out 112016
 

 

dois

 

Você se lembra como foi seu dia 20 anos atrás?

Geralmente não sei nem o que fiz ontem, mas daquela sexta-feira, 11 de outubro, eu não me esqueço: estava almoçando no Restaurante Universitário quando me contaram sobre a morte do Renato Russo. Desisti então de passar a tarde na biblioteca da faculdade e resolvi voltar para a república, que ainda era aquela na rua Prudente de Moraes. Cheguei a tempo de ver o Jornal Hoje e as várias reportagens que seguiram pelo dia, inclusive a do jornal Aqui Agora, com um texto banal e desinformado narrado sobre as imagens do clipe de Strani Amore.

“DOIS” foi o primeiro disco que comprei na vida, com o dinheiro que ganhei do meu avô como presente de aniversário. “MÚSICA DE ACAMPAMENTO” comprei para dar de presente de Natal, mas ao chegar em casa resolvi que ficaria com o disco para mim. “AS QUATRO ESTAÇÕES” eu tinha em fita K7, copiado do LP que meu primo ganhou de amigo secreto  – naquela mesma oportunidade eu ganhei uma fita com os maiores sucessos da Joana. Sério. “V” tem “Metal Contra as Nuvens”, que embalou a primeira grande dor de cotovelo que tive na vida.  “O DESCOBRIMENTO DO BRASIL” eu comprei no Carrefour. Também em fita em tive o primeiro LP (“LEGIÃO URBANA”) e “A TEMPESTADE” foi o primeiro que adquiri em CD.

Apesar desses discos todos, eu não poderia ser chamado de um verdadeiro fã. Nunca tive um pôster na parede, e deixei de ir aos shows quando tive oportunidade por achá-los caros demais. Também não acompanhava tudo sobre a banda e não sabia que Renato estava tão doente, por isso a minha surpresa com a notícia da sua morte.

Eu já disse alguma vez que “Tempo Perdido” é a grande música da minha geração. Impossível ouvi-la sem lembrar de coisas, de pessoas e histórias que se perderam pelo… tempo. E muitas outras músicas da Legião ainda mantém o apelo original, mesmo com as patacoadas que os membros sobreviventes têm realizado.

Não é possível saber como estaria Renato Russo hoje. Seria o grande porta voz das novas gerações? Seria um velho chato e amargurado como o Lobão? Estaria fazendo shows em festivais agropecuários cantando as mesmas canções do passado? Seria coxinha? Ou mortadela? O que temos como fato é que a Legião se mantém relevante e atual, o que é instigante e assustador. É só ouvir “Perfeição” para nos darmos conta de como ainda é impossível responder que país é esse.

Apesar dos vinte anos, a máxima ainda vale: Urbana Legio Ominia Vincit.

 

 

 

abr 252016
 

 

 

Quando Michael Jackson morreu eu enviei um email para muitos amigos, para falar do tempo que passou desde que o Rei do Pop dançou o moonwalk e de como nos transformamos nesse período, e essa mensagem acabou de certa forma gerando a ideia de ter um blog. Nunca fui fã do Michael, mas ele sempre esteve presente em nossas vidas, mesmo que não percebêssemos.

A morte de Prince igualmente entristece quem viveu os anos 80. Também não era fã d’O Artista, mas When Doves Cry era onipresente nos programas de videoclipes de TV, Kiss tocava na New Wave e em todas as danceterias do mundo e não havia festa sem Purple Rain para fazer os casaizinhos dançarem. Isso sem falar de Nothing Compares 2 U, que fez sucesso com Sinead O’Connor, mas foi composta pelo Prince.

Talvez os jovens não tenham se dado conta de quem ele foi, mas Prince fazia parte do grande triunvirato da música pop, juntamente com Madonna e Michael Jackson. Foram as escolhas extravagantes que fez na carreira que acabaram por afastá-lo das novas gerações, mas para quem quiser saber sobre sua história e sua relevância sugiro este texto,  que é melhor do que qualquer coisa que eu possa escrever.

O que me importa é que outro representante da minha infância/adolescência se foi. E mesmo que eu não tenha nenhum disco do Prince em casa, acho que, de alguma forma, sou quem sou porque um dia ouvi Batdance e festejei como se fosse 1999.

