fev 222012
 

 

 

Depois de dias de estudos, o jovem advogado chegou ao fórum conhecendo cada linha daquele processo tão importante. Além de ser a sua estreia perante o júri, era um caso de grande repercussão na mídia, e o réu jurara não ser culpado pelo homicídio.

A promotora de justiça apresentou uma acusação muito dura, mas o defensor achava-se pronto para rebatê-la. Mais inquietante que as palavras da representante do Ministério Público era a dor na barriga que começara de manhã e que teimava não passar.

Quando chegou sua vez de apresentar os argumentos começou com a voz vacilante, mas foi ganhando firmeza ao falar aos jurados sobre sua importância para realização da justiça. Explicou então sobre a supremacia da Constituição, discorreu sobre o devido processo legal e alertou para o princípio da inocência. Ressaltou a necessidade de provas para condenação criminal, apontou as falhas da inquérito e bradou que é um absurdo que o réu, que se chamava Clodoaldo, fosse apontado como autor do crime uma vez que as informações no inquérito davam contam que foi um tal de Claudinho o verdadeiro responsável. Frisou por várias vezes que nenhuma prova havia contra Clodoaldo, e que nada havia sido feito para localizar esse Claudinho.

A promotora foi para réplica e foi muito ríspida, o que fez o advogado voltar para a tréplica possesso. Embora os debates tenham sido muito inflamados, o júri demonstrou boa aceitação à tese do defensor.

Terminados os trabalhos da acusação e da defesa, o juiz perguntou aos jurados se eles precisavam de algum esclarecimento. Um deles fez uma pergunta por escrito, que foi repassada pelo magistrado:

– Senhor Clodoaldo, o jurado gostaria de saber se o senhor tem algum apelido.

– Tenho sim, senhor.

– Qual?

– Claudinho.

Ao receber a notícia da condenação por quatro votos a três o advogado estava tão bravo que quase lamentou a pena ter sido de apenas 6 anos de cadeia. E ao avisar seu cliente, foi bastante enfático quanto as chances de uma apelação: por mais que seja permitido espernear, não existe nenhum recurso legal que dê jeito em burrice.