abr 202018
 

 

Faz tempo que não escrevo nada. Ando desanimado, me parece que o mundo já tem textão demais, todo mundo tem opinião sobre tudo e ninguém está entendendo nada. Manter um blog no atual cenário é apenas um exercício de egolatria: leiam o que eu escrevo pois a minha opinião é a mais certa e eu explico tudo pra você.

Tem um monte de coisas mais legais por aí do que acompanhar um blog. RICK AND MORTY, por exemplo.

Trata-se de um desenho adulto, engraçado, violento, niilista, herege e inteligente. Um neto bundão e seu avô cientista bêbado (inspirados na dupla McFly e Doc Brown, do De Volta para o Futuro) viajam por planetas, dimensões paralelas e realidades alternativas e depois voltam para a casa, que nem sempre – quase  nunca – fica imune às consequências. Ficção científica misturada com pitadas de filosofia, piadas sobre peido e monstros alienígenas que explodem em sangue. Na Netflix tem as duas primeiras temporadas.

 

 

WILD WILD COUNTRY é uma série documental bem legal, também disponível na Netflix, que mostra a história do um guru indiano Bhagwan Rajneesh (também conhecido como Osho) e sua tentativa de criar uma cidadela para seus seguidores em uma região praticamente deserta nos EUA. Logo no primeiro episódio aparece a imagem de alguém dizendo que, no futuro, alguém iria escrever um livro sobre aquilo tudo e chamariam de ficção. Pois é tudo verdade, e é tudo muito louco.

São seis episódios de cerca de uma hora cada um, mas passa rápido. O mais bacana é que ao longo da série a percepção sobre os envolvidos muda: os caipiras xenófobos também são vítimas de um bando de religiosos fanáticos; o governo está certo e errado em tomar medidas contra aquele mini-Estado não-cristão que está sendo criado no interior; nem todos os adeptos da filosofia paz e amor são de paz (mas amor eles faziam muito, pelo jeito).

Até agora fico tentando entender cada um dos personagens que são mostrados, mas estou longe de conseguir. Acho isso um grande mérito dos autores da obra.

 

 

Para que não pensem que eu estou sendo patrocinado pelo Netflix, lembro que no Youtube é possível ver todos os quadros do CHOQUE DE CULTURA, com os melhores nomes do transporte alternativo do Brasil e suas avaliações sobre filmes. O problema de assistir esses caras é que você acaba se interessando pelo FALHA DE COBERTURA e suas análises esportivas, aí dá de cara com o ESCROTO GOMES e suas frases bem elaboradas e, quando se dá conta, está assistindo O ÚLTIMO PROGRAMA DO MUNDO e cantando as versões em português de músicas grunge do Seu Getúlio.

 

 

Essas são apenas algumasgestões de coisas para ocupar o tempo que são mais interessantes que este blog. Quando eu tiver uma opinião certeira pra dar, ou precisar explicar algo de um jeito bacana, eu volto.

 

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jan 262016
 

 

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“Tempo é relativo”, me diz o Óbvio, sentado ao meu lado enquanto escrevo estas linhas.

Já se passaram muitos dias desde a última postagem e ele está aflito, esperando ser alimentado. Tenho me contido durante esse período para não me render ao seu chamado, mesmo que seja tentador e às vezes coberto de razão.

Em relação à relatividade do tempo, por exemplo, ele está certo: ontem fez 21 anos desde aquele show do Lulu Santos do Ibirapuera mas parece que foi… ontem. Minhas férias inteiras duraram menos que as horas que sentei em frente ao computador depois que voltei ao trabalho.

Mas tenho lutado para não me render ao Óbvio e seu sorriso vazio de satisfação. Por mais que ele continue a me espreitar a cada bate-papo, a cada mensagem trocada, a cada olhada no Facebook, aguardando pacientemente minha resposta a um comentário qualquer.

Essa minha resistência, todavia, tem causado o hiato nas postagens e algum ressentimento. O dia mais emblemático foi quando David Bowie morreu.