 

***

 

Bruce Springsteen homenageou Prince cantando Purple Rain. Ficou foda:

 

 

Honey, I know, I know
I know times are changing
It’s time we all reach out
For something new, that means you too
You say you want a leader
But you can’t seem to make up your mind
I think you better close it
And let me guide you to the purple rain

 

 

jul 272014
 

 

Comme d’ Habitude é uma das músicas mais regravadas em todos os tempos:

 

 

Mas pouca gente sabia que a canção original é francesa. Todo mundo conhece a versão em inglês, My Way, que foi gravada por intérpretes do gabarito de Frank Sinatra e Elvis Presley:

 

 

Mas minhas versões preferidas são dos Sex Pistols, com Sid Vicious nos vocais…

 

 

… e a do Camisa de Vênus, num português bem mais tosco, desbocado e sincero do que a do Chitãozinho e Xororó:

 

 

…And more, much more than this
I did it my way…
(The end is near o escambau!)

Continue reading »

maio 082014
 

 

CYMERA_20140507_104609

 

Aquele era um sábado de rock, bebê, e começou bem cedo, quando encontrei o Marcelo Nova na Rodoviária do Tietê antes das 6h da manhã. Infelizmente não fui falar com o cara, mas eu ainda teria novas chances de tietar rockstars nas próximas 24 horas.

Eu fui cedo para a rodoviária paulistana porque iria pegar um ônibus até capital paranaense, aonde estava acontecendo o Curitiba Pop Festival. Além de várias atrações nacionais, naquela noite iria tocar pela primeira vez no Brasil o Pixies, banda não muito conhecida do grande público mas muito importante e influente no mundo do rock alternativo.

Meu ingresso eu consegui na última hora. Três amigos tinham se programado para ir ao festival, mas o Fernando afinou, digo, precisou desistir. Como a minha ida não estava prevista a logística foi um tanto maluca: perdi os shows da sexta, e quando cheguei em Curitiba no começo da tarde o Pires e o Adauto já me esperavam no hotel, prontos para irmos à Pedreira Paulo Leminski. Para a viagem de volta eu tinha comprado uma passagem de um vôo da Vasp que sairia às 7h do dia seguinte e levaria meros 40 minutos para fazer o trajeto que de ônibus dura 6 horas – eu queria chegar antes do almoço em casa porque no domingo seria o Dia das Mães.

 

Pixies set list

 

Chegamos os três por volta das 15 horas no local ainda vazio. Acomodamo-nos na frente do palco e vimos todos os shows, dos quais eu destaco o do Mombojó e o dos Autoramas. Só saí dali uma vez, para comer um lanche e ir ao banheiro, mas quase não consegui voltar graças ao milhares que agora se aglomeravam em busca do melhor lugar. Depois de algum jeitinho, apertos e cotoveladas consegui chegar à frente, e quando começou o show principal estávamos eu e o Adauto bem próximos ao palco, encostados na grade. O Pires não teve tanta sorte – ou foi mais educado – e foi levado pela multidão. Só nos reencontramos depois que tudo tinha acabado.

Eu sei que a maioria das 3 ou 4 pessoas que vão ler isso aqui talvez nem conheça o Pixies, mas eu confesso que na época também não sabia quase nada sobre a banda. Conhecia só Here Comes Your Man e Gigantic, mas sabia que o show valeria a pena, e que aquele seria um momento histórico. Pena que eles voltaram outras vezes ao Brasil, senão teria sido mais histórico ainda…

Depois do fim do show fomos até o hotel onde tomei um banho e deitei na cama por uma hora, até sair para pegar um táxi. Quando estava andando pelo saguão do aeroporto tive uma surpresa: os Pixies também estavam ali, tomando um café antes de viajar.

Vacilei mais uma vez, mas quando encontrei com eles na área de embarque decidi falar com o grupo. Meu gesto fez com que outras pessoas que estiveram no show também se aproximassem, e uma garota que tinha o inglês melhor que o meu me ajudou a conversar a banda, que foi muito simpática (o Frank Black nem tanto, é verdade). Foi naquele momento que descobri para que serviam as câmeras em telefones celulares – nessa época poucos modelos traziam o acessório, e infelizmente o meu não era um deles.

