato Russo em que ele dizia, envergonhado, que não tinha gostado do Nevermind. O vocalista admitiu que sentia-se um tanto constrangido por não ver graça no Nirvana e em toda a cena grunge que dominava o cenário do início dos anos 90 (cabe lembrar que Renato tinha sido punk, e era um grande conhecedor de rock, embora às vezes cometesse umas italianadas e menudices sem sentido).

Acontece nas melhores famílias: um monte de gente que você respeita acha algo ou alguém genial, mas você não compartilha daquela empolgação e se sente meio culpado por isso.

Eu, por exemplo, carrego o remorso de não gostar de Bob Dylan. Por mais que saiba que ele é um dos maiores artistas de todos os tempos, e reconheça que ele tenha sido fundamental para toda a cultura gerada a partir dos anos 1960, apenas consigo ouvir três ou quatro de suas músicas. E eu bem que tentei: comprei uma coletânea e um álbum (Modern Times, que foi bastante elogiado no seu lançamento) mas não teve jeito.

Acho que meu inglês é capenga demais para entender a profundidade de sua obra e para perdoar sua voz roufenha, mas isso não me parece tão verdadeiro quando lembro que adoro Neil Young, que também canta em inglês e não tem uma das mais belas vozes do mundo.

 

 

No fundo, acho que é tudo uma questão de gosto, coisa que não se discute – ainda mais consigo mesmo.