nov 252014
 

 

Interstellar

 

 

Fui ver MATRIX no cinema na mesma semana que vi GUERRAS NA ESTRELAS – EPISÓDIO 1. Foi um grande choque: o filme de George Lucas, parte de uma das maiores franquias de todos os tempos e que transformou a história da ficção científica, pareceu antigo e pesado perto da piração tecnológica/filosófica de Neo, Morpheus e Trinity. Nem mesmo os efeitos em computação gráfica do universo Jedi foram páreos para a  bullet-time, a supercâmera lenta de Matrix.

Entretanto, os dois filmes seguintes da franquia Matrix não foram tão bons, como já comentei aqui, e outros dois episódios de STAR WARS foram melhores que o primeiro. Chego então à conclusão de que a ficção científica é um dos gêneros mais complicados do cinema, e conseguir um equilíbrio entre a fantasia e a realidade é tão difícil quanto fazer um satélite pousar num cometa.

Digo isso porque eu vi INTERESTELAR, um bom filme, de grandes efeitos especiais e história não tão complexa quando alardeado, mas que peca justamente por se explicar demais, tentar deixar tudo muito plausível.

Quase não há margens para interpretações no roteiro pois toda hora alguém elucida o que está acontecendo para que o expectador possa acompanhar a trama. É certo que conceitos como buraco de minhoca, multidimensionalidade e teoria da relatividade são coisas fora do nosso dia-a-dia, mas em Guerra nas Estrelas, por exemplo, ninguém nos contou o que é o hiperespaço para que aceitássemos as viagens interplanetárias feitas numa galáxia muito, muito distante.

A proposta de INTERESTELAR é diferente, eu sei, mas sair do cinema tentando entender o que viu – e chegar a conclusões diferentes daquelas da pessoa da poltrona ao lado – pode ser a melhor parte da experiência de se ver um filme que traz uma realidade diferente e de propostas claramente ambiciosas.

Reitero, todavia, que INTERESTELAR é um bom filme. Achei GRAVIDADE, que tem menores pretensões, melhor, mas as três horas do filme de Christopher Nolan passam rápido.

Melhor seria se não tivesse os últimos dez minutos, que trazem um final açucarado demais para o meu gosto, mas muita gente gostou da conclusão.

Tudo é relativo.

 

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nov 042013
 

 

 

Elysium-Wagner-Moura-05abr2013-01

 

O cretino colunista da Veja não gostou de Elysium pois achou que este é um filme de ideias comunistas.

Para o colunista cretino, é injusto que o filme mostre como vilões insensíveis os ricos que moram em uma colônia espacial, curtindo benesses exclusivas, completamente isolados do pobres que continuam habitando a Terra. Eles estão ali porque mereceram, ora bolas!

O que não passou pela cabeça do cretino colunista é que o filme é sobre o presente, tempo em que os ricos se escondem nos condomínios cada vez mais luxuosos e de muros mais altos. Esse afastamento social já começou a cobrar o seu preço, mas esperar um pouco de reflexão de um colunista de uma revista cretina é querer demais.

Elysium chama a atenção por ter Wagner Moura em um papel importante,  mas não é um filme bom, nem ruim. Seu problema é justamente estabelecer premissas interessantes mas resolvê-las da forma mais usual, abusando dos clichês de filmes de ação.

Ainda que não seja tudo o que promete, vale muito mais gastar seu dinheiro com o ingresso do filme que para comprar as cretinices publicadas pela Veja.

 

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O Exterminador do Futuro 4 - A Salvação

 

Já tem uns dois anos que saiu, mas eu não tinha visto ainda: O Exterminador do Futuro: A Salvação.

O primeiro Exterminador do Futuro é um dos grandes filmes de ficção científica de todos os tempos, e o segundo é muito bacana também, com efeitos especiais que marcaram época. Já o terceiro é uma xaropada enorme, e creio que foi por desgostar tanto desse filme que não me animei para ver o último, que tem a função de iniciar uma nova trilogia.

E esse quarto filme também foi uma decepção. A partir do meio a história fica sem sentido, e o final é de uma pieguice deprimente (se você não viu ainda, aviso que vou mandar spoiler): o robô/homem/vilão/bonzinho decide doar seu coração para John Connor, pois afinal todo mundo merece uma segunda chance.

Aff…

Com esse filme ruim o Exterminador do Futuro já queimou sua segunda chance de me manter interessado pela franquia.

 

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gravidade filme

 

O melhor filme de ficção que vi recentemente é Gravidade.

Cotado como um dos melhores filmes de 2013 e colocado na condição de favorito ao Oscar, trata-se de uma obra marcante, não só pela boa história, mas também pelas belíssimas imagens que proporciona e pelos ótimos efeitos especiais (altamente recomendado que seja visto em uma sala 3D).

O enredo é simples: dois astronautas ficam à deriva no espaço depois que uma chuva de detritos atinge sua nave espacial, e a luta pela sobrevivência traz algumas considerações bem interessantes sobre morte, motivações, renascimento, etc.

O filme proporciona ainda ótimos momentos de ação e apreensão, mas acho que o colunista cretino da revista cretina também não deve ter gostado, afinal, é mostrada uma estação espacial chinesa, e como a China é comunista…

 

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