mar 142014
 

 

anos 80

 

Tenho poucas recordações de coisas que ocorreram antes que eu completasse 7 anos de idade, mas acho que é assim com todo mundo. É a partir da morte de John Lennon, em dezembro de 1980, que minhas lembranças são mais numerosas. O assassinato do Beatle foi um momento de grande comoção, e eu me recordo do noticiário, da reação das pessoas e dos artistas e até de uma revista que trazia o cantor na capa.

Assim começaram os anos 80 para mim. E por mais que eu tenha tido uma infância feliz e nada possa reclamar quanto a isso, aquela década me parece cinza e suja quando me vem à memória.

Muitas eram as incertezas naqueles tempos. Haveria uma hecatombe nuclear como mostrada no filme O Dia Seguinte? A democracia seria restabelecida de fato no Brasil com as Diretas Já? Nostradamus estaria certo quanto às profecias do final dos tempos? Voltaríamos a ganhar uma Copa do Mundo?

Embora o Rio de Janeiro nos proporcionasse imagens ensolaradas vindas pela Globo, os telejornais não deixavam as pessoas otimistas. Havia um sentimento de que estávamos em um país estagnado, cujo futuro prometido nunca chegaria.

É com surpresa então que vejo hoje algumas pessoas com saudades daqueles tempos. Não me refiro ao apreço à infância, à música ou às artes que eram produzidas, mas sim justamente àquilo que tínhamos de pior, que era a ditadura militar.

Circulam por aí manifestações que fazem parecer que sob o governo dos generais o Brasil era um país alegre, com baixos índices de violência, economia em alta e sem nenhuma corrupção. Uma nação que fazia valer seu lema de “ordem e progresso”.

Quem pensa assim certamente não viveu aqueles dias. Ou não se recorda que estávamos sob censura, durante uma década chamada de perdida, em um país classificado como terceiro mundo. Esquadrões da Morte, Comando Vermelho, Coroa-Brastel, Caso Delfin, Abi-Ackel, Sudene, Fleury, obras faraônicas, maxidesvalorização do cruzeiro, torturas, Paulo Maluf, AI-5, dívida externa, dívida social, Paulipetro, cassações, reserva de mercado, êxodo rural … Muitos eram os nomes e os termos que tornaram aquele um período sombrio.

Acredito que essas manifestações que clamam por uma nova intervenção militar façam parte de movimento orquestrado, planejado para fazer a população acreditar que tudo o que aconteceu depois da redemocratização foi ruim. Divulgar esse sentimento favoreceria os setores mais conservadores, os quais ainda sonham com a reconquista do poder e suas benesses através de um golpe, uma revolução ou até mesmo pelo uso dos meios democráticos, fazendo eleger um novo salvador da pátria de perfil autoritário e supostamente sem compromissos.

É claro que não estou plenamente satisfeito com a situação do país, mas entendo que ignorar que melhoramos nos últimos 25 anos chega a ser uma leviandade. Abrir mão da democracia seria um retrocesso grande demais para um país que, embora ainda caia alguns tombos, começou a dar seus próprios passos para o desenvolvimento.

Se para mim a década de 80 começou com o assassinato de John Lennon, seu encerramento se deu com as eleições para presidente em 89. Embora eu não tivesse ainda idade para votar e o resultado do pleito tenha sido a consagração do Collor, aquele momento foi um marco não pode ser esquecido nem minimizado. Foi a partir de então que minhas memórias começaram a tomar outras cores e que, embora as coisas ainda não estejam como gostaria que estivessem, pelo menos perderam aquela influência do tom de oliva que deixava tudo triste e cinzento.

 

 

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jan 212014
 

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tango e cash

 

Quem viveu nos loucos anos 80 sabe que eles não foram tão loucos assim, e que nessa época Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger eram os senhores absolutos do cinema. Causou-me estranheza, portanto, que no sábado tenha passado um filme do Stallone de 1989 que eu nunca tinha visto, TANGO & CASH.

Disse que a década de 80 não foi tão louca porque naquele tempo eu era apenas um menino passando para a adolescência. Teve gente que aproveitou muito mais que eu, afinal, minha ideia de diversão era sentar no sofá pra ver o Rambo ou o Predador metralhar inimigos e explodir coisas e vice-versa. Só no começo dos anos 90, quando comecei a trabalhar e ter meu próprio dinheiro, é que passei a sair pelo mundo afora –  ou nem tanto, já que não tinha carro e minhas aventuras iam até aonde aguentava andar.

Assistir os filmes daquela época tem muito de nostalgia, mas é sempre divertido. Às vezes chega a ser inacreditável que as pessoas tenham realmente usado aqueles cabelos armados e paletós com ombreiras. Da minha parte, lembro que usei muitas vezes o moletom por baixo da camiseta de manga curta, como via os caras nos videoclipes que passavam no Super Special da TV Bandeirantes.

