ago 212015
 

 

 

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A senhora senta na cadeira de madeira disposta em frente à pequena mesa redonda. Uma toalha de veludo roxo cobre o móvel, dando àquele ambiente escuro um tom ainda mais lúgubre. No centro da mesa, em vez da esperada bola de cristal, a mulher se depara com baú de madeira, iluminado por um tênue facho de luz que vem diretamente do teto.

Ela espera por alguns poucos minutos, mas já fica impaciente. “Não posso perder tempo”, pensa ela, que vangloria por ser uma mulher de ação apesar dos muitos anos já vividos.

Enquanto ela morde os lábios inferiores, praticando um cacoete que não é bonito de se ver, entra o homem que dizem ser detentor do poder de ver o presente e o futuro de forma especial. A figura, todavia, não é o que ela esperava: em vez de roupas cintilantes e túnica, El Gigio veste calça jeans e uma camiseta branca com a estampa do Naranjito e a inscrição “España 82” na altura do peito.

– Boa tarde, o que a senhora quer saber do futuro?

– Boa tarde, senhor El Gigio. O senhor foi muito bem recomendado por pessoas distintas e importantes, por isso eu quero que o senhor me diga quais os caminhos que temos que traçar para mudar o Brasil.

– A senhora está preocupada com o país e quer fazer algo para mudar, certo?

– Isso mesmo! Eu não quero que continue essa ditadura comunista bolivariana em que já estamos vivendo!

– Como?

– Esses comunistas que querem transformar o Brasil numa nova Cuba têm que ser detidos! É um absurdo que nosso verde amarelo esteja se transformando no vermelho com foice e martelo!

– Hmmm…

– E essa bolsa-família está quebrando o Brasil! Essa Dilma – que eu nem sei se é brasileira mesmo, já ouvi dizer que ela é búlgara – não representa o país!

– Bom, ela venceu as eleições…

– Ela comprou os nordestinos! E o pior, está arregimentando os pobres, os cubanos e os haitianos pra formar um exército! Bem que o Olavo de Carvalho avisou! É hora do impeachment!

– Olavo, é? Sei…

– O que eu quero saber então, senhor El Gigio, é sobre quando que os militares vão intervir pra nos salvar! No tempo deles não tinha roubalheira, as cidades eram seguras, todo mundo tinha emprego e a educação era de qualidade!

– É?

– O Brasil precisa de alguém de liderança, precisa do Bolsonaro! Ele sim representa os valores morais e a decência da família brasileira!

– Compreendo… Bom, eu posso ajudar a senhora!

El Gigio colocou as mãos sobre o baú de madeira e ficou parado por alguns instantes, com os olhos fechados. A mulher observava com atenção mas já esperava por aquele momento. Já era de seu conhecimento o pequeno ritual que o vidente realizava antes de abrir a caixa e dela tirar a faixa branca com o desenho do Terceiro Olho, que ele usava para ver o futuro.

Quando El Gigio abriu o baú, todavia, não retirou a mítica faixa mas sim uma pilha de livros que entregou nas mãos da mulher:

– O que é isso? – perguntou ela.

– São livros de História – respondeu ele – O que a senhora precisa não é saber sobre o futuro, mas sim aprender mais sobre o passado…

 

***

 

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jul 052013
 

 

chimarrão

 

O espesso bigode branco não era suficiente para esconder o sorriso daquele homem, que se sentia revivido depois de ter passado por maus bocados. As críticas e a desconfiança que recebeu nos últimos tempos doeram muito em quem havia conquistado a fama de vencedor, por isso ele agarrou com força a oportunidade de recomeçar e agora colhia os frutos.

Mas ele sabia que não conquistara nada sozinho, e estava naquela sala escura justamente para agradecer a quem mais o ajudara. Não importava que não soubesse seu verdadeiro nome, e que aquele clima de mistério parecesse despropositado. O fundamental é que as coisas se deram como o anfitrião havia previsto, e para aquele veterano supersticioso esse poder de antecipação certamente seria decisivo para vencer o desafio que viria em breve.

Enquanto lembrava pela milésima vez do gosto da vitória obtida dias atrás, a porta se abriu e um homem entrou calmamente. Na escuridão da sala não era possível ver seu rosto, mas ele usava na cabeça uma faixa com o desenho de um olho que brilhava. O homem fechou a porta, sentou no canto mais escuro, ficou em silêncio por um tempos e surpreendeu o visitante com seu cumprimento:

– Felipinho! Que bom te ver aqui! Parabéns, campeão! Você conseguiu!

– Bá, tchê! Campeões somos nós! Se tu, El Gigio, não tivesses me auxiliado, nós não teríamos conseguido!

