fev 192014
 

 

 

O Devo foi uma das primeiras bandas pelas quais me interessei de verdade.

Quando era garoto ouvia em casa Beatles, MPB e até música italiana, mas quando ingressei na adolescência meu primo Fred começou a mostrar outros sons. Foi então que conheci o punk do Sex Pistols e do Camisa de Vênus, o rock do Ultraje à Rigor e a new wave do B-52’s e do Devo.

A banda misturava sintetizadores com guitarras, tinha um visual maluco e partia de um conceito: a evolução humana acabou e chegamos ao seu ponto de inversão, de retrocesso – a “de-evolução”. A música era dançante para as festas, mas as letras não poupavam acidez e cinismo.

O baterista Alan Mayers morreu no ano passado, vitimado por um câncer, e hoje fiquei sabendo que na segunda-feira morreu o guitarrista da banda, Bob Casale, aos 61 anos. Fiquei triste pela morte de alguém que nem conhecia, mas que fez parte de um pedaço importante da minha vida.

Pelo menos os dois se foram convictos de que seu conceito estava correto.

 

 

So your life has just begun
Somebody else is saying that it’s done
Nurses whisper others grin
Something’s funny at your expense again
Don’t you lose it now listen to us
Everything’s going to be all right
Take a break take some time
Everything’s going to be all right
Don’t you lose it remember to take
Time out for fun!
,
out 102012
 

 

 

Na semana passada o bom atacante Fred, do Fluminense, virou assunto no Twitter ao reclamar de sua BMW, que estaria apresentando defeitos desde a compra.

O protesto, ainda que aparentemente justo, rendeu muitas foram as brincadeiras na rede. É realmente algo non sense reclamar de BMW em um país com tanta desigualdade e onde era possível comprar uma Kombi zero km até pouco tempo atrás.

Chegar a determinado lugar sem perder a noção da realidade que nos cerca é uma arte.

 

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Mais grave que o desabafo do Fred é quando um governo se deslumbra.

Em São José dos Campos a administração municipal acrescentou às placas de trânsito o nome em inglês das regiões e pontos turísticos da cidade. Assim, na placa que indica o sentido para a Zona Norte temos a inscrição “North”; aquela que mostra o caminho para a Serra da Mantiqueira tem também escrito “Mantiqueira Mountains”; a da Prefeitura tem “City Hall”; a da rodoviária “Intercity Bus Station” e assim vai.

 

 

A “Capital do Vale” é uma cidade grande, que faz jus à sua fama e tem diversas empresas instaladas, o que deve atrair muitos estrangeiros. Mas será que são tantos assim, a ponto de justificar o uso de dinheiro público para o acréscimo dos nomes em inglês? Será que foi feito algum estudo sobre o número de gringos que não sabem português e que se deslocam dirigindo automóveis pelas ruas? Faz sentido colocar tais placas em uma época em que qualquer um pode usar um aparelho de GPS em sua língua natal para localizar-se pela cidade?

As placas são ridículas, coisa de gente deslumbrada, de novo rico que não sabe o que fazer com o dinheiro.

Não imagine que critico só porque sou jacareiense. Tenho centenas de amigos em SJC e conheço a cidade quase tão bem como a minha própria. A minha indignação com essa cafonice é a mesma que eu teria se visse um amigo de quem gosto muito usando uma camisa baby look.

Ainda bem que o povo joseense parece ter percebido que era necessário voltar a ter os pés no chão.

 

***

 

 

Apesar da minha insatisfação com as placas, aqui em Jacareí também temos gente sem noção, por isso não duvido que algum djênio ache que seria legal mudar nossas placas.

A diferença é que aqui, graças às novas empresas que estão se instalando, as indicações deveriam vir em mandarim.

Já os jogadores de futebol do nosso glorioso JAC, mas modestos que são, no máximo promoveriam protestos no twitter terminando com  #cherynuncamais.