TANGO & CASH é um filme típico daquela época, inclusive quanto à sua qualidade duvidosa. O que talvez tenha de mais positivo é que os próprios envolvidos começaram perceber o ridículo de se levar a sério e por isso o filme tem mais humor – há até uma passagem em que o personagem do Stallone chama Rambo de bicha após ser comparado com o herói daquele outro filme.

 

 

 

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jul 182013
 

 

Revi dois filmes que marcaram a minha infância, verdadeiros clássicos dos anos 80: O Grande Dragão Branco (1988) e Robocop – O Policial do Futuro (1987).

 

o-grande-dragao-branco

 

Lembro que um amigo viu “O Grande Dragão…” no cinema e contou todo empolgado sobre o “kumite”, o “dim mak” e sobre as lutas de kung fu, mas eu só pude conferir habilidades de Frank Dux e as maldades do vilão Chong Li quando apareceu uma cópia pirata do filme em videocassete. Karate Kid e seu golpe de borboleta então perderam espaço: entre a molecada o legal passou ser brincar de luta até fazer o seu amigo pedir “matte”!

Mas apesar da memória afetiva, eu já esperava encontrar algo ruim quando o filme passou na tv a cabo dias atrás. Confesso, porém, que tive uma grande surpresa: “O Grande Dragão” é muito pior do que eu imaginava! E a canastrice do Van Damme nem é o maior problema!

Tudo ficou datado demais, tudo é caricato demais, tudo é mal feito demais! Até a coreografia das lutas deixa a desejar, pois é possível perceber que vários golpes passam muito longe do adversário. Para quem gosta de filmes trash, é uma grande pedida, diversão garantida.

Ninguém imaginaria que Forrest Whitaker ganharia um Oscar anos depois de fazer um papel secundário nessa bomba.

 

dragão branco

 

Frustrante mesmo foi pesquisar sobre a história do cara que serviu como inspiração para o filme, o tal Frank W. Dux, suposto campeão de 7 edições do Kumite e detentor de centenas de milhares de recordes. Disse “suposto” porque seu currículo vencedor pode ser uma mentira: o jornal Los Angeles Times fez uma matéria contando que não há nenhuma comprovação dos seus feitos, e que os troféus que ele exibe foram comprados em uma loja perto da sua casa.

Que mundo é esse que não se pode acreditar numa história em que o Van Damme consegue ser mais rápido que um fechar de mão, e que ele cego luta melhor do que enxergando?

 

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robocop poster

 

Robocop foi outra surpresa, porém, positiva.

O filme tem hoje o status de cult, e não é à toa. A sua ironia e cinismo mantém-se interessantes, e até os efeitos especiais continuam bacanas (tá, quando aparece o robô-vilão ED 209 as trucagens ficam evidentes, mas ainda assim é tudo bem feito).

A história do filme é atual (a tecnologia faz maravilhas mas convivemos ainda com violência, injustiça, grandes corporações e mídia sensacionalista) e existem grandes sacadas, embora nem tudo seja perfeito – incomoda que em uma Detroit tão caótica sejam sempre os mesmos vilões que se metem a fazer tudo, desde roubar um posto de gasolina a matar executivos.

O diretor brasileiro José Padilha está dirigindo um remake de Robocop, mas duvido muito que este novo filme possa ser tão explicitamente violento quanto o original.  As cenas fortes podem chocar os mais novos, mas antigamente era mais comum encontrar sangue e sexo no cinema.

Hoje tudo é feito para preservar a indicação para maiores de 13 anos, senão não dá pra vender bonequinho no McDonalds…

 

robocop cabeção

 

 

 

jan 182013
 

 

molly ringwald

 

Se você foi um adolescente nos anos 80, foi apaixonado por Molly Ringwald. Caso contrário, você é gay. Simples assim.

Pra que acha que estou exagerando, saiba que o fascínio causado por essa ruivinha era tão grande que em Nova Iorque era possível encontrar até uns anos atrás anúncios de “massagistas” no estilo Molly Ringwald.

Considerada  por alguns a maior estrela adolescente de todos os tempos, ela ficou famosa graças a filmes como A GAROTA ROSA SHOCKING e O CLUBE DOS CINCO, que revi ontem, e que tem como tema principal um dos hinos dos anos 80, “DON’T YOU (FORGET ABOUT ME)”, música obrigatória nos sábados da New Wave, a mais descolada das danceterias que Jacareí já teve em todos os tempos.

new wave

Bons tempos, diga-se.

 

Slow change may pull us apart
When the light gets into your heart, baby
Don’t You… Forget About Me