out 072015
 

 

 

mario baccaro

 

 

Durante a vida toda Mario teve que explicar que a pronúncia de seu nome era bácaro, e não bacáro, como habitualmente as pessoas falavam. Ele dizia que embora a ortografia da língua portuguesa exigisse um acento nas palavras proparoxítonas, Baccaro é um nome italiano herdado do seu pai, Pedro, um alfaiate que imigrou para o Brasil no começo do século XX.

Pedro se estabeleceu em Jacareí e se casou com a bela Maria Emília, que morreu ainda jovem após gerar cinco filhos, todos homens. Mario, nascido em 15 de abril de 1922, tinha cinco anos de idade quando a mãe faleceu, e junto com os irmãos foi criado apenas por seu pai, que se recusou a casar novamente por jamais se esquecer de sua mulher.

A infância passada na casa na rua XV de Novembro foi difícil, mas os Baccaro formavam uma família feliz e unida. Entre as brincadeiras e os estudos, Mario foi acolhido aos 12 anos pelo Tiro de Guerra como mascote, certamente sem suspeitar que um dia pegaria em armas de verdade para combater um inimigo longe de sua casa.

Mario foi aluno da primeira turma da Escola Agrícola de Jacareí, e estudava para ser agricultor em Santo Antônio do Pinhal quando recebeu a convocação para se juntar ao 6º Batalhão de Infantaria do Exército, situado em Caçapava. O homem da lavoura, que gostava de jogar “bola ao cesto” e que tocava pandeiro no conjunto Fila Bóia, foi ser soldado para guerrear na Europa.

De Caçapava foi para o Rio de Janeiro, e de lá partiu para a Itália, num navio que corria o constante risco de ser afundado pelo inimigo e no qual faltavamm alimentos e até mesmo água doce.

Dentro da embarcação os pracinhas cantavam a Canção do Expedicionário, que dizia: “Por mais terras que eu percorra/Não permita Deus que eu morra/ Sem que eu volte para lá”. Pois Mario, além de querer voltar à terra do biscoito, desejava também retornar para Alzira, mulher que se tornaria sua esposa pouco após o fim da guerra e com quem viveria até os fins dos seus dias.

Na Itália Mário teve que enfrentar o rigor do inverno e a valentia dos alemães. Todavia, se o frio era algo novo para o alguém que nunca havia deixado o Brasil, em termos de bravura o jacareiense nada deixava a dever aos tedescos. Sua conduta durante a guerra foi tão destacada que foi condecorado por seus atos e o levou a ser citado no livro Histórias da História do Brasil, que conta como o franzino soldado Baccaro, “que poderia estar namorando em um jardim da cidade de Jacareí”, fez correr mais de 40 soldados da temida divisão SS.

As histórias de companheirismo, sacrifício, glórias e perdas marcaram o pracinha por toda sua vida. Mario sempre teve orgulho dos amigos que fez no quartel, mas jamais se gabou por seus atos heroicos. Ele se considerava um homem do campo, e não um guerreiro, e por isso os causos da roça lhes causavam mais felicidade que as memórias da guerra.

Ao retornar ao Brasil, Mario tentou se estabelecer na agricultura, mas Jacareí já começara a transformar-se para deixar de ser uma cidade agrícola. Tornou-se então servidor público federal, e assumiu um cargo nos Correios, tendo ocupado postos em Santa Isabel, Pedra Bela e em na sua terra natal, aonde se aposentou.

Do casamento com Alzira Fontes teve quatro filhos: Nelson, Mario, Terezinha e Dagoberto, e estes lhes deram sete netos: Carlos Frederico, Wagner, Roberto, Ana Alzira, Carolina, Mariana, Mariozinho, além de Marcos, que foi criado como se neto fosse.

No final dos anos setenta construiu a primeira casa da Avenida Pensilvânia, no Jardim Flórida, e lá morou até 1999, ano em que faleceu.

A nomeação de uma via em homenagem ao Exp. Mario Baccaro é uma justa medida desta cidade em favor de um de seus filhos ilustres. Certamente as pessoas que passarão pela rua mencionarão o sobrenome Baccaro de forma equivocada, mas isso não importa. O que é relevante de verdade é que saibam que o homenageado foi um pracinha heroico, um servidor público destacado, um agricultor por vocação e um pai e avô dedicado e carinhoso, que sempre teve orgulho de suas raízes jacareienses.

 

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Mario Baccaro, meu avô, agora empresta seu nome para uma rua de Jacareí.

 

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