abr 262012
 

Uma das maiores pragas do mundo moderno, ao lado das lojas online que não entregam a mercadoria comprada (te vejo nos tribunais, Apetrexo.com!), é o comentarista.

Até um tempo atrás nós só convivíamos com essa classe nas transmissões de futebol, no rádio ou na tv, e eles serviam para palpitar sobre táticas e acrescentar informações. Na década de 80 surgiram os comentaristas econômicos, que faziam muito sucesso falando sobre coisas que ninguém entendia em tempos de inflação sem controle e planos financeiros sem sentido. Com a passagem dos anos, contudo, houve uma disseminação dos palpiteiros, e aí o mundo passou a ter alguém para dar opinião sobre quase tudo, mesmo que não solicitada.

Creio que foi nos anos 90, por exemplo, que algum gênio achou por bem colocar ao lado do comentarista de futebol alguém para fazer comentários sobre a arbitragem, o que é uma das funções mais inúteis que pode existir: eles só servem para falar sobre aquilo que todo mundo viu – ou para tentar nos convencer que aquilo que vimos não foi o que aconteceu. Daí para ter comentarista até de BBB foi um pulo.

Mas os piores são os comentaristas de artigos na internet. Como que para comprovar que a democracia é um sistema imperfeito, hoje todo mundo pode dar uma opinião, não importa qual e não importa sobre o quê. Mesmo que o cidadão não saiba usar vírgulas, ou não tenha a menor ideia de existe a crase, ele se acha capaz de comentar a alta na Nasdaq, a compra do Instagram pelo Facebook e o sistema de cotas.

Muitas das opiniões são apenas babaquice pura. De repente, um artigo sobre um filme qualquer vira uma discussão sobre o meu partido que é maior que o seu, ou o jogador do meu time pega mais travestis que o seu, ou a revista que eu leio mente mais que a sua, e por aí vai. Na maioria das vezes isso é engraçado, mas em outras o que vemos são amostras aterradoras de ignorância e preconceito.

Eu sei que essa possibilidade de acesso a informação é benéfica, e que é bem melhor um sistema no qual todos possam se expressar do que outro em que todos devem ficar calados. Mas muitas vezes me assusto ao saber o que outras pessoas pensam.

Admito que talvez eu esteja exagerando. O que você acha? Deixe seu comentário.

  2 Responses to “Sem comentários”

  1. Acho que isso se chama “democracia”.
    Hoje a gente pode (ainda bem) falar o que pensa, mesmo que não sabendo escrever direito, essa parte chama-se “ser brasileiro”…..rsrsrrsr
    O que a gente deve ter para acompanhar o modernismo que vc se refere é o famoso “filtro”.
    Voce tem razão quando diz que hoje em dia comenta-se sobre tudo, eu particularmente ADORO, é a livre expressão tomando forma… rio de alguns , considero outros !
    Achei seu blog por acaso , parabéns Wagner ! muito bacana!
    Abs:
    Jociane

    • Acho que foi Churchill que disse que a democracia é o pior dos regimes, depois de todos os outros. Não vejo problemas na facilidade de comunicação mas às vezes me incomodo com pessoas que palpitam sem ter a menor base ou condição para tanto.
      Obrigado pelos elogios, Jociane, volte sempre!
      Abraço.

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