maio 092013
 

 

 

Milhares de músicas ficam guardadas no pendrive, inertes, esperando a sua vez, até que repentinamente uma que há muito não se ouvia rompe os auto-falantes e faz tudo dentro do carro parar.

 

 

This is a ballad for the good times
And all the dignity we had
Don’t get het up on the evil things
.
fev 202013
 

 

 

 

blur out of time

 

“Onde está a canção de amor que vai nos libertar?”

Essa pergunta quem faz é o Blur, no primeiro verso de “Out of Time”, uma ótima canção na qual eles falam sobre a sensação de estar em descompasso, fora do seu próprio tempo.

É como me sinto às vezes quando tento ouvir uma rádio FM.

Isso de ficar comparando os artistas “da minha época” com os de “hoje em dia” é uma coisa chata, que na maioria das vezes apenas serve para demonstrar a idade avançada de quem usa desse argumento. Como eu disse outro dia, tem muita coisa bacana sendo feita por aí, o problema é que o que tem sido divulgado realmente não merece atenção.

O que ouço nas rádios me faz acreditar que a música não tem mais a importância para a vida das pessoas que tinha antes. “Só exite música para que existam novos ringtones”, como disseram os Artic Monkeys em “A Certain Romance”.

Não sei se é causa ou efeito, mas nesses tempos de excesso de informação parece não há disposição para pegar um álbum e ouví-lo todo, como uma obra que tem começo, meio e fim, e daí tirar aquele grande momento, aquela sacada que pode marcar a vida de uma pessoa. A música que faz sucesso é aquela fácil, extremamente fácil, que só serve para dançar, pois as pessoas não querem tentar entender as entrelinhas do que é dito em uma canção (outro dia ouvi de um colega mais novo que ele não gostava de Legião Urbana pois era necessário pensar demais…)

Mas se os Artic Monkeys, que são mais novos do que eu, já reclamam da falta de romance nos dias de hoje, o que posso esperar? As músicas novas que ouço são esquecíveis, deletáveis, para consumo imediato – como muitos hoje acham que devem ser os relacionamentos.

Comecei este texto na verdade para falar de “Tempo Perdido”, a qual talvez seja a grande música da minha geração, mas a história mudou de rumo e essa conversa agora ficou para a um outro dia. Mas acho que cabe ainda perguntar: de que música recente nós vamos nos lembrar daqui a vinte anos?

Ou: de quem vamos nos lembrar daqui a vinte anos quando ouvirmos certas canções?

 

Clique e ouça Out of time:

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Clique e ouça A Certain Romance:

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