Assim que soube da morte do cantor o Óbvio ficou ululante. Abriu o notebook e leu cada comentário sobre a genialidade artista rindo de si mesmo, enquanto aguardava a minha participação no rol de homenagens sem fim. Ele sabia que sou fã do Bowie e que isso certamente renderia um post consagrador a ele (consagrador ao Óbvio, quero dizer).

Mas minha decisão de não escrever por entender que não haveria algo original para postar foi um golpe duro, que o deixou decepcionado comigo. Depois de tantos anos enriquecendo suas fileiras, o Óbvio se sentiu traído pela minha atitude.

Aos poucos, porém, vejo que ele está se recobrando e se sentindo mais forte, mais confiante. Ambos sabemos o porquê. É certo que, por mais que eu tente, cedo ou tarde não resistirei aos seus apelos e voltarei a colaborar com ele.

Quando digo “com ele” me refiro ao Óbvio, claro.

 

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jul 122014
 

 

Brasil X Alemanha

 

 

Em 74 eu era recém-nascido, em 78 era pequeno demais, mas de 82 eu me lembro bem. Recordo de todos os jogos do Brasil na Copa da Espanha, desde o primeiro, com a sofrida virada sobre a União Soviética, até o último, a mais dolorida de todas as derrotas – acredito que o Maracanazzo tenha sido até mais sofrido, mas por essa eu não passei.

O vexame do último dia 08, contudo, não pode ser comparado a esses dois eventos mencionados acima. Perder de 7 a 1 da Alemanha, em uma semi-final disputada no Brasil, sequer nos fez sentir tristeza. A minha filha, que tem quase a mesma idade que eu tinha em 82, ficou com raiva da Seleção, um sentimento diferente e mais forte que a desilusão que tive na infância. Será difícil fazer com que ela tenha pelo futebol brasileiro o orgulho que sempre tive, apesar das derrotas que vi.

 

brasil alemanha

 

E o pior é que os vexames nacionais vão se acumulando: em 2010 o Internacional perdeu para o Mazembe, ano passado o Atlético-MG foi sapecado pelo Raja Casablanca, este ano nenhum time brasileiro passou das oitavas-de-final da Libertadores. Isso sem mencionar a última Copa América, as Olimpíadas…  A verdade é que nos iludimos com as conquistas esporádicas e ainda batemos nos peito dizendo que somos o país do futebol, o que é uma mentira.

Já fomos. Não somos mais.

Torcerei pela Alemanha na final deste domingo, não só porque não quero ver os argentinos erguendo a taça no Maracanã, mas principalmente em razão dos alemães terem o melhor time, com mais jogadores talentosos em todas as posições.

E deixo aqui uma questão: se vencer bem a Argentina, depois de baterem o Brasil por 7 a 1 na semi-final, esse time da Alemanha não merecerá um lugar ao lado da nossa Seleção de 70 no panteão do futebol mundial?

 

brasil paquera a copa

 

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jun 092014
 

 

figurinhas ping pong

 

De vez em quando ouço alguém dizer que não vai torcer para o Brasil durante a Copa porque isso beneficiaria a Dilma. Já escutei até que, se ganharmos, vai ser porque o PT comprou o título.

Além de ser uma especulação ridícula, dizer que o resultado da Copa do Mundo influencia no resultado das eleições é papo-furado que não tem sequer fundamento histórico.

Em 98, por exemplo, o Brasil perdeu mas FHC não teve problemas para se reeleger já no primeiro turno. Em 2002 fomos campeões, mas o candidato da situação, José Serra, perdeu para o Lula, que se reelegeu quatro anos depois apesar do vexame na Alemanha. Em 2010 aconteceu outra derrota nos campos, mas a situação fez sua sucessora.

Somente em 94 ocorreu da vitória na Copa coincidir com a vitória do candidato do governo, mas no caso o grande cabo eleitoral não foi o futebol, mas sim o Plano Real.

O Brasil ganhou uma Copa durante a ditadura (1970), perdeu outras quatro (1966, 1974, 1978, 1982) e ainda assim o regime durou mais de 20 anos. Não foi a vitória do time de Pelé, Gerson e Jairzinho que deu sobrevida aos militares, como não foram as derrotas dos outros selecionados que trouxeram de volta a democracia.

É certo que este ano temos como diferencial o fato da competição acontecer aqui no nosso país, pelo que é possível que as eleições sofram reflexos de eventuais problemas na organização. Os governos (federal, estaduais e municipais) podem ter suas imagens arranhadas se o desenrolar da Copa for comprometido pelos atrasos das obras e confusões administrativas.

Mas será o extra-campo que poderá servir como parâmetro de avaliação pelo eleitorado, e não o que acontecerá com o time do Felipão, por isso vou torcer pelo Brasil como fiz em todas as Copas desde 1982, a primeira da qual tenho lembranças.

E  espero, é claro, para que tudo dê certo. Isso não significa que estou de acordo com os gastos realizados, ou que o importante é fazer bonito para os gringos que virão assistir aos jogos. Entendo que muita coisa errada foi feita e que é preciso tomar as providências para cobrar as responsabilidades judiciais e eleitorais daqueles que se aproveitaram indevidamente do momento, mas  torcer para que as coisas se compliquem é coisa de gente pequena.

O “quanto pior, melhor” é burrice, e eu não sou nem burro, nem alienado. Sou apenas um cara que gosta de futebol  e que não misturo o meu divertimento com o meu voto.

 

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mar 142014
 

 

anos 80

 

Tenho poucas recordações de coisas que ocorreram antes que eu completasse 7 anos de idade, mas acho que é assim com todo mundo. É a partir da morte de John Lennon, em dezembro de 1980, que minhas lembranças são mais numerosas. O assassinato do Beatle foi um momento de grande comoção, e eu me recordo do noticiário, da reação das pessoas e dos artistas e até de uma revista que trazia o cantor na capa.

Assim começaram os anos 80 para mim. E por mais que eu tenha tido uma infância feliz e nada possa reclamar quanto a isso, aquela década me parece cinza e suja quando me vem à memória.

Muitas eram as incertezas naqueles tempos. Haveria uma hecatombe nuclear como mostrada no filme O Dia Seguinte? A democracia seria restabelecida de fato no Brasil com as Diretas Já? Nostradamus estaria certo quanto às profecias do final dos tempos? Voltaríamos a ganhar uma Copa do Mundo?

Embora o Rio de Janeiro nos proporcionasse imagens ensolaradas vindas pela Globo, os telejornais não deixavam as pessoas otimistas. Havia um sentimento de que estávamos em um país estagnado, cujo futuro prometido nunca chegaria.

É com surpresa então que vejo hoje algumas pessoas com saudades daqueles tempos. Não me refiro ao apreço à infância, à música ou às artes que eram produzidas, mas sim justamente àquilo que tínhamos de pior, que era a ditadura militar.

Circulam por aí manifestações que fazem parecer que sob o governo dos generais o Brasil era um país alegre, com baixos índices de violência, economia em alta e sem nenhuma corrupção. Uma nação que fazia valer seu lema de “ordem e progresso”.

Quem pensa assim certamente não viveu aqueles dias. Ou não se recorda que estávamos sob censura, durante uma década chamada de perdida, em um país classificado como terceiro mundo. Esquadrões da Morte, Comando Vermelho, Coroa-Brastel, Caso Delfin, Abi-Ackel, Sudene, Fleury, obras faraônicas, maxidesvalorização do cruzeiro, torturas, Paulo Maluf, AI-5, dívida externa, dívida social, Paulipetro, cassações, reserva de mercado, êxodo rural … Muitos eram os nomes e os termos que tornaram aquele um período sombrio.

Acredito que essas manifestações que clamam por uma nova intervenção militar façam parte de movimento orquestrado, planejado para fazer a população acreditar que tudo o que aconteceu depois da redemocratização foi ruim. Divulgar esse sentimento favoreceria os setores mais conservadores, os quais ainda sonham com a reconquista do poder e suas benesses através de um golpe, uma revolução ou até mesmo pelo uso dos meios democráticos, fazendo eleger um novo salvador da pátria de perfil autoritário e supostamente sem compromissos.

É claro que não estou plenamente satisfeito com a situação do país, mas entendo que ignorar que melhoramos nos últimos 25 anos chega a ser uma leviandade. Abrir mão da democracia seria um retrocesso grande demais para um país que, embora ainda caia alguns tombos, começou a dar seus próprios passos para o desenvolvimento.

Se para mim a década de 80 começou com o assassinato de John Lennon, seu encerramento se deu com as eleições para presidente em 89. Embora eu não tivesse ainda idade para votar e o resultado do pleito tenha sido a consagração do Collor, aquele momento foi um marco não pode ser esquecido nem minimizado. Foi a partir de então que minhas memórias começaram a tomar outras cores e que, embora as coisas ainda não estejam como gostaria que estivessem, pelo menos perderam aquela influência do tom de oliva que deixava tudo triste e cinzento.

 

 

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fev 252014
 

 

delegacia

 

Já na entrada tive o anúncio de que a noite não seria fácil. O policial militar disse que eu não poderia falar com meu cliente, eu insisti que iria, ele retrucou que eu não podia e eu o deixei falando sozinho, desafiando-o a me impedir. Conversei com o rapaz rapidamente e saí ouvindo os resmungos do PM enquanto todos os demais olhavam em silêncio.

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Fui encontrar com a família do rapaz na entrada, e enquanto esperávamos o delegado chegar o roteiro da noite se montava: um rapaz de cabelos amarelos e cara de Denis O Pimentinha foi trazido porque estaria portanto pinos de cocaína junto com um amigo. Um policial entrou com três tijolos – paralelepípedos, na verdade – de maconha nas mãos. Uma mocinha bonitinha veio reclamar que roubaram a sua bolsa.

O pai do Pimentinha começou a puxar conversa, explicando que o filho é bom porém anda com más companhias. Quase sempre isso é verdade, mas pode ser que valha também para o pai do outro rapaz que foi preso.

denis pimentinha

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O prédio do 1º DP de Jacareí comporta também a cadeia pública, e é igual a muitos outros que foram construídos entre os anos 60 e 70 no interior do Estado. Sua história, porém, é particularmente trágica. Em 1981 houve uma rebelião em que sete pessoas morreram depois de um intenso tiroteio, e entre as vítimas estava Franz de Castro Hollzwarth, um advogado que tentava negociar com os amotinados e se ofereceu para tomar o lugar de um PM que tinha sido feito refém.

Além de dar seu nome para uma rua, para a sala da OAB no fórum de Jacareí, para o próprio prédio da delegacia e para um prêmio concedido pela OAB/SP dedicado aos defensores dos direitos humanos, corre na Igreja Católica um processo de canonização de Franz de Castro.

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A PM chegou com o dono dos paralelepípedos de maconha, mas parecia estar trazendo uma piada pronta: o rapaz tinha um visual jamaicano, com dreadlocks no cabelo que iam até a cintura, e vestia camiseta branca estampada com o rosto do Bob Marley.

Era a apresentação do puro estereótipo do maconheiro, algo que talvez possa ao final até ajudá-lo. Só mesmo um entusiasta da filosofia rastafári poderia dizer que aqueles quatro quilos de erva prensada seriam para consumo próprio.

bob marley

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Mesmo depois da chegada do delegado a noite se arrastava. Eram apenas ele e dois escrivães para atender todos os casos, e mais gente foi chegando ao plantão. Um cara que teve a motocicleta roubada, uns moleques que pichavam um prédio público, um homem cuja sogra morreu no seu carro enquanto iam para o hospital.

Eu e meu cliente esperávamos porque a equipe de perícia teria saído para atender um chamado de atropelamento em Paraibuna, a cerca de 70 km de distância. Isso atrasou o andamento das outras ocorrências, e em pouco tempo o prédio estava cheio de cidadãos, presos e policiais militares. 

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Na TV do saguão passava o último episódio da segunda temporada da boa série Homeland, mas assistir tiroteios no meio de tanta gente armada, e em um local com tristes antecedentes, não pareceu muito adequado.

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Os peritos chegaram, meu cliente foi liberado, e enquanto saíamos chegou uma moça, ou rapaz, não sei ainda, dizendo que foi vítima de roubo e pedindo ajuda aos policiais militares que estavam no saguão. Muito nervoso, ou nervosa, chorava ao tentar descrever o ladrão, e se perdia em prantos ao falar da mochila que foi levada.

Havia algo de patético em ver uma adulta, ou adulto, chorando e implorando por causa de uma mochila, mas ao mesmo tempo a cena era comovente. Como julgar as necessidades de alguém? Como avaliar o comportamento do outra pessoa em um momento de estresse?  Será que eu também não pareci patético ao enfrentar o policial militar quando cheguei?

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 Eram quase 3h da manhã quando cheguei em casa.

 

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jan 082014
 

 

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Eu nunca fui muito fã do 007 – deixei de acompanhar a série desde os horríveis filmes com Roger Moore e não assisti nenhum com Timothy Dalton ou Pierce Brosnan – mas resolvi dar uma nova chance ao herói e vi toda essa nova leva começada com “Cassino Royale”.

Aquelas perseguições só possíveis a James Bond continuam, assim como as traquitanas e as mulheres, mas os três filmes mais recentes atualizaram bem o personagem. E o último (o melhor dessa trilogia) consolida a transição do agente secreto para a fase moderna – não à toa, o embate entre o velho e o novo é um dos principais temas de “Operação Skyfall”.

E o vilão de “Skyfall” é também o melhor dos últimos três, lembrando muitas vezes o Coringa de “O Cavaleiro das Trevas”.

 

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Outro que nunca esteve entre os meus favoritos é o Aerosmith. Conheço pouco da banda – só os hits, na verdade – mas algumas de suas músicas são realmente muito boas. Pensei nisso porque enquanto escrevo ouço “Amazing” e, para variar, comecei a balançar a cabeça no solo de guitarra no final da canção.

O Aerosmith tem contra si o fato de ter inspirado muitas bandas-farofa, mas são ótimos músicos e Steve Tyler é um dos melhores vocalistas do rock. E é o pai da Liv, pelo que sempre merecerá meu agradecimento.

 

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ozymandias

 

Eu já achava que não me seria uma boa a ideia de fazer novas histórias com os personagens de Watchmen, mas ainda assim resolvi arriscar e comprei o episódio da série “Antes de Watchmen” protagonizado por Ozymandias. Escolhi essa edição por achar o alter ego de AdrianVeidt um dos mais complexos heróis da história original, justamente por se tornado – spoiler! – o vilão da trama.

Pois minha previsão estava certa: a “autobiografia” daquele que se tornou Ozymandias é um amontoado de clichês que não faz jus à criação de Alan Moore. Para mim, a grande sacada de Watchmen foi partir da ideia que uma pessoa que veste uma máscara para sair por aí batendo nos outros, a pretexto de estar combatendo o crime, é figura com sérios problemas – pois o Veidt da história não passa de uma cara metido a besta que decidiu salvar o mundo porque achou que deveria.

Nem a justificativa para ter se tornado um mascarado é boa. Ele passou a combater o crime para vingar a perda de uma namorada – oh! – mas passa a história inteira sem convencer de que era realmente chegado 😐 .

Quando é mais fácil acreditar nas peripécias de um filme do 007 do que em uma história em quadrinhos é porque algo deu muito errado…

 

 

nov 042013
 

 

 

Elysium-Wagner-Moura-05abr2013-01

 

O cretino colunista da Veja não gostou de Elysium pois achou que este é um filme de ideias comunistas.

Para o colunista cretino, é injusto que o filme mostre como vilões insensíveis os ricos que moram em uma colônia espacial, curtindo benesses exclusivas, completamente isolados do pobres que continuam habitando a Terra. Eles estão ali porque mereceram, ora bolas!

O que não passou pela cabeça do cretino colunista é que o filme é sobre o presente, tempo em que os ricos se escondem nos condomínios cada vez mais luxuosos e de muros mais altos. Esse afastamento social já começou a cobrar o seu preço, mas esperar um pouco de reflexão de um colunista de uma revista cretina é querer demais.

Elysium chama a atenção por ter Wagner Moura em um papel importante,  mas não é um filme bom, nem ruim. Seu problema é justamente estabelecer premissas interessantes mas resolvê-las da forma mais usual, abusando dos clichês de filmes de ação.

Ainda que não seja tudo o que promete, vale muito mais gastar seu dinheiro com o ingresso do filme que para comprar as cretinices publicadas pela Veja.

 

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O Exterminador do Futuro 4 - A Salvação

 

Já tem uns dois anos que saiu, mas eu não tinha visto ainda: O Exterminador do Futuro: A Salvação.

O primeiro Exterminador do Futuro é um dos grandes filmes de ficção científica de todos os tempos, e o segundo é muito bacana também, com efeitos especiais que marcaram época. Já o terceiro é uma xaropada enorme, e creio que foi por desgostar tanto desse filme que não me animei para ver o último, que tem a função de iniciar uma nova trilogia.

E esse quarto filme também foi uma decepção. A partir do meio a história fica sem sentido, e o final é de uma pieguice deprimente (se você não viu ainda, aviso que vou mandar spoiler): o robô/homem/vilão/bonzinho decide doar seu coração para John Connor, pois afinal todo mundo merece uma segunda chance.

Aff…

Com esse filme ruim o Exterminador do Futuro já queimou sua segunda chance de me manter interessado pela franquia.

 

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gravidade filme

 

O melhor filme de ficção que vi recentemente é Gravidade.

Cotado como um dos melhores filmes de 2013 e colocado na condição de favorito ao Oscar, trata-se de uma obra marcante, não só pela boa história, mas também pelas belíssimas imagens que proporciona e pelos ótimos efeitos especiais (altamente recomendado que seja visto em uma sala 3D).

O enredo é simples: dois astronautas ficam à deriva no espaço depois que uma chuva de detritos atinge sua nave espacial, e a luta pela sobrevivência traz algumas considerações bem interessantes sobre morte, motivações, renascimento, etc.

O filme proporciona ainda ótimos momentos de ação e apreensão, mas acho que o colunista cretino da revista cretina também não deve ter gostado, afinal, é mostrada uma estação espacial chinesa, e como a China é comunista…

 

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ago 252013
 

 

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Duas grandes polêmicas abalaram Gotham City nesta última semana.

Primeiro foi a entrevista do quadrinista Grant Morrison, que afirmou ser óbvio que Batman matou o Coringa no final de A PIADA MORTAL. Escrita por Allan Moore, esta graphic novel foi lançada em 1988 e é um verdadeiro clássico, tendo estabelecido paradigmas para o homem-morcego.

O ilustrador da história, Brian Bolland, também compartilha dessa interpretação mortífera, e agora os fãs se dividem entre o “eu já sabia” e “não, não é possível”, já que a história entrou para a cronologia do Batman e vilão voltou a aparecer depois.

De minha parte, digo que já reli A PIADA MORTAL centenas de milhares de vezes e juro que nunca tinha entendido que o Coringa morria no final.

No Trabalho Sujo tem muito mais detalhes sobre o caso, que só será devidamente esclarecido se Allan Moore um dia se pronunciar.

 

 

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A outra polêmica foi a escolha de Ben Affleck para o papel do Batman nos próximos filmes.

Esse ator já protagonizou o filme do Demolidor, considerado uma bomba, mas não é por isso que não gostei da escolha – apesar do Demolidor ser um dos meus personagens preferidos, foram tantas críticas ruins que eu nunca ousei vê-lo.

Acho que Ben Affleck não tem cara de Bruce Wayne, que é o que importa – com máscara, até eu interpreto o Batman.

Christian Bale interpretou muito bem o Morcegão nos três filmes da última trilogia, mas parece que não tinha interesse em continuar, o que é uma pena.

 

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Sobre minha epifania com o Caveleiro das Trevas, clique aqui.

 

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