– Que é isso, Felipinho! Eu apenas tenho um dom, que é entender de futebol. Outro dom que tenho é de ver o passado, o futuro e o presente de um modo que as outras pessoas não conseguem. Só isso.

– Confesso que em certo momento nem eu conseguia mais ver motivo para manter o Hulk no time, mas tu me disseste que nós venceríamos com ele,  por isso insisti.

– É, Felipinho, eu acho que disse que venceríamos apesar do Hulk, mas não importa… Bom, qual é o motivo para a sua visita? Acho que não veio aqui apenas para tomar um chimarrão comigo!

– Vim primeiro para agradecer, El Gigio. E também para pedir que me auxilies a montar o time para a Copa.

– Pois, é… Eu avisei que este time seria suficiente para a Copa das Confederações, mas para ganhar a Copa do Mundo você tem que chamar aquele jogador de que te falei.

O veterano treinador coça a cabeça, faz uma cara de contrariado, e expõe:

– Olha, El Gigio, eu sei que não conheço nada de futebol quando comparado a ti, mas eu fui ver aquele jogador de que tu me falastes… Ele nem é profissional!

– É um talento não reconhecido.

– Ele já tem uns 40 anos!

– Na verdade, vai fazer 39.

– Ele é gordo!

– Ah, exagero seu, Felipinho! Eu estou… digo, ele está meio fora de forma, mas isso se ajeita!

– Ah, El Gigio, não sei não… Eu vi o rapaz jogando e é verdade que ele se destacou, mas também, aqueles com quem ele tava jogando… Tinha um de luzes no cabelo, um mineiro flamenguista, um árbitro que queria ser goleiro, o outro goleiro só virava a bunda da defender as bolas… Um deles até parecia o Juninho Paulista, mas jogando lembrava o Gralak… E o carequinha então? Aff! O pior de todos! Não joga nada!

– Eu sei que o nível da moçada é baixo, Felipinho, mas vai por mim! Não fui eu que te falei do Kleberson em 2002? Antes da Copa ninguém sabia quem ele era, depois da Copa não jogou porcaria nenhuma, mas ele foi importante para o título.

– Tá bom, tá bom. Se é o que tu pensas, eu respeito. Mas lembre-se que tu já erraste comigo quando disseste que voltar ao Palmeiras seria uma boa.

– Não errei não… Com o Palmeiras eu estava com segundas intenções…

 

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***

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jul 242012
 

 

 

A falta de decoração surpreendeu o visitante. Ele imaginou que encontraria algo como cortinas esvoaçantes, luz negra, símbolos e objetos de cristal, mas na pequena sala não havia nada disso. No cômodo estavam apenas duas cadeiras e uma mesa, coberta com uma toalha branca, e sobre tal mesa repousavam duas caixas de madeira. Na caixa à sua direita estava marcado “3” e, na outra, estava gravado um “G”.

A luz fraca que vinha de uma pequena claraboia era insuficiente para iluminar todo o cômodo, mas o visitante era um homem que estava de bem com a vida e por isso não se importou com a escuridão. Sua única preocupação era com o que a imprensa diria se descobrisse essa sua ida a um vidente, mas no meio do futebol a crendice e a superstição são tão comuns que o fato dificilmente chamaria muita atenção.

O anfitrião chegou apresentando um ar solene, e o visitante logo se apresentou:

– Boa tarde, El Gigio, eu sou o técnico…

– Antenor é sua identidade.

– Bá, ninguém me chama assim, todos me chamam pelo apelido, mas está bom! Então tu deves saber o motivo de minha visita a este local. Acabei de ganhar um título importante e preciso me preparar para o campeonato no final do ano, que deve ter muita…

– Competitividade.

– Isso! Vamos representar milhões de pessoas e isso exige…

– Responsabilidade.

– Perfeito. Quero que todos da nossa…

– Comunidade.

– É… que todos se concentrem na…

– … viabilidade…

– … da conquista. Correto, El Gigio! Gostei do seu jeito: não fala muito, não fala muito. Peço que sejas então direto na resposta: vamos ser campeões do mundo?

– Há possibilidade.

– Bom, isso é bom. Mas preciso fazer algo para aumentar a …

– Probabilidade.

– É! E que meus comandados tenham…

– … confiabilidade…

– … no seu futebol e com todas as forças lutem pela…

–  … titularidade…

– … na equipe! Fantástico! Impressionante como falas a minha língua! Tens algo que possas fazer, El Gigio?

O vidente olhou fixamente para as duas caixas de madeira que estavam sobre a mesa, até que abriu aquela que estava marcada com um “G”. Pegou uma faixa de pano com um grande olho desenhado e amarrou em sua própria cabeça. O visitante estranhou a escolha, pois achava que o Terceiro Olho ficava na outra caixa, e então perguntou:

– Não entendi, El Gigio. Achei que o famoso Terceiro Olho estava na outra embalagem, marcada com o “3”, então para que pegaste esse aí marcado com um “G”? É algo especial para me passar bons fluídos?

