jul 042014
 

 

PABLO_NERUDA

 

No sábado passado o Brasil venceu o Chile apenas nos pênaltis, depois de um sofrido empate de 1 a 1, com direito a levar uma bola no travessão no finalzinho da prorrogação.
Pois eu sou do tempo que ganhar do Chile era uma grande moleza.
Antes que você me acuse de ser velhote, esclareço que não foi há tanto tempo assim, pois na Copa de 2010 o Brasil bateu por 3 a 0 o time que já tinha o “mago” (hehehe) Valdívia.
Mas o confronto inesquecível com nossos hermanos da terra de Pablo Neruda foi em 1998. Era meu último ano de faculdade, e como estava muito atrasado com os trabalhos do estágio decidi não acompanhar meu amigos que foram ver o jogo na casa de uns colegas francanos. Fiquei na república terminando meus afazeres, e quando faltavam poucos minutos pro começo da partida, exatamente na hora que comecei a me dar conta do quanto era deprimente assistir sozinho o Brasil na Copa, apareceu o Helton no carro de alguém para me resgatar.
Fui então ver o jogo com a galera graças ao meu amigo. Talvez eu não consiga descrever a grandeza desse gesto, mas poucos seriam capazes de, no meio de uma festa, lembrar de alguém e convencer um outro (o Helton não tinha carro) para buscar um zé mané que ficou sozinho em casa.
Naquele dia o Brasil venceu por 4 a 1 e fomos todos comemorar na avenida Champagnat, certos de que o penta viria naquele ano.

 

garcia marquez

 

No meu tempo a Colômbia também nunca meteu medo, mas o futebol que o Brasil vem apresentando deixou todos inseguros. O camisa 10 colombiano, James Rodrigues, tem sido tratado como um novo Zidane, e todos questionam o estado emocional da Seleção.
Apesar disso, e mesmo que meus palpites anteriores tenham sido um fiasco, eu tenho esperança de que hoje o Brasil jogará bem e vencerá o time da terra de Gabriel Garcia Marquez por 2 a 0.
Nossos vizinhos continuam a nos vencer em Prêmios Nobel, mas no futebol ainda sou mais Brasil.

 

 

 

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maio 012014
 

 

muro de tamburello

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Eu já contei essa história antes, várias e várias vezes.

Era domingo de manhã e por isso eu não queria acordar cedo, mas meu amigos na sala vendo tv e falando sobre a corrida me incomodavam. Morávamos na rua Prudente de Moraes e fazia pouco tempo que a República Saudosa Maloca tinha se formado – certamente ela nem tinha sido batizada ainda.

Insisti em ficar na cama por mais um tempo até que escutei alguém lamentar que o Senna bateu o carro. O piloto não fazia um bom começo de temporada, as coisas na Willians não estavam saindo como se imaginara, mas apesar de ser torcedor pensei que pelo menos a partir daquele momento poderia ter mais silêncio na sala.

Virei para o lado, fechei os olhos para voltar a dormir mas então ouvi o Helton dizer:

– Puta merda, ele bateu forte.

Nunca vou me esquecer: o tom da voz do meu amigo estava tão carregada de espanto e medo que me fez pular da cama imediatamente. Fui para a sala, sentei no braço do sofá e comecei a acompanhar o drama do resgate, do transporte do corpo e da confirmação da morte do campeão.

Foi um domingo triste para todos, talvez tenha sido a maior comoção que tenha visto até hoje. Eu me lembro da morte de Tancredo Neves e de tudo o que aquilo causou no país, mas o ex-futuro presidente era um político já idoso, que por agonizou em rede nacional por vários dias. Sua morte foi a confirmação da tragédia anunciada.

A morte do Ayrton foi algo completamente inesperado. Por mais que todos soubéssemos que aquilo era uma corrida de carros, e que em corridas acidentes acontecem, ninguém jamais pensou que um campeão teria seu fim num muro de uma curva italiana. Logo que aconteceu a batida todos sabíamos que algo grave ocorrera, mas esperávamos que o piloto saísse do cockpit e viesse para dar uma entrevista sobre o susto que tivera.

