jul 122014
 

 

Brasil X Alemanha

 

 

Em 74 eu era recém-nascido, em 78 era pequeno demais, mas de 82 eu me lembro bem. Recordo de todos os jogos do Brasil na Copa da Espanha, desde o primeiro, com a sofrida virada sobre a União Soviética, até o último, a mais dolorida de todas as derrotas – acredito que o Maracanazzo tenha sido até mais sofrido, mas por essa eu não passei.

O vexame do último dia 08, contudo, não pode ser comparado a esses dois eventos mencionados acima. Perder de 7 a 1 da Alemanha, em uma semi-final disputada no Brasil, sequer nos fez sentir tristeza. A minha filha, que tem quase a mesma idade que eu tinha em 82, ficou com raiva da Seleção, um sentimento diferente e mais forte que a desilusão que tive na infância. Será difícil fazer com que ela tenha pelo futebol brasileiro o orgulho que sempre tive, apesar das derrotas que vi.

 

brasil alemanha

 

E o pior é que os vexames nacionais vão se acumulando: em 2010 o Internacional perdeu para o Mazembe, ano passado o Atlético-MG foi sapecado pelo Raja Casablanca, este ano nenhum time brasileiro passou das oitavas-de-final da Libertadores. Isso sem mencionar a última Copa América, as Olimpíadas…  A verdade é que nos iludimos com as conquistas esporádicas e ainda batemos nos peito dizendo que somos o país do futebol, o que é uma mentira.

Já fomos. Não somos mais.

Torcerei pela Alemanha na final deste domingo, não só porque não quero ver os argentinos erguendo a taça no Maracanã, mas principalmente em razão dos alemães terem o melhor time, com mais jogadores talentosos em todas as posições.

E deixo aqui uma questão: se vencer bem a Argentina, depois de baterem o Brasil por 7 a 1 na semi-final, esse time da Alemanha não merecerá um lugar ao lado da nossa Seleção de 70 no panteão do futebol mundial?

 

brasil paquera a copa

 

.

 

 

 

jul 042014
 

 

PABLO_NERUDA

 

No sábado passado o Brasil venceu o Chile apenas nos pênaltis, depois de um sofrido empate de 1 a 1, com direito a levar uma bola no travessão no finalzinho da prorrogação.
Pois eu sou do tempo que ganhar do Chile era uma grande moleza.
Antes que você me acuse de ser velhote, esclareço que não foi há tanto tempo assim, pois na Copa de 2010 o Brasil bateu por 3 a 0 o time que já tinha o “mago” (hehehe) Valdívia.
Mas o confronto inesquecível com nossos hermanos da terra de Pablo Neruda foi em 1998. Era meu último ano de faculdade, e como estava muito atrasado com os trabalhos do estágio decidi não acompanhar meu amigos que foram ver o jogo na casa de uns colegas francanos. Fiquei na república terminando meus afazeres, e quando faltavam poucos minutos pro começo da partida, exatamente na hora que comecei a me dar conta do quanto era deprimente assistir sozinho o Brasil na Copa, apareceu o Helton no carro de alguém para me resgatar.
Fui então ver o jogo com a galera graças ao meu amigo. Talvez eu não consiga descrever a grandeza desse gesto, mas poucos seriam capazes de, no meio de uma festa, lembrar de alguém e convencer um outro (o Helton não tinha carro) para buscar um zé mané que ficou sozinho em casa.
Naquele dia o Brasil venceu por 4 a 1 e fomos todos comemorar na avenida Champagnat, certos de que o penta viria naquele ano.

 

garcia marquez

 

No meu tempo a Colômbia também nunca meteu medo, mas o futebol que o Brasil vem apresentando deixou todos inseguros. O camisa 10 colombiano, James Rodrigues, tem sido tratado como um novo Zidane, e todos questionam o estado emocional da Seleção.
Apesar disso, e mesmo que meus palpites anteriores tenham sido um fiasco, eu tenho esperança de que hoje o Brasil jogará bem e vencerá o time da terra de Gabriel Garcia Marquez por 2 a 0.
Nossos vizinhos continuam a nos vencer em Prêmios Nobel, mas no futebol ainda sou mais Brasil.

 

 

 

.

 

jun 172014
 

 

japao

 

Depois da primeira rodada, o saldo da Copa do Mundo é extremamente positivo, pelo menos para quem acompanha pela tv. Faço tal ressalva porque a imprensa tem noticiado falhas na organização e gambiarras inaceitáveis em estádios tão caros.

Mas com a bola rolando presenciamos jogos de qualidade até inesperada, com alta média de gols. E como as gambiarras não aparecem nas transmissões, os estádios têm se mostrado lindíssimos.