– Adiposidade.

– Adiposidade? Como assim adiposi… Putamerda! Esse é um olho gordo! Tu vais me secar! Por que fazes isso?

– Rivalidade!

– Que filho da … – Antes de terminar o palavrão o visitante saiu correndo pela rua.

El Gigio tirou a faixa da cabeça e recolocou-a na caixa. Abriu então aquela marcada com o “3” aonde estava outra faixa, de três cores, marcada com três estrelas douradas, e  mormurou: “Tricolorbilidade”.

 

***

 

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mar 032012
 

 

 

Caro G. Singer

 

Você me escreve dizendo que está confuso, como se estivesse entre tribos e tribunais, em dúvida se deve seguir a faculdade de engenharia ou montar uma banda de rock.

Meu amigo, nós somos quem podemos ser, por  isso vou tentar explicar para você o que aprendi vendo filmes de guerra e canções de amor que passavam quando eu era um estrangeiro, passageiro de um algum trem, acho que no Havaí. Você perceberá que a lição parece um refrão bolero, mas não é novidade, pois essa história se repete embora a força deixe a história mal contada.

Ouça o então o que eu digo: não ouça ninguém. Isso é importante, pois todos são iguais, mas uns mais iguais que os outros.  Mesmo que você corra o risco de ser vítima do pop, que não poupa ninguém, essa lição é fundamental para quem está longe demais das capitais ou nas grandes cidades de um país tão surreal. Esse aprendizado permitirá seguir numa infinita highway a cento e dez, cento e vinte, cento e sessenta, só pra ver até quando o motor aguenta, e fazendo isso você poderá encontrar com qualquer um,  já que todo mundo é uma ilha a milhas de qualquer lugar.

Eu sei que essas palavras parecem uma sopa de letrinhas, entretanto, como parabólicas e paralelas que se cruzam em Belém do Pará, basta um pouco de atenção para sanar as dúvidas e obter alívio imediato.

Se você é um garoto que como eu amava os Beatles e os Rollings Stones, siga seus instintos mais sacanas e assim você não vai andar só, como só eu sei andar. Mas faça isso com segurança, senão você dança.

Bom, é isso. Pra ser sincero, prazer em vê-lo, até mais.

Seu vidente, El Gigio.

 

 

jan 212012
 

 

O rapaz de olhos verdes esperava na sala há algum tempo, e cada vez ficava mais injuriado. Na mesa à sua frente havia apenas um cálice, que ele afastou com uma das mãos para não derrubar, e uma folha de papel na qual estavam escritos vários nomes de mulheres: Carolina, Yolanda, Joana, Bárbara… Antes que ele terminasse de ler, contudo, El Gigio entrou e foi logo se desculpando pelo atraso:

– Mil perdões! Sai pela cidade para olhar as vitrines e perdi a hora vendo a banda passar… Estava tão bonito que quando ela foi embora parece que levou um pedaço de mim… Mas diga-me, Julinho, o que você precisa?

– Não, eu não sou Julinho, meu nome é…

– Não é Julinho ainda. – interrompeu o vidente.

O rapaz não entendeu, mas decidiu ir direto ao assunto:

– É que eu sou universitário, faço arquitetura, mas estou pensando em largar tudo pra ser jogador de futebol. Não sei o que fazer! Eu sou bom de bola, mas largar a faculdade… Estou tão confuso… Estou me sentindo… Como posso dizer?

– Como quem partiu ou morreu.

– Isso! Eu sempre fui muito seguro, sempre tive muita certeza do que fazer, mas agora estou perdido. Estou com tantas dúvidas que se tiver mais uma…

– Pode ser a gota d’água.

– Isso!

– Pois é, vejo que você desatinou, mas não se afobe não que nada é pra já. Isso vai passar e amanhã há de se outro dia.

– Espero que passe, El Gigio, mas o que eu faço?

O vidente levantou-se e ofereceu ao jovem um calmante. Pegou no armário um excitante, que tomou com um copo de gim, e pôs na cabeça a faixa branca com olho desenhado que estava atrás da porta. Sentou-novamente, passou a mão na testa e falou:

– Terceiro olho, quero ver o que você diz.

Houve um silêncio que pareceu durar horas, até que El Gigio voltou a falar:

– Escute. Para furar esse filó como você sonha, só se fosse o Rei. Por outro lado… Não, também não vejo você numa construção planejando tijolo por tijolo, num desenho mágico.