Não foi só um susto, já faz vinte anos que aquilo tudo ocorreu, e em cada 1º de maio me pego contando novamente essa mesma história.

 

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fev 072014
 

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O ônibus chegou em Franca depois de 5 horas de viagem, por volta das 5h30 da manhã. Dele desceram vários jovens que imediatamente notaram que tinham algo em comum: estavam todos ali para declarar o interesse na vaga e, quem sabe, fazer sua matrícula na faculdade.

Andamos da rodoviária até o centro, paramos em uma padaria e tomamos um café antes de ir para o prédio da Unesp. Depois que deixamos nossos documentos passamos a andar pela cidade para conhecê-la, matando o tempo até a tarde, quando então saberíamos se a matrícula seria feita.

E lá estávamos com o Celso Takeshita, o Luiz Pippen, o João, a Estela e muita gente cujo nome não me recordo ou que só sei do apelido, como o Makula e a Horácio (assim batizada pelo Nakano).

Depois de almoçarmos no Arroz e Feijão voltamos para o salão nobre e todos fomos matriculados. Meu cabelo foi raspado naquela hora mesmo, pela Denise e pela Luciana Quirino, e todo orgulhoso embarquei no ônibus das 18h para São Paulo com um boné vermelho da Ravelli na cabeça e usando uma horrivel camiseta de bixunesp que me fizeram comprar.

Cheguei em casa quando já era o dia 08 de fevereiro de 20 anos atrás.

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dez 132013
 

 

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Hoje, 13 de dezembro, faz 15 anos que prestei a prova da primeira fase da OAB.

Lembro-me bem dessa data não por causa do exame, mas sim porque na véspera aconteceram a colação de grau e o baile de formatura.

A colação de grau foi à tarde, num sábado de muito calor em Franca. A cerimônia foi longa graças aos discursos dos homenageados e dos representantes de turma, mas o mais notável foi ver o seu Nestor, pai do Helton, subir ao púlpito para fazer um agradecimento à cidade em nome dos pais dos alunos.

Muitos se espantaram ao ver aquele homem cometer a ousadia de quebrar o protocolo, mas as coisas não poderiam apenas se desenrolar normalmente na formatura da XI Turma. Foi então muito apropriado ver aquele homem com barba branca de Papai Noel fazer um dos discursos mais emocionantes do dia.

Após a cerimônia levei meus pais para o Hotel Marconi, na rua Couto Magalhães, aonde ficaram alojados junto com nossos convidados. Até hoje a Paula reclama por eu ter reservado aquela hospedagem aonde os quartos tinham um marcante cheiro de chulé.

Tomei um banho, comi um lanche (vulgo “bolota”) e fui para o baile. Por causa da prova na manhã seguinte não bebi nada a noite inteira, mas o Alessandro aproveitou que não iria fazer o exame e naquela festa praticamente tirou o atraso de cinco anos de vida comportada.

Já amanhecendo fui para a república, tomei um banho, saí com cuidado para não pisar nos amigos do Helton que dormiam espalhados por todos os cômodos da casa e fui buscar o Rogê, que também iria enfrentar as questões da OAB na Faculdade Municipal (vulgo “Brejão”).

O sacrifício valeu a pena, e cerca de um mês depois voltamos a nos encontrar para a segunda fase – que daqui a pouco também vai completar 15 anos, e também vai parecer que foi ontem que aconteceu.

 

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out 272013
 

 

 

Eu aprendi a gostar de Velvet Underground e Lou Reed nas intermináveis noites jogando baralho na república do Adauto Milk (que tinha também Igor Tex, o Fernando Garoto Juca, o Junior Zé do Burro e o Zaupa Twister) .

“Trezmilzinho?” – era essa a pergunta de resposta óbvia nas sextas-feiras. Nós passávamos a noite jogando buraco e bebendo cerveja até 4 ou 5 horas da manhã, quando então saíamos todos para comer um lanche no Preguiça.