***

O Brasil não ganhou de 2 a 0 como previ no post anterior, e até passou sufoco contra a Croácia, apesar do placar folgado (3 a 1). Como aconteceu um pênalti mal marcado a nosso favor, os chatos e neuróticos de plantão bateram no peito para dizer que a taça estava comprada.

Vários outros erros de arbitragem aconteceram nos jogos seguintes, então achei que essa turma da paranoia iria cair na real. Infelizmente, o espírito de porco de alguns tem se demonstrado mais forte que a lógica: hoje escutei que o Brasil vai perder para o México para não dar tão na cara que está tudo combinado.

Vai perder nada – 3 a 1, pode cravar no seu bolão.

***

Apesar do golaço de cabeça feito por Van Persie contra a Espanha, a imagem mais impactante da Copa até agora foi da torcida japonesa que, mesmo com a derrota de seu time para a Costa do Marfim, recolheu a sujeira que produziu no estádio depois do final da partida.

No dia anterior, na abertura, os brasileiros que puderam pagar caro nos ingressos ou que ganharam de patrocinadores fizeram coro para mandar uma mulher – que também é avó e Presidente da República – tomar no cu para o mundo todo ver.

A diferença na civilidade e educação desses dois povos vai muito além do que se aprende na escola.

 

.

 

jun 122014
 

 

Instagrama

Faltam menos de duas horas para o início da Copa do Mundo do Brasil, e pelo que acabo de presenciar nas ruas não é verdade que desta vez o povo não está entusiasmado com o evento – estávamos todos sim praticando o esporte nacional de deixar tudo para a última hora.  A cidade está cheia de carros enfeitados, muitas pessoas estão nas lojas comprando cornetas, bandeiras e enfeites e muitas outras estão vestidas de amarelo, como eu.

Minha camisa é uma réplica daquela que foi usada pela Seleção de 1982, que não ganhou o título, mas entrou para a história. Além de me lembrar da primeira Copa que vivi (em 78 eu tinha apenas 4 anos), escolhi esse uniforme porque ele me faz lembrar que às vezes a forma é mais importante que o resultado.

Dita tal pérola filosófica de balcão de padaria, aposto que o Brasil bate a Croácia por 2 a 0.

.

jun 092014
 

 

figurinhas ping pong

 

De vez em quando ouço alguém dizer que não vai torcer para o Brasil durante a Copa porque isso beneficiaria a Dilma. Já escutei até que, se ganharmos, vai ser porque o PT comprou o título.

Além de ser uma especulação ridícula, dizer que o resultado da Copa do Mundo influencia no resultado das eleições é papo-furado que não tem sequer fundamento histórico.

Em 98, por exemplo, o Brasil perdeu mas FHC não teve problemas para se reeleger já no primeiro turno. Em 2002 fomos campeões, mas o candidato da situação, José Serra, perdeu para o Lula, que se reelegeu quatro anos depois apesar do vexame na Alemanha. Em 2010 aconteceu outra derrota nos campos, mas a situação fez sua sucessora.

Somente em 94 ocorreu da vitória na Copa coincidir com a vitória do candidato do governo, mas no caso o grande cabo eleitoral não foi o futebol, mas sim o Plano Real.

O Brasil ganhou uma Copa durante a ditadura (1970), perdeu outras quatro (1966, 1974, 1978, 1982) e ainda assim o regime durou mais de 20 anos. Não foi a vitória do time de Pelé, Gerson e Jairzinho que deu sobrevida aos militares, como não foram as derrotas dos outros selecionados que trouxeram de volta a democracia.

É certo que este ano temos como diferencial o fato da competição acontecer aqui no nosso país, pelo que é possível que as eleições sofram reflexos de eventuais problemas na organização. Os governos (federal, estaduais e municipais) podem ter suas imagens arranhadas se o desenrolar da Copa for comprometido pelos atrasos das obras e confusões administrativas.

Mas será o extra-campo que poderá servir como parâmetro de avaliação pelo eleitorado, e não o que acontecerá com o time do Felipão, por isso vou torcer pelo Brasil como fiz em todas as Copas desde 1982, a primeira da qual tenho lembranças.

E  espero, é claro, para que tudo dê certo. Isso não significa que estou de acordo com os gastos realizados, ou que o importante é fazer bonito para os gringos que virão assistir aos jogos. Entendo que muita coisa errada foi feita e que é preciso tomar as providências para cobrar as responsabilidades judiciais e eleitorais daqueles que se aproveitaram indevidamente do momento, mas  torcer para que as coisas se compliquem é coisa de gente pequena.

O “quanto pior, melhor” é burrice, e eu não sou nem burro, nem alienado. Sou apenas um cara que gosta de futebol  e que não misturo o meu divertimento com o meu voto.

 

.

