maio 082014
 

 

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Aquele era um sábado de rock, bebê, e começou bem cedo, quando encontrei o Marcelo Nova na Rodoviária do Tietê antes das 6h da manhã. Infelizmente não fui falar com o cara, mas eu ainda teria novas chances de tietar rockstars nas próximas 24 horas.

Eu fui cedo para a rodoviária paulistana porque iria pegar um ônibus até capital paranaense, aonde estava acontecendo o Curitiba Pop Festival. Além de várias atrações nacionais, naquela noite iria tocar pela primeira vez no Brasil o Pixies, banda não muito conhecida do grande público mas muito importante e influente no mundo do rock alternativo.

Meu ingresso eu consegui na última hora. Três amigos tinham se programado para ir ao festival, mas o Fernando afinou, digo, precisou desistir. Como a minha ida não estava prevista a logística foi um tanto maluca: perdi os shows da sexta, e quando cheguei em Curitiba no começo da tarde o Pires e o Adauto já me esperavam no hotel, prontos para irmos à Pedreira Paulo Leminski. Para a viagem de volta eu tinha comprado uma passagem de um vôo da Vasp que sairia às 7h do dia seguinte e levaria meros 40 minutos para fazer o trajeto que de ônibus dura 6 horas – eu queria chegar antes do almoço em casa porque no domingo seria o Dia das Mães.

 

Pixies set list

 

Chegamos os três por volta das 15 horas no local ainda vazio. Acomodamo-nos na frente do palco e vimos todos os shows, dos quais eu destaco o do Mombojó e o dos Autoramas. Só saí dali uma vez, para comer um lanche e ir ao banheiro, mas quase não consegui voltar graças ao milhares que agora se aglomeravam em busca do melhor lugar. Depois de algum jeitinho, apertos e cotoveladas consegui chegar à frente, e quando começou o show principal estávamos eu e o Adauto bem próximos ao palco, encostados na grade. O Pires não teve tanta sorte – ou foi mais educado – e foi levado pela multidão. Só nos reencontramos depois que tudo tinha acabado.

Eu sei que a maioria das 3 ou 4 pessoas que vão ler isso aqui talvez nem conheça o Pixies, mas eu confesso que na época também não sabia quase nada sobre a banda. Conhecia só Here Comes Your Man e Gigantic, mas sabia que o show valeria a pena, e que aquele seria um momento histórico. Pena que eles voltaram outras vezes ao Brasil, senão teria sido mais histórico ainda…

Depois do fim do show fomos até o hotel onde tomei um banho e deitei na cama por uma hora, até sair para pegar um táxi. Quando estava andando pelo saguão do aeroporto tive uma surpresa: os Pixies também estavam ali, tomando um café antes de viajar.

Vacilei mais uma vez, mas quando encontrei com eles na área de embarque decidi falar com o grupo. Meu gesto fez com que outras pessoas que estiveram no show também se aproximassem, e uma garota que tinha o inglês melhor que o meu me ajudou a conversar a banda, que foi muito simpática (o Frank Black nem tanto, é verdade). Foi naquele momento que descobri para que serviam as câmeras em telefones celulares – nessa época poucos modelos traziam o acessório, e infelizmente o meu não era um deles.

 

Pixies - autógrafos

 

Se não fosse por esse encontro a minha opção pelo vôo teria sido um completo fiasco: o mau tempo fez que a pista do aeroporto ficasse fechada a manhã inteira, e só consegui embarcar por volta das 13h. No final das contas, se tivesse voltado de ônibus teria chegado mais cedo para o almoço de Dia das Mães.

Por outro lado, não teria pego os autógrafos da banda e a Kim Deal não teria tido a chance de conversar com o rapaz from Jacarai, Sao Paolo.

 

 

 

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