– Mas El Gigio! Isso me faz entender que meu futuro não está nem no futebol, nem arquitetura! O que será de mim então?

– Calma, meu guri! Se dizem que Deus dá, Deus dará.

O rapaz então mirou o olho desenhado na faixa e percebeu que ele estava verde, mais verde do que os olhos dele próprio. De repente sua cabeça pareceu fervilhar e aquele momento transformou a sua vida:

– El Gigio, você me deu umas ideias… Tome, esse é quase todo dinheiro que eu tenho! O que me sobrou vou investir num violão! Muito obrigado mesmo!

– Deus lhe pague! Quem te viu, quem te vê, hein! Mas não precisa agradecer, meu caro amigo!

E então o jovem Francisco saiu, batendo o portão sem fazer alarde, tão aliviado que se pegou cantando, sem mais nem por quê.

 

nov 282011
 

 

O casal entra na sala escura e senta-se nas duas cadeiras postas à frente de uma pequena mesa redonda, coberta com uma toalha branca, aonde repousavam uma caneta, poucas folhas de papel e uma caixa de madeira.

Ambos estão ansiosos: ela, para saber sobre o futuro, ele para ir embora o mais rápido possível.

Entra pela porta dos fundos um homem vestido todo de branco,

com cabelos castanhos repartidos ao meio e usando um medalhão dourado com um jacaré em alto-relevo ao centro.

– Boa tarde, amigos, o quê os traz à morada de El Gigio?

– Aff! Se fosse vidente mesmo não precisaria fazer essa pergunta! Vamos Cidinha, vamos embora daqui!

O anfitrião olha serenamente e diz:

– As respostas El Gigio já conhece todas, meu filho, eu quero saber agora é se vocês conhecem as perguntas.

– Viu, Chicão, tomô? Fique quieto e sente aí! O senhor nos desculpe, é que estamos nervosos! Nós estamos com alguns planos e queremos ouvir do senhor se eles vão dar certo.

-Não se preocupe, minha filha, El Gigio está acostumado com a incredulidade.

Chicão sentou-se bravo e ficou quieto. Não queria estar ali e não queria palpite de ninguém. E também não se conformava por ser chamado de “filho” por alguém que parecia ser mais novo do que ele.

El Gigio acomodou-se lentamente na cadeira, pegou a caixa que estava sobre a mesa e tirou de dentro uma faixa branca que amarrou em volta de sua cabeça. Nessa faixa havia um tosco desenho de um olho, feito à caneta e pintado com marca texto amarelo.

– Meus filhos – disse El Gigio – este é aquele que tudo vê. Este é o honorável Terceiro Olho!

– Terceiro Olho? Terceiro olho pra mim é o…

– Calaboca, Chicão! – interrompeu Cidinha – Olha o respeito! El Gigio, o quê o senhor vê?

O vidente olhou fixamente para Chicão antes de fechar os olhos. Depois de alguns segundos, respirou fundo, passou a ponta dos dedos no olho desenhado na faixa, como se estivesse limpando uma lente, e disse:

-Eu vejo que você, minha filha, um dia vai morrer.

-Oh! – surpreendeu-se Cidinha.

-“Oh” por quê? – indignou-se Chicão.

-Shhhhh! Deixe ele terminar! Vai ser logo? Vai demorar?

-O tempo vai ser aquele necessário, nem mais, nem menos. Será contado a partir de agora até o momento final, transcorridos todos os entrementes, os intermédios e as intercorrências naturais e excepcionais que ocorrem no cotidiano, excluídos sempre aqueles outros que sucedem no dia-a-dia, ainda que de noitinha. O tempo sofrerá influência daquilo que é o foco, que é obrigatório, e não o que é supérfluo, sendo que o que é supérfluo não deve ser focado, ou desfocado, na mesma medida ou desmedida daquilo que é obrigatório. Ou não.

– Ah, entendi! – disse ela, pensativa.

– Entendeu?!? – disse ele, surpreso.

-Entendi sim… supérfluo… – disse ela em voz baixa, mas olhando firmemente para ele.

Cidinha se levanta, põe um dinheiro debaixo da caixa de madeira sobre a mesa e sai apressando Chicão, dizendo que precisam ter uma conversa. Ela estava muito satisfeita com a consulta, sua serenidade era completamente diferente do nervosismo da chegada.

Chicão, por sua vez, estava completamente desorientado, mais ansioso do que antes da consulta. Pensou em dizer alguns palavrões para El Gigio antes de sair, mas, depois que olhou para o vidente, as palavras não saíram de sua boca.

A partir daquele instante uma dúvida passaria a lhe assombrar por toda a vida: foi apenas sua imaginação, ou aquele olho mal desenhado à caneta realmente teria dado uma piscadela?