 

nov 142013
 

 

 

Faz muito tempo que não publico nada sobre Techerinha no blog. Nessa era em que escrever sobre a vida de alguém sem autorização pode render uma música de protesto do Djavan, achei melhor guardar as informações que tenho para um momento mais apropriado, como quando os grandes músicos da nossa MPB pararem de ter vergonha de suas histórias e recuperarem a noção.

Mas me incomoda saber que algumas pessoas não acreditam que Techerinha existiu. Já ouvi desses pobres de espírito que as histórias do maior craque de futebol de todos os tempos são apenas fruto das ideias tortas de um absoluto demente.

Não gostaria de frustrar as centenas de milhares de pessoas que lêem este blog, mas tenho que admitir que ainda não cheguei no ponto da demência absoluta. Ainda. Sou apenas um cronista, ensaísta, contador de histórias e observador de nosso tempo que com genialidade, brilho, sagacidade e alguma modéstia traz ao mundo histórias sobre tudo e mais um pouco, inclusive as que são sonegadas pelas autoridades do futebol mundial.

Como já denunciei em outros posts, o status quo sabotou a maioria dos arquivos sobre Techerinha, isso para inflar a figura do tal do Pelé. Mas os poderosos não podem tudo, e apresento abaixo algumas fotos que comprovam a existência do Magnânimo Techerinha:

 

Techerinha observa Leônidas da Silva dando uma bicicleta. O craque achava o lance tão banal que só admitia fazê-lo com as pernas amarradas.

 

Nesta foto o craque é abraçado por seus colegas depois de ter feito um dos seus magníficos gols. Alguns jogadores tinham até cãibras de tanto abraçar Techerinha.

 

Techerinha se prepara para tomar a bola de Sócrates. O Doutor abandonou o futebol e foi ser apenas médico depois de ter sido humilhado pelo craque.

 

Raríssima foto colorida de Techerinha, durante um jogo no Japão, na província de Nin Ten Do.

 

 

.

 

 

 

ago 222013
 

 

maus3

 

Terminei de ler MAUS, que não à toa é considerada uma das melhores obras em quadrinhos de todos os tempos.

O autor conta a história de seu pai, sobrevivente do Holocausto, utilizando animais para caracterizar os povos envolvidos nos acontecimentos: os judeus são ratos (maus, em alemão), os alemães são gatos, os americanos são cães, etc. O traço é simples, mas serve ao enredo de forma extremamente eficiente.

 

image

 

A metaliguagem é outro instrumento que enriquece a história. Imagino o quanto deve ter sido difícil, e ao mesmo tempo libertador, escancarar tantos sentimentos.

Maus é do tipo de obra que faz entender o que é arte.

***

Outro dia estava vendo um jogo, tinha tomado algumas cervejas e alguém falou no Twitter de uma promoção. Foi assim que acabei comprando uma caixa com 20 filmes do Woody Allen.

 

image

 

O primeiro que vi até agora foi BANANAS, que começa com uma transmissão ao vivo pelo canal de esportes de um evento muito concorrido, que seria nada menos que o assassinato do presidente de uma republiqueta latino americana – com direito a entrevista exclusiva com esse presidente.
O filme é um escracho total. Fala de relacionamentos (claro, é Woody Allen), tem gozação política, uma parte de tribunal e é todo muito engraçado.É interessante também ver Sylvester Stallone, antes da fama (o filme é de 1971), fazendo uma ponta como marginal do metrô.

 

Bananas-Mugging-Scene

 

Quase nunca a mistura rede social+cerveja+impulso+cartão de crédito dá um resultado tão bom.

***

Falando em jogo,  meu São Paulo vai muito mal. No ano passado o Palmeiras ainda enganava sua torcida com alguns resultados bons de vez em quando.

***

Outra noite sonhei que destruíram meu carro e no dia seguinte, por coincidência, por duas vezes quase bati. Tanta coisa boa que sonho que não chega nem perto de se tornar realidade, só faltava essa…

 

 

.

jul 262013
 

 

joel

 

Quarta-feira o Atlético-MG tornou-se o mais novo campeão da Taça Libertadores da América. Foi o melhor time do torneio e, embora tenha desclassificado o São Paulo, torci a seu favor. Bem, na verdade torci mesmo pelo Cuca, que é um técnico que faz bons trabalhos e que precisava de um título assim (sempre é bom lembrar que em 2004 o Cuca foi o responsável pela montagem do time do Tricolor que viria a se tornar Tri-Campeão da Libertadores em 2005).

Apesar do Ronaldinho Gaúcho ter feito boas partidas, o grande herói da campanha atleticana foi Victor, que eu considero como um goleiro bom, não mais que isso. Acho que ele solta umas bolas esquisitas e rebate outras meio sem-jeito, mas pegou pênaltis fundamentais e teve durante toda a campanha muita, mas muita, sorte.

