nov 272012
 

 

Eu sou mesmo um chato em relação à música que ouço.

Acredito que não existe esse negócio de “ah, eu gosto de tudo”. Quem gosta de tudo na verdade não gosta de nada, apenas ouve o que tocam por aí mas não aproveita coisa alguma. Pra mim a música tem que tem algum sentido, tem que trazer alguma sensação, e isso muitas vezes independe até da letra que está sendo cantada.

Admito, porém, que cada situação tem seu fundo musical apropriado. Samba cai melhor numa feijoada que Ramones, por exemplo.

(Nunca vou esquecer da vez que estava na praia, sob um céu azul e com umas caipirinhas na cabeça, e do quiosque surgiu a voz de Clara Nunes entoando “O Mar Serenou” – não tenho uma música dela sequer na minha coleção, mas foi um daqueles momentos perfeitos que fazem a vida valer a pena).

O problema de selecionar o que se ouve é que muitas vezes nos acomodamos e deixamos de procurar coisas novas, pois caímos na besteira de achar que só o som “do meu tempo” é que presta. Conhecer os clássicos é fundamental, claro, mas tem música boa sendo feita por aí, basta dar uma chance.

Falo isso tudo porque esses dias eu me impressionei com TAME IMPALA. Tinha todo um zum-zum-zum sobre os caras, mas ainda assim eu resisti um pouco, até que ouvi LONEIRISM, o segundo e recém-lançado disco da banda, e gostei muito da viagem psicodélica desses australianos.

Não vou fazer uma crítica do disco já que pessoas mais gabaritadas do que eu (ou não) já fizeram um monte – falam de influências de Pink Floyd, Black Sabath, Beatles fase Magical Mistery Tour e por aí vai. Prefiro colocar para sua apreciação duas músicas:

 

“Endors Toi”, com seus vocais que me lembram John Lennon:

 

E “Feels Like We Go Backwards”, com seu clipe lisérgico:

 

Alguns dizem que é o disco do ano. Acho bem provável que estejam com razão.

 

nov 102012
 

 

Na verdade, não são versões de uma mesma música, mas sim duas canções que têm o mesmo título, extraído da obra de Charles Baudelaire, e que tratam basicamente do mesmo sentimento mas de formas bem diferentes.

Digamos então que são duas versões para a desilusão.

“Flores do Mal” do Barão Vermelho é de 1992, do LP “Supermercados da Vida”. É mais lírica, mais triste, expressa um certo conformismo.

 

Já a música da Legião é a melhor do álbum “Uma Outra Estação” (o pior da banda, pois foi feito apenas com sobras de estúdio em 1997, depois da morte do Renato Russo). Sua letra é mais crua e direta, está cheia de ressentimento e raiva.

A mesma mão que acaricia, fere e sai furtiva…
…Porque mentir é fácil demais.

 

Atualização: Meu amigo Bica, além de me avisar que tinha grafado o nome do poeta de forma errada, também disponibilizou um link de uma obra de Baudelaire que tem tudo a ver, pois o embriagado (de vinho, de poesia ou de virtude) convive melhor com a desilusão.

ago 022012
 

 

 

 

Lembro-me perfeitamente daquele dia.

No extinto Jornal da Tarde saiu uma matéria dando destaque ao lançamento de uma revista do Batman que trazia uma perspectiva mais adulta e contemporânea às suas histórias. Eu não gostava de quadrinhos de super-heróis, mas achei interessante a ideia de um Batman envelhecido, soturno e violento, bem diferente da imagem que eu tinha da série da TV e dos desenhos dos Superamigos, e por isso resolvi dar uma chance para o mascarado.

À tarde fui até a banca e ao supermercado e voltei com a revista e uma barra de chocolate, que levei para o meu quarto escondida para não dividir com ninguém.

Sem exagero, ao final daquela leitura o meu mundo tinha se transformado.

 

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Seria muito mais bonito se eu dissesse que o final da minha infância foi marcado por Proust, Hesse ou Camus, mas foi Frank Miller, com uma história em quadrinhos, que me levou à adolescência. Foi a partir de então que me interessei pelas referências e descobri todo um universo de cultura pop.

Passei até a desenhar, e meu sonho não era mais montar uma banda com meu primo e sim publicar as histórias dos personagens que criava.

Fui atrás dos trabalhos de Miller com o Demolidor, li os X-Men do Chris Claremont, adorava tudo o que o John Birne fazia, mas o meu preferido sempre foi o Batman.

 

 

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O sucesso dos quadrinhos foi tão grande que sempre houve expectativa a cada lançamento de filme, mas os quatro primeiro foram experiências, no mínimo, frustrantes.

A crítica gosta dos dois primeiros, contudo tenho pra mim que Tim Burton é um cineasta superestimado – a bela cenografia de seus filmes geralmente não sustenta as seu jeito fraco de contar histórias. Já os dois outros, do Joel Schumacher, são verdadeiras bombas, e a única coisa que se salva é a música do U2 para Batman Forever

 

 

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Falei disso tudo pra contar que vi O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE. É um filme muito bom, superior ao primeiro dessa nova trilogia (BATMAN BEGINS), mas não é tão impactante quanto o segundo (O CAVALEIRO DAS TREVAS).

