fev 272012
 

 

A casa aí em cima ficava na Rua Madre Rita, em Franca. Além de ser a mais feia da rua, que tinha residências de um padrão mais elevado, era a única na redondeza que abrigava uma república, por isso alguns vizinhos não viram nossa chegada com bons olhos. Mas tirando um churrasco ou outro nós éramos bem comportados e nunca demos muitos motivos para reclamação.

A casa tinha uma sala ampla, e depois do almoço no R.U. os colegas iam até lá para ver a Debora Menezes no Globo Esporte (ainda não havia o Tiago Leifert  e o programa não era insuportável como nos dias de hoje). No fundo da casa tinha um quintal grande, e nele duas roseiras, que cismei de cuidar. Não dá pra dizer que fiz um belo serviço como jardineiro, mas pelo menos elas não morreram durante o tempo em que lá vivemos.

A rua era tranquila, e tirando as festas da Didi, que era uma professora da História na Unesp morava na casa da frente, quase nada acontecia. De diferente lembro apenas de uma certa manhã em que fomos acordados por gritos vindos de uma mulher que pedia socorro. Pulamos rapidamente da cama eu, o Helton e o Alessandro (cada um pulou da sua respectiva cama, que fique claro) e corremos para acudir a dama em perigo (não me lembro se o Tomas estava em casa).

Como não havia tempo para abrir o portão, meus amigos saltaram a grade do muro com muita habilidade, e eu fui atrás, também disposto a ajudar. O problema é que não nasci para ser da Tropa de Elite ou da SWAT, e ao cair do outro lado do muro pisei no barro do jardim, escorreguei e caí um tombaço tão ridículo que nem consegui levantar de tanto que ri.

Meus amigos não viram minha queda porque saíram atrás do malfeitor, que conseguiu fugir. Foi uma pena que o bandido não tenha visto a minha atuação, pois certamente ele teria ficado paralisado graças às minhas habilidades típicas de Loucademia de Polícia.

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A casa da Madre Rita, assim como a da Prudente de Moraes, foi demolida. Não existem mais as duas residências que abrigaram a Saudosa Maloca nos nossos 5 anos de Franca. Mas não tem problema: os francanos podem tentar apagar os rastros da nossa passagem pela cidade, mas a recíproca não é verdadeira.