(É bom frisar que não acho que dizer que alguém tem sorte é demérito. A sabedoria popular nos ensina que sem sorte não se toma nem sorvete).

Mas fora o merecimento do técnico e o heroísmo do goleiro, é preocupante perceber que em 2013 o Atlético-MG é o campeão da Libertadores e o São Paulo vai passar em branco e lutando contra o rebaixamento. Aconteceu alguma coisa de muito errada com esse mundo.

Também é preciso perceber que o título atleticano é mais um sintoma que a Libertadores tornou-se esquisita. Não é justo, porém, dizer que isso começou no ano passado, com o Curíntia – embora tenha sido este um fato grave. Já em 2010 tivemos a anomalia de ver o Celso Roth campeão.

Do jeito que andam as coisas, ano que vem dá Figueirense. Com o Joel Santana de técnico.

 

 

 

 

set 282012
 

 

Power Rangers no Walmart (!?!)

 

Outro dia fiz um post sobre como nasceu a Saudosa Maloca, e ao procurar por fotos para ilustrá-lo deparei-me com uma dificuldade: tenho poucos registros daquele tempo. Eu não disponho, por exemplo, de nenhuma foto em que todos os membros originais da república estejam juntos.

Fotografia era algo bem mais complicado há algum tempo, bem diferente do que é hoje em dia, quando podemos flagrar a qualquer momento uns malucos que entram no supermercado vestidos de Power Rangers.

 

***

 

Dias atrás eu estava ouvindo Nevermind, do Nirvana, e nesta semana vi que se comemorava o vigésimo aniversário de lançamento do disco. A notícia foi daquelas coisas que fazem você perceber como o tempo passou rápido, mas o pior é que a informação estava errada: Nevermind foi lançado em 1991, então já se foram 21 anos!

 

 

Foi o disco mais importante da minha geração e é difícil explicar para os mais novos o impacto que aquele trabalho trouxe. Já é dificil fazê-los acreditar que houve um tempo em que as rádios tocavam rock…

(Se você pensou “Ah, mas hoje também toca rock, tipo assim, Fresno, Restart, CPM22…” saia deste blog agora e nunca mais volte).

 

***

Se é complicado falar da importância do Nirvana, imagine então como é tentar explicar quem foi Ted Boy Marino, que morreu ontem.

 

O Ted Boy Marino é o que está de joelhos (eu acho)

 

Poderia dizer que Ted Boy Marino foi um lutador de telecath que participou dos Trapalhões, no canal 5 do VHF, que eu via num televisor National que um dia precisou trocar a válvula.

Parece que falei em outra língua.

 

***

 

E hoje seria aniversário do Tim Maia, um artista tão grandioso que, se não tivesse sido tão porralôca, poderia ter sido um sucesso mundial.

Mas que, se não tivesse sido porralôca do jeito que foi, talvez não fosse hoje tão grandioso.

 

Tim Maia Racional – Ela partiu.mp3

 

***

 

Às vezes parece que fui eu que nasci há dez mil anos atrás.

 

 

ago 212012
 

 

A foto do post anterior é uma imagem do Instagram. A partir de agora as novas fotos adicionadas àquela rede social estarão integradas ao blog e serão publicadas em forma de post numa categoria batizada de Instantâneos. As fotos também continuarão a ser expostas aleatoriamente na coluna à direita, na seção “Instagrams”, e caso você tenha curiosidade de ver toda a galeria, pode clicar aqui.

***

O Instagram é hoje a rede social mais interessante de todas, já que utiliza-se apenas de fotos. Gosto muito do Twitter também, que exige objetividade com sua limitação de 140 caracteres, mas infelizmente a maioria dos meus amigos agora só quer saber do Facebook, que é centralizador e egocêntrico.

Os tuítes que de vez em quando faço também podem ser visualizados na coluna à direita, na seção Tuitadas.

***

O Google+ não deu em nada, e o Orkut, aonde mantenho uma conta à deriva, é um zumbi –  o que o Facebook deve se tornar daqui a algum tempo. Muita gente tem deixado de acompanhar o “feice”, e eu mesmo praticamente só o utilizo pelo celular, para postar fotos ou divulgar o blog (e os resultados são bem discutíveis, mas aí a culpa acho que é minha).

O Facebook sofre pela sua megalomania, pois agrega informação demais. O problema é que desse mundaréu de coisas que invade nossas timelines poucas são realmente interessantes, e filtrar o conteúdo relevante exige tempo e paciência, duas coisas que cada vez tenho menos.

***

Embora surjam novos serviços e novos meios de integração, o que realmente funciona entre meus amigos de faculdade (os caras do Mesa Redonda) é o bom e velho email aberto, com cópias para todos. Os moderninhos dirão que é mais anacrônica forma de comunicação da era digital, mas talvez por isso mesmo é a que mais combina conosco.