dez 132013
 

 

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Hoje, 13 de dezembro, faz 15 anos que prestei a prova da primeira fase da OAB.

Lembro-me bem dessa data não por causa do exame, mas sim porque na véspera aconteceram a colação de grau e o baile de formatura.

A colação de grau foi à tarde, num sábado de muito calor em Franca. A cerimônia foi longa graças aos discursos dos homenageados e dos representantes de turma, mas o mais notável foi ver o seu Nestor, pai do Helton, subir ao púlpito para fazer um agradecimento à cidade em nome dos pais dos alunos.

Muitos se espantaram ao ver aquele homem cometer a ousadia de quebrar o protocolo, mas as coisas não poderiam apenas se desenrolar normalmente na formatura da XI Turma. Foi então muito apropriado ver aquele homem com barba branca de Papai Noel fazer um dos discursos mais emocionantes do dia.

Após a cerimônia levei meus pais para o Hotel Marconi, na rua Couto Magalhães, aonde ficaram alojados junto com nossos convidados. Até hoje a Paula reclama por eu ter reservado aquela hospedagem aonde os quartos tinham um marcante cheiro de chulé.

Tomei um banho, comi um lanche (vulgo “bolota”) e fui para o baile. Por causa da prova na manhã seguinte não bebi nada a noite inteira, mas o Alessandro aproveitou que não iria fazer o exame e naquela festa praticamente tirou o atraso de cinco anos de vida comportada.

Já amanhecendo fui para a república, tomei um banho, saí com cuidado para não pisar nos amigos do Helton que dormiam espalhados por todos os cômodos da casa e fui buscar o Rogê, que também iria enfrentar as questões da OAB na Faculdade Municipal (vulgo “Brejão”).

O sacrifício valeu a pena, e cerca de um mês depois voltamos a nos encontrar para a segunda fase – que daqui a pouco também vai completar 15 anos, e também vai parecer que foi ontem que aconteceu.

 

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set 052012
 

 

 

Eu estava na biblioteca, lendo os jornais que ficavam sobre o balcão na entrada, quando chegou o Marcio falando sobre a possibilidade de formarmos uma república. Com ele estava o Helton, com um daqueles bonés australianos sobre a cabeça raspada, que não pareceu muito entusiasmado com a proposta que estava sendo feita. Na hora achei que ele não ia com a minha cara pois já nos conhecíamos do Miss Bixo de poucos dias antes.

(Miss Bixo era o evento da segunda noite da semana de trotes, na qual os calouros homens desfilavam com vestidos, perucas e meias arrastão em um palco improvisado no D.A., local das festas da faculdade. Era uma esbórnia, claro, mas falarei mais dos trotes em outra oportunidade).

Naqueles primeiros dias de aula era assim, estávamos todos nos conhecendo, nos ambientando a Franca e aos francanos, então não tínhamos muita noção de como iríamos nos acertar nem com quem iríamos viver. Tudo o que queríamos era achar logo um lugar para morar para sairmos das pensões ou das casas aonde estávamos abrigados, ainda que estivéssemos sendo bem tratados.

Mas montar uma república era fazer uma aposta. Não havia como saber se aquela pessoa com quem iríamos morar era alguém confiável, ou higiênica, ou mentalmente equilibrada, etc. Poucas foram as repúblicas que duraram os cinco anos de faculdade sem grandes modificações no seu “elenco”, e tenho a impressão que era mais difícil ainda para as mulheres, que são naturalmente mais competitivas entre si. Não conheci uma república feminina que tenha durado muito, em compensação, sei de muitas garotas que moraram em um lugar diferente a cada ano.

Estranhei então quando o Helton, já sem o Marcio (que foi morar com uns veteranos e passou a ser conhecido como Dois) veio me convidar para a república que estava montando com o Alessandro, o rapaz de Avaré que também estava na nossa turma. Eles tinham achado uma casa para alugar na Prudente de Moraes, perto da prefeitura de Franca, e queriam mais dois para dividir as despesas.

 

A Prefeitura da Franca, nossa vizinha

 

A casa ficava a uns 20 minutos de caminhada da faculdade e era uma edícula de cômodos pequenos, construída em “L”, com um quarto em cada uma das extremidades. Na frente do imóvel tinha um ponto comercial, que no início era ocupado pela Barbearia do Samuca – o babeiro que fazia jogo do bicho e passava as tardes tomando umas doses de cachaça entre um corte e outro. Depois que o Samuca foi embora o lugar virou uma sorveteria, mas  nós nunca comprávamos sorvetes dali porque víamos os ratos que frequentavam o estabelecimento.

Moramos eu, o Helton e o Alessandro por algum tempo, até que chegou o Luiz Gilberto, que veio de São Paulo e entrou na faculdade um pouco depois do início das aulas. Estava formada a República Saudosa Maloca – nome que, salvo engano, foi adotado após eu ter retornado certa vez de Jacareí cantando o famoso samba dos Demônios da Garoa.

A formação original durou até o terceiro ano, quando então o Luiz preferiu ir morar sozinho. Foi uma saída talvez não muito bem explicada, mas sem traumas, tanto que ele continua um grande amigo – não faz muito tempo esteve em minha casa pilotando a minha churrasqueira.

 

O Luiz é corintiano mas é boa gente.

 

Com a saída do Luiz veio o Tomas, ribeirãopretano que chegava a Unesp para cursar o primeiro ano. Foi nessa época mudamos para a casa da Madre Rita, que era bem mais próxima da faculdade. A chegada do novato Tomás foi uma grande oportunidade para que pudéssemos passar toda a nossa experiência de veteranos, mas acho que isso talvez o tenha traumatizado de alguma forma.

 

Dando aquela força à Seleção do Zagallo, durante a Copa da França

 

O Alessandro morou os cinco anos na república, contudo, hoje eu não tenho mais contato com ele. É uma pena, sempre nos demos muito bem e eu sinto saudade daquele cara.

Quanto ao Helton, já perguntei a ele se realmente não estava contente quando o Marcio Dois veio falar comigo, mas ele disse que não se lembra disso. Deve ter sido só impressão minha mesmo, afinal, além de termos morado juntos durante toda a faculdade, hoje somos padrinhos de casamento um do outro e quase todos os dias mantemos contato através de e-mails ou de ligações.

 

Formatura da XI Turma, em 98 – os últimos dias da Saudosa Maloca.