mar 152012
 

 

No antigo prédio da Unesp de Franca a quadra ficava localizada bem no centro do estacionamento, e ali aconteceram momentos inesquecíveis, como quando usaram um rodo, álcool combustível (naquela época não se falava em etanol) e fogo para secá-la depois de uma chuva. Ou quando, num jogo de basquete, um dos caras da turma do Kadett fez uma cesta contra – ele pegou o rebote na defesa, arremessou contra o próprio aro e ainda saiu comemorando, para espanto de seus colegas de time.

A quadra foi um dos principais pontos de integração da faculdade, e no meu primeiro ano os frequentadores mais presentes éramos nós bixos e os quintoanistas, dentre eles o Auro, o Rui, o Cassilândia, o Sidnei e o Alexandre. Todas as quartas e sábados era obrigatório ir para a biblioteca levando a mochila com tênis e meião, e quando se aproximava as 16h sempre tinha um que passava de mesa em mesa chamando os colegas para os rachões de 10 minutos ou dois gols.

Mas não só de grandes momentos do esporte vivia aquela quadra. No meu primeiro jogo ali, por exemplo, causei uma certa confusão em uma partida entre os bixos e o pessoal do segundo ano. Num lance mais “afoito” de minha parte acertei o Edilson (ou Dilson, ou Adilson, ou algo assim – me recordo que ele era gente boa e que sempre estava com as mãos por baixo da camiseta) e os veteranos ficaram revoltados com a minha “ousadia”.

O Renatão então entrou no jogo e quase não pegou na bola, seu interesse era somente me peitar e me empurrar. Como eu ainda não conhecia meus colegas bixos, fiquei em um dilema – deveria usar a sensatez e sair, já que o Renatão era maior e tinha mais amigos do que eu naquele momento, ou eu deveria bancar o besta e ficar em quadra para não ser marcado com bunda-mole já no primeiro ano? Nem preciso dizer que, como sou uma besta, fiquei, mas acabei não apanhando porque perdemos (roubado, o juiz era veterano) e o Renatão queria apenas dar uma apavorada. Depois disso ele veio convesar comigo e demonstrou ser um cara legal.

Na quadra ainda ocorriam as nossas indefectíveis aulas de Educação Física, feitas junto com o pessoal do quinto ano. É óbvio que, em Franca, o professor sempre nos colocava para jogar basquete, e no primeiro dia ainda estávamos fazendo o aquecimento quando arremessei duas bolas que caíram lindamente dentro da cesta. Graças a isso eu fui o primeiro a ser escolhido quando montaram os times, contudo, para decepção geral aqueles foram os únicos arremessos que acertei durante toda a minha vida acadêmica.

Mas o momento mais glorioso daquela quadra foi quando fomos campeões do interclasses e eu defendi os pênaltis na final. Como naquele torneio jogou um africano que veio de Cabo Verde, e tinha um outro que era chamado de Miguelito – de raízes ibéricas, portanto – é evidente o caráter internacional do campeonato, assim, se o Corinthians diz que é campeão mundial por ter vencido o Vasco no Maracanã, e o Palmeiras quer o reconhecimento de um torneio disputado no Rio em 1951, é justo que a FIFA nos declare como os primeiros Campeões Mundiais Interclasses de Futebol de Salão Universitário A Céu Aberto de 1998.

Um dia a Atlética da faculdade vai poder usar uma estrela no peito graças a nós, mas nem é necessário agradecer. Basta batizar a quadra do campus novo com meu nome, só isso.

 

  6 Responses to “A quadra da Unesp”

  1. Ah, Wagner, tenho grandes histórias nessa quadra. Foi o palco de grandes apresentações minhas. Mas conheço o blog e sei que você quer o mal feito, isto é, não adianta eu vir aqui contar minhas façanhas. Como, p.ex., vencer aquele torneio que você comentou APESAR de ter você, o Nakano, o Hailton e o Cardoso no time. ainda bem que tinha o Alessandro pra dar uma força… Bom, se você quer estórias (não histórias), vou aqui lembrar fatos puramente ficcionais, que caíram no gosto popular apenas por serem bem contadas em que eu me acabo mal no final: meu gol de bicicleta contra (não foi isso, a bicicleta estava virada pro lado certo, a bola é que foi pro lado errado) e o fato de que eu não fazia gols de pênalti no Zé do Burro. Certa vez, aliás, de tanto que a galera gostava desse “tabu”, meu próprio time comemorou quando perdi (acontece, fazer o quê) um pênalti, defendido pelo sortudo goleiro Júnior. Meu próprio time!! Após abraçarem o goleiro e zuarem comigo, saímos todos (eu e meu time) esperando o próximo “10 minutos ou dois gols”… Grande abraço. Helton

    • Helton, o time comemorou o pênalti que você perdeu porque o Zé do Burro ensinou que tem coisa que é melhor que um gol.
      Não ligo para o que você falou sobre o meu futebol. Para sorte do nosso time, tinha quem perdesse pênaltis, porém mais importante era quem os defendia, e por isso tenho certeza que depois de anos de Franca marquei meu nome na História (e no Direito e no Serviço Social).
      Abraço!

  2. Wagner.

    A quadra da UNESP foi palco de um dos maiores times de futebol de todos os tempos: GLORIOSO DE FUTEBOL ARTE. Em seu elenco brilhavam Fernando “Aranha Negra” Zaupa, Alex “ET” Alves, Carlos Miguel Mineiro, Juninho Paulista da Mooca e Adriano “Vovô Garoto”.
    Eu sei porque estava lá.
    abraços.
    Leo.

    • Léo, o Glorioso foi muito importante. Não teríamos sido campeões do mundo se não tivéssemos vocês como sparring
      Abraço!

  3. Wagner

    Tava conversando com o Helton e a gente se lembrou da sensacional historia do jogador de basquete que jogava com a mao no bolso (rsrsrsrsrs).

    Abracos.
    Leo.

  4. Poxa, faltou o lance em que eu literalmente fechei o gol….derrubando a trave para frente! Nada passava!
    Abs
    Zaupa

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