jan 272017
 

 

mariola

 

 

Era véspera de Natal. O supermercado estava lotado e as filas eram longas e lentas. O jovem no caixa terminava de passar as compras de uma senhora de cabelos cor de beterraba, quando viu o homem que aguardava na fila:

– Senhor, me desculpe – disse o rapaz. Esta é a fila para os clientes preferenciais. Peço que procure outro caixa.

– Eu sei que esta é a fila do preferencial – respondeu o homem.

– Então, senhor… Este caixa só atende idosos, grávidas, pessoas com criança de colo ou portadores de necessidades especiais.

– Se é assim, estou na fila correta.

O caixa olhou bem para o homem, que aparentava não ter mais que trinta anos e não carregava criança alguma no colo. Pensou um pouco e disse, envergonhado:

– Perdão, senhor… Eu não tinha reparado que o senhor tem necessidades especiais.

– E quem disse que eu sou deficiente?

– Ora, o senhor é muito jovem para ser idoso e…

– Eu estou grávido! – disse o homem, interrompendo o caixa.

– Como?

– Eu estou grávido!

– Que absurdo!  – nesse momento, todos no supermercado acompanhavam o drama – O senhor queira já sair dessa fila antes que eu chame o segurança!

– Absurdo é a sua ignorância, rapaz! Exijo o gerente aqui agora!

O jovem apertou um botão ao lado da registradora e acendeu uma lâmpada sobre o número do caixa. Nesse momento, de um mastro até então despercebido desceu o gerente, como fosse um bombeiro chamado para uma emergência.

– Pois não, o que está acontecendo? – perguntou gerente ao rapaz no caixa.

– Este homem está na fila de atendimento preferencial e não quer sair pois diz que está grávido!

– Isso mesmo! Eu quero que meus direitos sejam respeitados!

O gerente ajeitou os óculos para mirar o homem da fila:

– Em tantos anos de supermercado, nunca vi algo assim! Isso é um absurdo!

O jovem caixa consentiu com a cabeça.

– Você não pode fazer isso! Será que você não consegue perceber que esse homem está grávido? – disse ao jovem, que quase caiu da cadeira. Virou então para o homem e continuou:

– O senhor me desculpe, prometo que isso nunca mais vai acontecer. Vou eu mesmo passar a sua compra. Você, rapaz, está dispensado.

O gerente tirou do bolso uma caixa com um botão, que ao ser apertado fez o rapaz ser ejetado da cadeira e jogado para fora do prédio. O gerente passou as compras do homem pelo leitor de código de barras e anunciou o valor total:

– Ficou em duzentos e quarenta reais

– Hmmm… posso pagar com uma mariola?

– Claro que não! Isso é um absurdo!

– Mas por quê?

– Ora, eu não tenho tantas jujubas pra te dar de troco!

***

Enquanto isso, um papagaio que a tudo presenciava virou-se para a madame ao lado e disse, consternado:

– Não acredito que perdi meu tempo prestando atenção nisso pra tudo acabar assim.

– Acabar como? – perguntou a madame.

– Assim.

 

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