jun 192012
 

 

 

Certa vez, durante uma excursão do JAC DA FLORESTA à Tchecolosváquia, o treinador Adauto de Sá Leite recebeu com surpresa um inusitado pedido de Techerinha: “Num tô passando bem, comi dimais e perciso jogá o jogo di hoji no gol”.

Realmente o craque havia exagerado. Encantando pela belezas da terra, Techerinha passara a noite entre tchecas e eslovacas, introduzindo a cultura do glu-glu na Europa Oriental. Tantas foram as introduções que fôlego do nosso herói acabou.

O problema é que o elenco do time estava reduzido naquela oportunidade – uma das kombis que levava a delegação perdeu-se entre Boriskasoy e Prochaska e não conseguiu encontrar o caminho de volta – então o treinador não teria outro jeito senão colocar o goleiro Zé Banha no lugar de Techerinha.

O folclórico Zé Banha era daqueles que foram jogar debaixo das traves porque eram muito ruins com a bola no pé. Na verdade, até com as mãos ele era um horror, mas conseguiu um lugar no time graças ao seu tamanho avantajado, que literalmente fechava o gol.

Na hora do jogo todos no estádio ficaram chocados quando as equipes entraram em campo. O craque do time veio usando o fardamento número 1, enquanto Zé Banha sorria vestindo a sagrada camisa número 9 marrom-grená-violeta-cajá do JAC DA FLORESTA. O uniforme estava tão justo no corpo do atacante improvisado que a barriga ficava quase toda de fora, proporcionando aos presente uma visão aterradora – os traumas causados a quem viu aquele umbigo infernal duraram mais que o regime comunista.

Apesar da desconfiança geral, Techerinha tinha tudo sobre controle, e já no começo da partida mandou que o Zé se colocasse na entrada da área do adversário. O craque então dominou a bola, mediu o vento, calculou a trajetória e mandou do próprio campo um poderoso chute, que bateu na barriga do rotundo atacante, desviou sua trajetória para enganar o goleiro rival e entrou no gol.

E assim foi durante todo o jogo: o time recuava para Techerinha, ele mirava no grande ponto de referência que era o Zé Banha, a bola desviava e o JAC comemorava o gol. Para qualquer um poderia ser difícil calcular a força e o ângulo de cada chute em relação à meta adversária, mas para Techerinha era tranquilo porque, além de craque da bola, ele era mestre do bilhar, da biriba e do bilboquê.

Zé Banha fez tantos gols naquela tarde que, apesar de sair de campo todo marcado, largou sua carreira de goleiro para jogar sempre no ataque.Infelizmente, a última vez que frequentou os noticiários foi em razão de ter sido flagrado com três travestis num motel. Coisa típica de atacante gordo.

 

  2 Responses to “Techerinha e os gols do Zé Banha”

  1. Wagner, você poderia nos presentear com alguma imagem do fabuloso fardamento “marrom-grená-violeta-cajá” do JAC?? Atiçou minha curiosidade. Ah, e em relação aos chutes com tamanho efeito, imagino eu que só poderiam ser dados usando aquela famosa técnica dos três dedos de que o Fernando tanto falava… seria pedir muito que você também ilustrasse tal método, a fim de que os que desconhecem tal técnica possam compartilhar e, de fato, compreender como é possível tal prodígio?

    • Prezado Helton, muito pertinentes as suas perguntas.
      Infelizmente, não existem registros coloridos da camisa marrom-grená-violeta-cajá utilizada pelo JAC DA FLORESTA. Era uma camisa tão a frente do seu tempo que as técnicas atuais de coloração digital se demonstraram insuficientes para reproduzir a psicótica-pscoldelia de suas cores.
      Quanto ao chute, não foi o de “três dedos” o utilizado por Techerinha na oportunidade, mas sim de “bico invertido”, no qual o craque utilizava não a ponta do dedão como fazia Romário e outros menos futebolisticamente dotados, mas apenas a ponta do dedinho do pé direito. Para conseguir tal proeza ele dobrava os demais dedos para cima, para os lados e para trás.

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