Pois é, buraco. Às vezes, truco. Dependia do número de participantes. Nem todas as noites da época  da faculdade eram de caminhar pelo lado selvagem, mas pelo menos dávamos muitas risadas e ouvíamos muita música.

Lou Reed morreu hoje, aos 71 anos. Estou certo que muita gente competente vai escrever sobre a importância dele para o rock. Eu só posso contar que ele fez parte da trilha sonora de minha vida.

Valeu, Lou.

 

 

 

 

 

 

abr 222013
 

 

 Taça Tabacaria

 

Eu não frequentei muitos bares em Franca por um motivo singelo: faltava dinheiro para tanto. Era mais barato comprar cerveja no supermercado e levar para a casa de alguém – e mais barato ainda comprar uma garrafa de cachaça e fazer caipirinha.

Mas em Franca havia nos anos 90 opções para todos os gostos, que iam desde o Copo Sujo, perto da faculdade, até o Café, Tabaco e Drinks, a famosa Tabacaria, que talvez tenha sido o bar mais chique que conheci durante os meus anos de Unesp.

O Copo Sujo, na Saldanha Marinho Major Claudiano, foi fundamental para iniciação de muitos na faculdade. Depois dos bixos cumprirem o rito de fazer pedágio para angariar os fundos necessários, íamos todos para aquele bar para bem gastar o dinheiro arrecadado. Muita gente bebeu em Franca pela primeira vez lá. Muita gente lá bebeu pela primeira vez.

(Existe até uma lenda que envolve esse bar: certa noite estaria uma turma tomando sua cerveja no local quando parou um luxuoso carro em frente. Dele desceu o motorista, que conversou alguma coisa com o cara no balcão e voltou para abrir a porta de trás do veículo. Saiu de lá então um homem de terno branco, barba e cabelos grisalhos, com um corte tipo “cuia” – era o Ray Connif, que tinha uma apresentação no ginásio de Franca naquela data, e que precisou fazer um xixi no nada glamuroso banheiro do Copo Sujo).

 

O pub atrás do Ray Connif não tem nada a ver com o Copo Sujo

O pub atrás do Ray Connif não tem nada a ver com o Copo Sujo

 

No começo da faculdade o pessoal da minha turma frequentava muito o bar do Cacá, que também ficava próximo do antigo prédio da Unesp, mas eu nunca entendi bem o motivo da escolha. Toda vez que íamos lá ele errava na conta – sempre para mais, claro. Na hora de pagar havia desconfiança, briga, xingamentos, mas no dia seguinte os caras voltavam para serem roubados outra vez.

Durante algum tempo fez sucesso o Sal Grosso, que ficava salvo engano, na rua Padre Anchieta  na Estevão Leão Bourroul, esquina com a Saldanha Marinho. O ambiente era legal, era frequentado por francanos e unespianos e algumas mesas ficavam ao ar livre, nos fundos do bar. Foi lá que certa vez um amigo achou que poderia escalar a parede do banheiro, no episódio que ficou conhecido como A Noite do Homem Aranha.

O point da noite francana sempre foi a Champagnat, e vários bares abriram e fecharam naquela avenida que sempre ficava cheia nos finais de semana. O maior sucesso era o Picanha na Tábua, que funciona até hoje. Muitos sábados foram passados do lado de fora do Picanha, com uma cerveja na mão, comprada em um bar mais barato.

Dentre os vários estabelecimentos que existiram na avenida lembro de um bar mais alternativo, acho que o nome era Trindade Tapekuá. O ambiente rock and roll/bicho-grilo não agradou a todos e por isso aquele bar não durou muito.

Também não teve vida longa a já a citada Tabacaria, que era o inverso do Tapekuá, pois apostava na sofisticação e buscava um público mais selecionado. Eu me lembro de ter ido uma única vez, e só porque era o Dia do Pindura. Na saída nós trouxemos dois copos como “lembrança” do estabelecimento, e um desses estava guardado com o Helton e ele me devolveu no final do ano, como demonstra a foto acima.