Os iniciados nas histórias do morcego reconhecerão algumas ideias na tela (principalmente das sagas O MESSIAS, TERRA DE NINGUÉM e os trabalhos do Frank Miller, claro), e embora existam alguns furos no roteiro a história é boa e dá um final digno à saga – ao contrário do que aconteceu com Matrix, por exemplo.

(Não vi ninguém falando disso, mas acho que Selina Kyle não é chamada de “Mulher Gato” nenhuma vez no filme).

 

 

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Uma boa crítica sobre o filme pode ser lida no blog da Ana Maria Bahiana. E no Scream and Yell você pode encontrar um artigo bem aprofundado sobre as principais histórias em quadrinhos do Batman.

 

 

jul 212012
 

 

Lobão, um dos autoes da música, cantou com Os Ronaldos no filme Areias Escaldantes:

 

 

Cazuza, o outro autor, tocou no primeiro Rock in Rio, numa pegada mais blueseira:

 

 

E Cássia Eller deu um tom mais pesado e sombrio:

 

jun 112012
 

– Já estou pronta? Vamos!

– Que tal irmos ao cinema?

– Cinema? De novo, não!

– Ah, quer saber, não me leve a mal, mas então me leve para casa.

– Por quê? O que houve de errado?

– Eu achei que estar ao se lado bastaria, mas…

– Mas?

– É tolice, eu sei, mas você não sente os meus passos.

– Não estou entendendo aonde você quer chegar!

– Talvez eu seja o último romântico, mas no seu olhar não vejo um louco amor. A emoção acabou.

– Como assim?

– Você não soube me amar. Você nunca me ligou numa tarde vazia, nunca me vez ver mágica no absurdo. Nunca precisei te esconder a verdade, nem inventar uma briga, nem dizer que não estava.

– Não acredito no que estou ouvindo!

– Acho que se a gente não tivesse feito tanta coisa, se não tivesse tido tanta pressa… Mas não imagine que te quero mal, apenas… não te quero mais.

– Então quer dizer que tudo o que vivemos foi desperdício?

– Não, não foi tempo perdido…

– É assim? Pois eu também não sei o que sinto por você. Um dia a gente se vê.

Ela vai embora e ele lamenta, não pelo fim, mas por não conseguir pensar em uma canção que um dia o fará lembrar de tudo o que viveram.

abr 202012
 

 

Só porque eu não gosto de músicas que rimam coração com paixão não quer dizer que eu não tenho sentimentos. Eu gosto de canções que falam de amor sim, principalmente aquelas que não se parecem com canções de amor.

Para ilustrar o que estou dizendo, veja como o Pixies fala de um grande, grande amor:

 

 

Uma das mais belas letras do Radiohead fala sobre o fim do relacionamento em uma música frenética e caótica:

 

 

E entre longos solos de guitarra, Neil Young fala sobre querer amar em uma música de mais de 8 minutos – isso sem ter que repetir setenta e oito vezes alguma idiotice do tipo “quero um amor maior/amor maior que eu”:

 

 

Ser romântico, como quase tudo na vida, é uma questão de ponto de vista.

 

 

mar 212012
 

 

Psicoacústica

 

O Adauto, que é legal, mas não é o Legal, contou que comprou o Psicoacústica, o grande album do IRA!, e sugeriu que eu fizesse um texto de trinta minutos sobre o disco.

Esse foi o segundo LP que comprei, com dinheiro que ganhei de presente de aniversário (o primeiro foi o Dois, da Legião Urbana). Quando fui à loja que ficava na antiga rodoviária de Jacareí fiquei em dúvida se levava o IRA! ou Nenhum de Nós, que fazia sucesso com “Astronauta de Mármore”. Sem desmerecer os gaúchos, escolhi bem.

Embora tenha sido um fracasso comercial e tenha sido marcado por várias polêmicas, Psicoacústica é um discão, que não ficou datado com o dos gaúchos.

 

 

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Quando estava na faculdade vi um show do IRA! na Expoagro de Franca. Na mesma noite aconteceu um show do SKANK que teve muito mais público, por isso poucos gatos pingados puderam ver o Nakano, o japonês mais sacana do mundo, apontando para os francanos enquanto o Nasi cantava “não quero ver mais essa gente feia, não quero ver mais os ignorantes” de “Pobre Paulista”.

 

 

O texto não tem 30 minutos como queria o Adauto, mas pra mim já valeu por lembrar da performance do japonês maluco.

 

nov 112011
 
Recebi centenas de milhares de reclamações quanto a problemas para deixar comentários, por isso revi algumas configurações e espero que as coisas agora funcionem.
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A única coisa que salvaria o final de ano dos sãopaulinos seria chegar o Corinthians X Palmeiras da última rodada com um precisando vencer para ser campeão, o outro necessitando da vitória para não ser rebaixado, e o jogo acabar em empate.
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Todo mundo falando da ousadia do Santos em manter o Neymar no time. Grande coisa! Queria ver é se eles teriam a mesma coragem do São Paulo, que mantém o Marlos e o Fernandinho em seu elenco.
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Comprei as biografias de Lobão e Keith Richards, que vão se juntar na minha estante às de Ozzy Osborne e Tim Maia. Não tenho como negar que acho a vida de gente normal desinteressante.
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Falando em biografias, #ficaadica para um bom presente de Natal :
Que fique bem claro: esse eu ainda não tenho 😉