maio 012014
 

 

muro de tamburello

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Eu já contei essa história antes, várias e várias vezes.

Era domingo de manhã e por isso eu não queria acordar cedo, mas meu amigos na sala vendo tv e falando sobre a corrida me incomodavam. Morávamos na rua Prudente de Moraes e fazia pouco tempo que a República Saudosa Maloca tinha se formado – certamente ela nem tinha sido batizada ainda.

Insisti em ficar na cama por mais um tempo até que escutei alguém lamentar que o Senna bateu o carro. O piloto não fazia um bom começo de temporada, as coisas na Willians não estavam saindo como se imaginara, mas apesar de ser torcedor pensei que pelo menos a partir daquele momento poderia ter mais silêncio na sala.

Virei para o lado, fechei os olhos para voltar a dormir mas então ouvi o Helton dizer:

– Puta merda, ele bateu forte.

Nunca vou me esquecer: o tom da voz do meu amigo estava tão carregada de espanto e medo que me fez pular da cama imediatamente. Fui para a sala, sentei no braço do sofá e comecei a acompanhar o drama do resgate, do transporte do corpo e da confirmação da morte do campeão.

Foi um domingo triste para todos, talvez tenha sido a maior comoção que tenha visto até hoje. Eu me lembro da morte de Tancredo Neves e de tudo o que aquilo causou no país, mas o ex-futuro presidente era um político já idoso, que por agonizou em rede nacional por vários dias. Sua morte foi a confirmação da tragédia anunciada.

A morte do Ayrton foi algo completamente inesperado. Por mais que todos soubéssemos que aquilo era uma corrida de carros, e que em corridas acidentes acontecem, ninguém jamais pensou que um campeão teria seu fim num muro de uma curva italiana. Logo que aconteceu a batida todos sabíamos que algo grave ocorrera, mas esperávamos que o piloto saísse do cockpit e viesse para dar uma entrevista sobre o susto que tivera.

Não foi só um susto, já faz vinte anos que aquilo tudo ocorreu, e em cada 1º de maio me pego contando novamente essa mesma história.

 

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fev 112014
 

 

 

O comercial da Pirelli acima é de 1991, e traz a dupla de pilotos Nelson Piquet e Roberto Pupo Moreno, que salvo engano protagonizou pela Benetton a última dobradinha brasileira na Fórmula 1.

A música chama-se Il Mondo, e é cantada por Jimmy Fontana. Minha mãe tinha essa canção em um LP compacto em casa.

Nas décadas de 60 e 70 músicas estrangeiras não faladas em inglês faziam muito sucesso no Brasil, mas isso se perdeu com o tempo. Hoje tenho muita dificuldade (na verdade, preconceito mesmo) para ouvir canções em francês ou italiano – mostra de que o empobrecimento cultural começou já na minha geração.

A música na íntegra: