ago 122014
 

 

 

Ontem foi o Dia do Advogado. Essa data costumava ser mais festiva para mim, mesmo antes de passar pelo Exame da Ordem.

Durante a faculdade o 11 de agosto era comemorado com o Dia do Pendura. Geralmente o tradicional calote era aceito pelos donos dos estabelecimentos, mas às vezes dava errado e virava caso de polícia, como quando eu e o Helton fomos jantar uma pizza de camarão em um restaurante próximo à Praça do Itaú.

Fomos levados até a delegacia em carro de polícia, com o giroflex ligado, e achamos aquilo o máximo. O delegado também achava graça, mas tinha que disfarçar e nos dizia “paguem o homem, meninos!”.

Acabamos pagando apenas os 10% do garçom, pois fomos muito bem atendidos pelos funcionários – até o momento que anunciamos o pendura, claro.

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Depois que comecei a trabalhar as festas do dia 11 em Jacareí aconteciam na Casa do Advogado, com churrascos que iam até altas horas. Eram eventos animados, nos quais praticamente todos participavam.

Com o tempo esses churrascos foram minguando, muito em razão da desunião da própria classe. Hoje conheço poucos advogados novos e a Subsecção tem se demonstrado mais preocupada em servir de palanque para alguns do que unir todos colegas.

Mas não importa. Como mostra a foto abaixo, que não está muito boa, tenho muitos amigos com quem vale a pena comemorar o nosso dia.

 

almoço dia dos advogados

 

E dessa vez não penduramos a conta.

 

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out 272013
 

 

 

Eu aprendi a gostar de Velvet Underground e Lou Reed nas intermináveis noites jogando baralho na república do Adauto Milk (que tinha também Igor Tex, o Fernando Garoto Juca, o Junior Zé do Burro e o Zaupa Twister) .

“Trezmilzinho?” – era essa a pergunta de resposta óbvia nas sextas-feiras. Nós passávamos a noite jogando buraco e bebendo cerveja até 4 ou 5 horas da manhã, quando então saíamos todos para comer um lanche no Preguiça.

Pois é, buraco. Às vezes, truco. Dependia do número de participantes. Nem todas as noites da época  da faculdade eram de caminhar pelo lado selvagem, mas pelo menos dávamos muitas risadas e ouvíamos muita música.

Lou Reed morreu hoje, aos 71 anos. Estou certo que muita gente competente vai escrever sobre a importância dele para o rock. Eu só posso contar que ele fez parte da trilha sonora de minha vida.

Valeu, Lou.

 

 

 

 

 

 

maio 132013
 

 

televisor national

 

Quando eu era criança, às vezes era necessário esperar a válvula aquecer para surgissem as imagens no nosso televisor. As transmissões em VHF daquela época não disponibilizavam muitas opções de canais, e tvs à cores ainda eram um certo luxo.

Era muito comum que as pessoas tivessem ainda televisores em preto e branco, e alguns modelos ressaltavam sua nitidez com um vidro azul que cobria toda a tela.

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O primeiro controle remoto que vi foi na casa de um vizinho, e o aparelho consistia numa uma caixinha quadrada, com um único botão redondo no meio, que quando acionado fazia pular para o próximo canal. Nada  ligar ou desligar a tv, alterar o volume, ajustar a imagem, etc.

Ah, o controle era ligado à tv por um fio de cerca de 2 metros de extensão.

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disquete flexivel

 

Certa vez aconteceu no Trianon Clube uma exposição de computadores, e lá foram apresentados os mais modernos hardwares e softwares da época.

As máquinas mais avançadas usavam disquetes flexíveis de 5″1/4, mas em outras os softwares eram carregados por fitas cassete, através de gravadores portáveis ligados aos pc’s. Lembro de ter ficado um tempão esperando um programa iniciar até que no monitor de fósforo verde apareceu uma animação pixelada de um alienígena dançando – e isso era tudo o que aquele treco fazia.

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Acho que joguei videogame pela primeira vez na casa do Robson, que foi o dono do único console Odyssey que conheci.

Nosso preferido era o game Senhor das Trevas, que apesar do nome sinistro era um jogo simples em que um canhão deveria destruir as frotas de naves que vinham atacá-lo. No vídeo abaixo podemos ver a face monstruosa do tal Senhor das Trevas, e avaliar todo o poderio gráfico e sonoro daquela máquina:

 

 

Mas o console que virou febre foi o Atari. Eu e meu irmão ganhamos o primeiro videogame da nossa rua, então era comum que estivéssemos jogando e no portão se juntasse uma molecada reclamando: “Pô, sacanagem, eles tão jogando e nem chamaram a gente!”.

O Atari tinha como principal vantagem o vasto catálogo de jogos, e todos se lembram do Pitfall (que acompanhava o console), do Enduro, do River Raid, do Hero e do Decathlon – deste último principalmente porque para jogá-lo era necessário movimentar o joystick freneticamente, o que sempre danificava os controles.

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No dia em que minha irmã nasceu fui com meu pai e meu irmão à casa do Tio Ló para conhecer o videocassete, novidade trazida do Paraguai da qual já tinha ouvido falar na escola. Depois de demonstrados todos os recursos daquele aparelho (que até gravava a televisão!), nos sentamos para ver Os Goonies e o desenho Os Doze Trabalhos de Asterix, cuja dublagem que não correspondia aos movimentos das bocas dos personagens.

 

panasonic g9

 

Quando meu pai adquiriu o seu aparelho, um G9 da Panasonic, fizemos uma sessão em casa para ver Rocky III. Naquela época as videolocadoras disponibilizam as fitas “seladas” (com selo de originalidade, de lançamento oficial) e as piratas, copiadas de outras fitas ou gravadas dentro do próprio cinema.

Nunca conheci alguém que possuísse um Betamax.

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Eu estava na biblioteca da faculdade com o Eduardo Bordini quando instalaram o primeiro computador com CD-ROM. Como ninguém sabia mexer naquilo, o pessoal deixou que nós fuçássemos à vontade, e por ironia um dos cd’s trazia uma versão atualizada de Pitfall, justamente aquele game que tanto joguei na minha infância.

Ficamos eu e o Bordini jogando por bastante tempo até que alguém se deu conta que a biblioteca não era lugar para aquilo.

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altavista

 

Foi também na faculdade que tive contato com a internet pela primeira vez.

Naquela época, para “surfar” na rede você tinha que conhecer os endereços que queria visitar, pois os serviços de busca mais utilizados (o Altavista e o nacional Cadê) não eram tão eficientes. Além disso, as conexões discadas com até 56k  de velocidade exigiam certa paciência para abrir telas que fossem um pouco mais ornamentadas, e era necessário saber um pouco de inglês para aproveitar já que o conteúdo em português era muito limitado.

Uma das primeiras coisas que fiz foi criar um endereço no Zipmail, mas acho que nunca recebi um email por aquele serviço.

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O mundo era bem diferente há (não tão) pouco tempo…*

 

*corrigido

 

 

 

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abr 222013
 

 

 Taça Tabacaria

 

Eu não frequentei muitos bares em Franca por um motivo singelo: faltava dinheiro para tanto. Era mais barato comprar cerveja no supermercado e levar para a casa de alguém – e mais barato ainda comprar uma garrafa de cachaça e fazer caipirinha.

Mas em Franca havia nos anos 90 opções para todos os gostos, que iam desde o Copo Sujo, perto da faculdade, até o Café, Tabaco e Drinks, a famosa Tabacaria, que talvez tenha sido o bar mais chique que conheci durante os meus anos de Unesp.

O Copo Sujo, na Saldanha Marinho Major Claudiano, foi fundamental para iniciação de muitos na faculdade. Depois dos bixos cumprirem o rito de fazer pedágio para angariar os fundos necessários, íamos todos para aquele bar para bem gastar o dinheiro arrecadado. Muita gente bebeu em Franca pela primeira vez lá. Muita gente lá bebeu pela primeira vez.

(Existe até uma lenda que envolve esse bar: certa noite estaria uma turma tomando sua cerveja no local quando parou um luxuoso carro em frente. Dele desceu o motorista, que conversou alguma coisa com o cara no balcão e voltou para abrir a porta de trás do veículo. Saiu de lá então um homem de terno branco, barba e cabelos grisalhos, com um corte tipo “cuia” – era o Ray Connif, que tinha uma apresentação no ginásio de Franca naquela data, e que precisou fazer um xixi no nada glamuroso banheiro do Copo Sujo).

 

O pub atrás do Ray Connif não tem nada a ver com o Copo Sujo

O pub atrás do Ray Connif não tem nada a ver com o Copo Sujo

 

No começo da faculdade o pessoal da minha turma frequentava muito o bar do Cacá, que também ficava próximo do antigo prédio da Unesp, mas eu nunca entendi bem o motivo da escolha. Toda vez que íamos lá ele errava na conta – sempre para mais, claro. Na hora de pagar havia desconfiança, briga, xingamentos, mas no dia seguinte os caras voltavam para serem roubados outra vez.

Durante algum tempo fez sucesso o Sal Grosso, que ficava salvo engano, na rua Padre Anchieta  na Estevão Leão Bourroul, esquina com a Saldanha Marinho. O ambiente era legal, era frequentado por francanos e unespianos e algumas mesas ficavam ao ar livre, nos fundos do bar. Foi lá que certa vez um amigo achou que poderia escalar a parede do banheiro, no episódio que ficou conhecido como A Noite do Homem Aranha.

O point da noite francana sempre foi a Champagnat, e vários bares abriram e fecharam naquela avenida que sempre ficava cheia nos finais de semana. O maior sucesso era o Picanha na Tábua, que funciona até hoje. Muitos sábados foram passados do lado de fora do Picanha, com uma cerveja na mão, comprada em um bar mais barato.

Dentre os vários estabelecimentos que existiram na avenida lembro de um bar mais alternativo, acho que o nome era Trindade Tapekuá. O ambiente rock and roll/bicho-grilo não agradou a todos e por isso aquele bar não durou muito.

Também não teve vida longa a já a citada Tabacaria, que era o inverso do Tapekuá, pois apostava na sofisticação e buscava um público mais selecionado. Eu me lembro de ter ido uma única vez, e só porque era o Dia do Pindura. Na saída nós trouxemos dois copos como “lembrança” do estabelecimento, e um desses estava guardado com o Helton e ele me devolveu no final do ano, como demonstra a foto acima.

Não mencionei o Bar do D.A. entre esses todos porque ele era um caso à parte. Muitas coisas aconteceram ali, e talvez a maioria delas não deva sequer ser lembrada…