Não mencionei o Bar do D.A. entre esses todos porque ele era um caso à parte. Muitas coisas aconteceram ali, e talvez a maioria delas não deva sequer ser lembrada…

 

 

 

mar 192013
 

 

Reforma Madre Rita

 

 

Eu já contei que cheguei em Franca e fui recepcionado pelo Adolfo, que me levou para ficar uns dias em sua casa. Também contei que montamos a República Saudosa Maloca, e que esta teve dois endereços: na Prudente de Moraes, perto da Prefeitura, e na Madre Rita.

A mudança de uma casa para outra aconteceu em 14 de março de 1997. Lembro-me com exatidão da data porque no mesmo dia foi o aniversário do Tomas, que chegou pouco antes para morar conosco. Para fazer uma graça, eu, o Helton e o Alessandro combinamos de não parabenizar o aniversariante e surpreendê-lo no final do dia, depois de já instalados no novo domicílio.

Foi uma grande ideia estúpida. No final da mudança estávamos cansados demais para comemorar qualquer coisa, e quando demos os parabéns para o Tomas não pareceu que fazíamos uma surpresa, mas sim que nós tínhamos nos esquecido de seu aniversário e que improvisamos uma comemoração xôxa.

Contei essa história porque o dia 14 passou e eu não liguei para o Tomas para dar os parabéns. Será que desta vez ele acreditará que foi para fazer uma surpresa?

 

 

dez 122012
 

 

 

A minha colação de grau aconteceu em um sábado, no mesmo dia do baile de formatura. Passei festa toda sem ingerir uma só gota de álcool porque logo na manhã seguinte teria que encarar a prova da primeira fase do Exame da Ordem.

Essa foto aí, com esse modelo desengoçado, foi feita logo na entrada do salão, no dia 12 de dezembro de 1998.

A XI Turma de Direito, que recebeu o nome “Prof. Dr. Nelson Nery Junior”, já tem 14 anos.

 

 

nov 202012
 

 

 

Ir para Franca era uma viagem que tomava, pelo menos, sete horas do meu dia.

Na maioria das vezes eu ia às segundas, e embarcava em Jacareí às 9h para pegar o Cometa das 10h45. Era meio corrido mas eu gostava desse horário porque geralmente o ônibus ia mais vazio. No terminal do Tietê eu só tinha tempo para comprar uma água, um jornal ou uma Veja (pois é, eu fiz muita besteira quando mais jovem) antes das 5 horas de estradas que viriam em seguida.

Naquela época não havia Ipad, smartphone, mp3 nem gameboy, então para matar o tempo eu tinha um walkman e umas fitas k7 – eventualmente levava um tetris. Sentado sempre na poltrona 43 (a última do lado direito, antes do banheiro), eu me esparramava torcendo para ninguém ter comprado a 42, e seguia para muitas horas de calor no indefectível Flecha Azul, que não tinha ar condicionado e cheirava desinfetante de lavanda.

A parada era feita no Rosim, em Pirassununga, que tinha uma máquina de coca-cola do lado de fora do restaurante em que a lata era mais em conta do que a vendida lá dentro. Eu comprava então um salgado e saía para comer, economizando uns trocados com o refrigerante.

Sinto muito desapontar você que chegou até aqui esperando uma história pitoresca daqueles dias, mas nunca aconteceu nada na ida que valesse nota. Aquelas viagens eram de um tédio total, agravado pela estrada reta que trazia apenas canaviais em ambos os lados.

Para não acabar esse texto assim, sem mais nem porquê, segue abaixo o link para uma música que marcou aquela época. Lembro-me até que foi numa dessas viagens que li na Folha uma matéria sobre o lançamento do disco do Oasis, em que um empolgado repórter finalizava dizendo “Beatles fez primeiro, Oasis faz melhor”.

Ah, essas besteiras que os repórteres escrevem quando jovens…