 

Pixies - autógrafos

 

Se não fosse por esse encontro a minha opção pelo vôo teria sido um completo fiasco: o mau tempo fez que a pista do aeroporto ficasse fechada a manhã inteira, e só consegui embarcar por volta das 13h. No final das contas, se tivesse voltado de ônibus teria chegado mais cedo para o almoço de Dia das Mães.

Por outro lado, não teria pego os autógrafos da banda e a Kim Deal não teria tido a chance de conversar com o rapaz from Jacarai, Sao Paolo.

 

 

 

abr 072014
 

 

Depois de tantas tentativas, aconteceu o encontro casual que ele tanto almejava. Ele a viu de longe, mas fez de conta que não. Ela passou de cabeça baixa, segurando um pacote; ele deu a volta e então se deram de frente. Sorrisos tímidos de ambos os lados. Coube a ela quebrar o gelo:

– Oi, tudo bem? Que surpresa!

– Oi! Surpresa te ver também – mentiu ele. Você está bem? Mudou o cabelo…

– Pois é, mudei a cor, você gostou?

Ele achou feio aquele tom do cabelo entre o amarelo e o alaranjado.

– Sim, ficou bom. O que você tem feito? Está estudando?

Ela deu outro sorriso curto. As coisas não estavam acontecendo como tinha planejado:

– Ah, tenho feito tanta coisa, não tenho tempo pra mais nada, só trabalho. Dei até um tempo nos estudos, mais pra frente eu retomo. Bom, preciso ir. Foi bom te ver.

– Foi bom te ver também. Quando quiser conversar, me ligue.

– Pode deixar, eu ligo sim. Beijos.

Mil anos se passaram, e ela nunca ligou.

 

mar 132014
 

.

De repente você ouve uma música, acha fantástica, vai saber de quem é e descobre que é do Led Zeppelin.
Aí você sente vergonha por não conhecer o repertório de uma banda tão importante e a única coisa que resta a fazer é comprar todos os discos que encontrar.
Esta é a canção:

 

)

 

Happiness, no longer sad
Happiness, I’m glad

.

mar 052014
 

 

Como é quarta-feira de cinzas no país, lembrei de Saudosismo de Caetano Veloso, que regravou a música em várias oportunidades. Esta é versão ao vivo tocada com Os Mutantes:

 

Gal Costa cantou de forma magnífica no seu primeiro disco solo, de 1969:

 

O Tremendão Erasmo Carlos também fez a sua versão em 1969, e a música ganhou um belo arranjo de cordas:

 

Eu, você, depois
Quarta-feira de cinzas no país
E as notas dissonantes se integraram
Ao som dos imbecis

 

fev 192014
 

 

 

O Devo foi uma das primeiras bandas pelas quais me interessei de verdade.

Quando era garoto ouvia em casa Beatles, MPB e até música italiana, mas quando ingressei na adolescência meu primo Fred começou a mostrar outros sons. Foi então que conheci o punk do Sex Pistols e do Camisa de Vênus, o rock do Ultraje à Rigor e a new wave do B-52’s e do Devo.

A banda misturava sintetizadores com guitarras, tinha um visual maluco e partia de um conceito: a evolução humana acabou e chegamos ao seu ponto de inversão, de retrocesso – a “de-evolução”. A música era dançante para as festas, mas as letras não poupavam acidez e cinismo.

O baterista Alan Mayers morreu no ano passado, vitimado por um câncer, e hoje fiquei sabendo que na segunda-feira morreu o guitarrista da banda, Bob Casale, aos 61 anos. Fiquei triste pela morte de alguém que nem conhecia, mas que fez parte de um pedaço importante da minha vida.

Pelo menos os dois se foram convictos de que seu conceito estava correto.

 

 

So your life has just begun
Somebody else is saying that it’s done
Nurses whisper others grin
Something’s funny at your expense again
Don’t you lose it now listen to us
Everything’s going to be all right
Take a break take some time
Everything’s going to be all right
Don’t you lose it remember to take
Time out for fun!
,