nov 202012
 

 

 

Ir para Franca era uma viagem que tomava, pelo menos, sete horas do meu dia.

Na maioria das vezes eu ia às segundas, e embarcava em Jacareí às 9h para pegar o Cometa das 10h45. Era meio corrido mas eu gostava desse horário porque geralmente o ônibus ia mais vazio. No terminal do Tietê eu só tinha tempo para comprar uma água, um jornal ou uma Veja (pois é, eu fiz muita besteira quando mais jovem) antes das 5 horas de estradas que viriam em seguida.

Naquela época não havia Ipad, smartphone, mp3 nem gameboy, então para matar o tempo eu tinha um walkman e umas fitas k7 – eventualmente levava um tetris. Sentado sempre na poltrona 43 (a última do lado direito, antes do banheiro), eu me esparramava torcendo para ninguém ter comprado a 42, e seguia para muitas horas de calor no indefectível Flecha Azul, que não tinha ar condicionado e cheirava desinfetante de lavanda.

A parada era feita no Rosim, em Pirassununga, que tinha uma máquina de coca-cola do lado de fora do restaurante em que a lata era mais em conta do que a vendida lá dentro. Eu comprava então um salgado e saía para comer, economizando uns trocados com o refrigerante.

Sinto muito desapontar você que chegou até aqui esperando uma história pitoresca daqueles dias, mas nunca aconteceu nada na ida que valesse nota. Aquelas viagens eram de um tédio total, agravado pela estrada reta que trazia apenas canaviais em ambos os lados.

Para não acabar esse texto assim, sem mais nem porquê, segue abaixo o link para uma música que marcou aquela época. Lembro-me até que foi numa dessas viagens que li na Folha uma matéria sobre o lançamento do disco do Oasis, em que um empolgado repórter finalizava dizendo “Beatles fez primeiro, Oasis faz melhor”.

Ah, essas besteiras que os repórteres escrevem quando jovens…